sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Então é Natal ♫♪♥♫♪


                                                  Então é Natal...♫♪♫♪
O Sol amanheceu radiante. 
O menino afastou do rosto magro e sujo o pedaço de pano que fazia de coberta. 
Esfregou os olhos escuros chocados pela luz intensa. Sentou-se e olhou ao redor observando o que acontecia e achou tudo muito estranho. Tudo ao seu redor parecia parado, sem o movimento habitual, não via ninguém conhecido, alguns passavam ao longe sem vê-lo, mas isso já não lhe causava estranheza, pois sempre fora assim...
Deitou-se novamente e observou que o banco da praça estava mais macio e menos frio... Fechou os olhos novamente e relembrou o que havia acontecido horas antes quando havia se sentado à porta da Igreja Matriz para pedir uns trocados àquelas pessoas bonitas e bem vestidas que vieram à missa da meia noite.
O sino havia tocado, ele achava muito bonito o som intenso dos sinos e saiu de onde estava. Logo se aproximou da grande porta, mas achou melhor não entrar. Geralmente as pessoas não permitiam que entrasse nos lugares bonitos, imagine a igreja em hora de visitas?
Sempre olhava o interior da Igreja de longe, só da porta, e achava tudo lindo e muito brilhante e hoje voltou para ver de perto novamente. De noite ele não seria visto e poderia se esconder melhor.
De vez em quando olhava para dentro e a musica lhe causava um conforto dentro do peito franzino tão especial que nem sabia por que, tinha vontade de chorar.
Quando todos entraram, ele sorrateiramente esgueirou-se para não ser visto e sentou nos degraus de uma escada que levava ao mezanino onde um órgão esplendoroso era dedilhado habilmente por um jovem padre. A música parecia preencher seu peito de menino, poderia ficar por horas,
 talvez dias só ouvindo aquela música maravilhosa.
Acomodou-se como pode para assistir e ouvir o som de Deus. Seu coração cada vez batia mais forte e lágrimas rolavam pelo seu rosto. Emoção era um sentimento novo para ele, mas lhe fazia muito bem. Em dado momento em que o Padre que executava o ritual de orações e música silenciou as palavras santas e elevou algo para o alto, o menino pode ver uma luz intensa que refletia das mãos daquele homem que se vestia de branco e orava com fervor. A visão lhe causou espanto e admiração e fez o coraçãozinho bater mais forte e a emoção aumentou. Quase soluçava.
Foi quando percebeu alguém sentado ao seu lado na escada que levava a parte superior de onde saía a música. Ia se levantar ligeiro para sair correndo antes que fosse enxotado como de costume, quando sentiu um braço deslizar pelos ombros e uma sensação agradável de aconchego o inundou inteiro, como nunca sentiu em sua pequena vida. 
Não conseguia parar de chorar, pela primeira vez não teve medo ao ser tocado por alguém.
Falando baixinho entre os cânticos da missa, aquele homem lhe perguntou o que ele queria ganhar de Natal e o menino abaixou a cabeça e ficou mudo a pensar; - o que ele poderia querer se nem sabia o que era viver como os outros meninos que ele observava de longe com suas famílias? -. Sempre vivera sozinho desde que nascera nas ruas daquela cidade e nem saberia dizer há quantos anos isso acontecera. Via a vida passar por ele, mas ele não tinha vida, ele apenas sobrevivia.
Timidamente ele arriscou numa voz quase inaudível:
- “Quero viver sem passar fome e nem frio, sem ter medo, sem apanhar e sem precisar o tempo todo correr e me esconder das pessoas malvadas.”.
Não sabe como saiu dali, da Igreja e agora, ele estava ali naquela praça, acordando naquele banco macio e notou que estava sem fome, sem medo, sem frio, limpo e arrumado como as pessoas da missa, quando viu alguém se aproximar. 
Era o homem que conversou com ele nos degraus da Igreja enquanto os outros cantavam e rezavam.
- E então, meu bom garoto, gostou da nova morada? Aqui você pode viver sossegado, fazer amigos e ser feliz como me pediu ontem à noite.
- Onde estou, quem é o Senhor?
- Me chame de Jesus, você está no céu das crianças...


                                                                                   XX


“... E é morrendo que nascemos para a vida eterna...” (oração de São Francisco de Assis)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O Visitante


                                                        O visitante 
Eu estava entediada e resolvi chegar até a janela do meu quarto que é de onde vejo melhor a paisagem que se compõe de um pátio de carros para vender, um pedaço de uma favela de grande movimento que perderam espaço no meu visual para alguns prédios novos ainda não habitados.  Mais à direita me distraio a contar quantos carrinhos vermelhos passam pela rodovia de transito intenso, às vezes escolho outra cor, para variar....
E cá estou eu ouvindo os gritos estridentes de um Benteví que chama seu companheiro para aventuras celestes, quando um assovio estridente me faz arrepiar os cabelos e desce pelas minhas desprevenidas costas geladas.
Uma sombra seguida de uma intensa luz de um holofote se interpôs entre o sol e meus olhos não me deixando ver mais nada à minha frente. Fechei-os por um momento, cega e curiosa para ver o que estava acontecendo ali diante de mim, foi quando um som metálico, semelhante às vozes de robô me fez abrir, e na verdade arregalar, meus olhos desmesuradamente simplesmente porque ali estava diante de mim um artefato metálico voador achatado e coberto de uma nuvem que mais parecia uma couve-flor gigante zumbindo e trepidando suavemente.
Tornei a fechar os olhos, os esfreguei pensando que estava delirando e rapidamente escaneei meu cérebro para ver se havia tomado algum remédio que provocasse efeitos colaterais, tipo alucinações, mas não; além dos de sempre, de um tempo para cá eu costumo tomar uma pastilha efervescente de vitamina C pela manhã.
A coisa voadora então soltou o que chamo de voz, para não causar mais confusão mental e grunhiu:
-Tudo bem com a senhora? Vamos dar uma volta, um passeio?
Olhei para os lados para ter certeza que a pergunta era feita para mim, ou para outra maluca do prédio, mas era para mim mesma, pois se fosse em outro andar ele subiria um pouco mais para ficar de vis à vis com a pessoa.
Então respondi como as velhas respondem;
- Não meu filho, está quase na minha hora de fazer uma coisa aqui em casa, vai você meu filho, pode ir que fico bem aqui...
- Vem com a gente, a senhora vai gostar, vamos dar um passeio...
- Mas a onde que vocês estão indo?
- Por ai, conhecer uns lugares, vem com a gente...
Eu olhava aquele rosto na minha frente fixamente e a voz dele aumentava e sumia aumentava e sumia, até que acordei no chão, rodeada dos socorristas da ambulância, que veio me buscar, chamada pelos vizinhos que me viram caída no saguão do prédio.
Ainda não me lembro se eu estava saindo ou chegando da nave...

( Acho bom avisar aos desavisados que esta é uma obra de ficção...)

sábado, 26 de novembro de 2016

Como não perder a cabeça?

                                      Como não perder a cabeça?
Gente, vocês que me conhecem e sabem que a vaidade não é meu forte.
Sou do mais confortável e deixo a elegância para quem gosta e pode...                                 Não sou de moda e nem de arrumar unhas com frequência. Corto rente e deu!!!
Daí que semana passada precisava cortar meu cabelo para ir a um aniversário de 15 anos e fui deixando, esquecendo desse detalhe, até que na manhã do dia me deparei com as madeixas caídas nos olhos e pensei alto: 
-Uauuu não cortei o cabelo!-.
Em princípio já tenho consciência de quem vai reparar numa velhinha num aniversário de quinze anos se ela não subir na mesa e ameaçar tirar a roupa? O que não é meu caso, pois mal consigo subir degraus imagine numa mesa.
Daí que no sábado, pela manhã fui comprar frutas e no Supermercado que fica entre lojas, praça de alimentação, e está mais para Shopping, já que possui de tudo lá dentro, banca de jornal e revistas, Farmácia, várias lojas, banco, lotéricas etc. E também um salão de cabeleireiro onde já cortei o cabelo outras vezes com profissionais diferentes.
Entrei destemida e corajosamente e perguntei se havia vaga para aquele horário, já que não queria voltar mais tarde por preguiça mesmo.
Daí  que a atendente me indicou a última cadeira a esquerda e lá fui eu. 
De repente parou ao meu lado a pessoa que iria “fazer a minha cabeça”.
Respirei fundo e todo o meu conhecimento em psicologia e análise comportamental, gestual e etc  se apresentaram num painel à minha frente. 
A pessoa usava um enorme rabo de cavalo até a cintura, preto e brilhante. Vestia uma blusa de lã branca e gola alta, estava frio, e por cima uma daquelas capas tipo “inglesa” preta. Senti que faltava algo, mas só me dei conta na saída; a Bíblia debaixo do braço! Com todo o respeito mas a figura é inconfundível.
Nada a ver com as pessoas que trabalham em salão, quando costumam ser bem exóticas e personalizadas por cortes e tinturas.
Tudo bem, respirei fundo e me entreguei a Deus e me lembrei do Salmo; “ Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Tu estás comigo”. 
Calmamente ela abriu a minha frente uma maleta cheia de tesouras escovas e utensílios de trabalho, me vestiu uma capa de tigresa  deitei minha cabeça no cadafalso e partimos para os finalmentes.
Com a delicadeza de uma cirurgiã ela pegava de quatro em quatro fios da minha vasta cabeleira e media de lá para cá e daqui para lá para ter certeza de como cortar, vai que dá errado?
La pelas tantas, estávamos em silêncio e ela exclamou sem mais aquela,
-“sim, eu vou ler tudo sobre Davi!”
E eu: - ...hã, falou comigo?-
É que eu gosto muito de ler e agora estou me especializando em conhecer tudo sobre Davi.
- Hã sim, deve...
Falei enquanto pensava:
Eu como ela começaria por apreciar a de Michelangelo...
Pisando em ovos, acho que era a primeira vez que tinha uma cabeça nas mãos para fazer o que quisesse, cortou fio a fio durante um tempo que me pareceu interminável. Quando acabou apreciei que cortou o mínimo, mantendo o corte. O que tirou de cabelos não dava um par de sobrancelhas. Ufffa!!!
Mas eu sou especialista em fazer isso, talvez porque minha mãe cortou o meu cabelo a vida toda e da maneira que queria, até o dia em que cheguei na casa de meu irmão e ele me perguntou quem havia cortado e eu lhe disse que foi a nossa mãe e ele me disse ;
- “Não a deixe mais fazer isso, está todo torto, e mamãe já não diz coisa com coisa (ela realmente ficou depois com Alzheimer) não sabe mais cortar cabelo!”
No começo deste ano, as véspera de embarcar para Paris eu fui cortar o meu cabelo, pela terceira ou quarta vez, com uma pessoa que me foi indicada por uma amiga. por sinal o único que acertou nos últimos tempos.
Ele é professor e anda pelo Brasil todo dando cursos e quando vem visitar a irmã na cidade, ele telefona para algumas clientes e tira uma tarde para atender, daí que minha amiga me avisou que ele estaria na cidade e agendei numa tarde ensolarada no pequeno salão de amigos dele.
Lá chegando como sempre, ele gentilmente me atendeu e me levou para o salão superior e convidou a sentar diante do espelho e colocou a capa.  E sempre conversando, me disse novamente que o meu cabelo é muito fino e pouco e não deve ser cortado molhado sob pena de não ficar bom. Essa eu aprendi.
Então rapidamente e com perícia ele dividiu meu “farto” cabelo em oito "chiquinhas" e em seguida começou a cortar pelo lado esquerdo, e quando estava bem empolgado ouvimos uma gritaria lá embaixo. Na mesma hora todos os que estavam na sala desceram em desabalada carreira e eu fiquei com meia cabeça cortada e as quatro “chiquinhas” restantes com cara de tola me olhando no espelho.
A gritaria dizia que o cabelo estava caindo com a hidratação que fizeram nela, que ela estava em depressão e que a mãe havia dito que o cabelo dela estava horrível e ela veio quebrar tudo e aos gritos quebrou mesmo. Daí fui olhar e desci a escada até uma parte em que dava para ver o estrago e foi quando vi o meu cabeleireiro enrolando uma toalha no braço todo ensanguentado da mulher, que no surto havia se cortado. 
Prontamente ele a acalmou e a convenceu de levá-la ao pronto socorro enquanto a polícia chegava para lavrar a ocorrência. 
Eu voltei para a minha cadeira dando "graçasadeus" que não tinha outro compromisso e aguardei acalmar os ânimos e ver no que ia dar.
Daí veio lá de baixo uma senhora trêmula e tímida pedir mil desculpas pelo inusitado e avisar que o rapaz havia saído para socorrer a mulher e não tinha hora para voltar e sendo assim ela iria terminar o corte e me convidou a lavar o cabelo, pois ela só sabia cortar cabelo molhado. !!!!
- “Fazer o quê?”- eu pensei; pior é sair assim com meia cabeça cortada e meia desfiada e sem corte e de novo entreguei minha cabeça ao cadafalso e fui para Paris com o cabelo todo torto... Mas é claro que em Paris ninguém nota essas coisas...


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Em tempos de hoje...

                                                Em tempos de hoje...
O homem de capa inglesa, chapéu enterrado e óculos escuros entrou pela loja adentro todo encharcado sacudindo o guarda-chuva e molhando totalmente a entrada do recinto.
 Estava todo ressabiado e rastreava todos os lados e cantos na intenção de não ser reconhecido.
O dia era de temporal e enchentes brabas quando só saia de casa quem não poderia evitar mesmo, porém o caso daquele homem era urgente, urgentíssimo.
- Em que posso servi-lo meu amigo?
Perguntou solícito o vendedor e proprietário da loja.
-Fale baixo para não chamarmos a atenção! As paredes têm escutas.
Respondeu o homem que estava mais para detetive de filmes e história em quadrinhos engraçados do que para um homem sério e com claras pretensões de se esconder.
-Sim, sou todo ouvidos, pode se abrir comigo!
 -Aiiii não me fale assim que tenho arrepios... Eu preciso urgente de um teletransporte, fui informado que o senhor tem várias invenções patenteadas da hora...
-Sim, sou um inventor com vários prêmios de reconhecimento pelo instituto de marcas e patentes. Eu inventei por exemplo...
-Desculpe, mas não tenho tempo para conversas, o tempo urge e o dragão ruge... Gostou? Eu sou bom com as palavras...
- Estou vendo... Mas hoje não posso lhe servir, infelizmente não tenho mais nenhum teletransporte para vender e olha que ultimamente estou com uma linha de montagem de dar inveja às montadoras de carros. Mas não consigo entregar mais com a urgência das encomendas... É muita procura do alto escalão.
- E para alugar, não tem nenhum velhinho que funcione?
-Não nenhum.  Todos os “velhinhos” estão alugados também.
- E o que o senhor tem de invenção para me ajudar a “sumir” pelo menos por uns tempos?
- Bem, eu tenho um redutor de tamanho, é um gel que o senhor passa pelo corpo, espera 10 minutos e começa a encolher até a medida que quiser, daí é só entrar no chuveiro e retirar o gel com água. Só não se esqueça de deixar o chuveiro ligado ou a banheira com pouca água, senão como vai fazer para abrir o chuveiro com poucos centímetros de altura? Daí como o gel vai agindo o senhor pode encolher até virar um chip de gente.
- Uaaaauuuu! Mas isso é muito bom, um espetáculo!
E contrariando os cuidados que deveria tomar para não chamar a atenção rodopiou alegremente pela loja todo feliz.
- Já sei! Enquanto o Senhor embrulha o material para cinco pessoas eu vou aqui ao lado comprar uma caixa de kinder Ovo para me instalar com minha família, cada um no seu, como a lâmpada do filme “Jeannie é um Gênio”,  aaah, e já sei; vou me enviar com a mulher e os dois filhos dentro do Kinder Ovo para a fazenda com um bilhete para o caseiro nos esconder entre os ovos na granja, não acha uma ideia genial?
- Sim, se o senhor acha eu também acho...


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dia primeiro...

                                       Dia primeiro...
Hoje começa mais um mês, o de novembro.
A folhinha diz que é dia de todos os Santos e amanhã é dia de ou dos Finados. Dia daqueles que já seguiram para Deus e deixaram esse mundo de difícil viver.
Época de relembrar ao mesmo tempo de todos aqueles que já se foram para a eternidade, lembramos na mesma semana, todos os dias mesmo que não se espere, eles voltam a nossa memória em todos os momentos do dia.
Suas gargalhadas, seus sorrisos, suas vozes, suas broncas seus carinhos, o cheiro do sabonete que usavam.  Seu toque; às vezes leve, às vezes firme e decidido.
Suas palavras, suas informações e ensinamentos.
Sua forma e gosto no vestir, se arrumar, sua maneira de pentear o cabelo ou jogá-lo para traz de forma cuidadosa ou displicente, de fazer a trança e enrolar em coque como minha avó Aída fazia... Suas vaidades... Da forma como o pai assentava os pouquíssimos cabelos que lhe sobraram nas laterais...
O cheiro da comida da minha avó, do pão saído do forno pelas mãos da minha mãe.
Quanta saudade... Mas é uma saudade que não dói mais, talvez pelo tempo, talvez por que tomamos consciência que é da vida, irem antes de nós... 
Parece normal que assim seja.
Impossível não se lembrar dos nossos jovens que também estão com Jesus e suas lembranças nos inundam de saudade, meu filho e meu sobrinho que se despediram “antes do combinado”. Estes são lembrados o tempo todo...♥♥
A semana de finados é como rever fotos antigas e deixar uma lágrima rolar de saudade, mesmo assim sem dor, talvez porque não demora muito e estarei com eles todos.
É da vida, as gerações estão chegando e a fila anda, se aceitar não dói.
Hoje a festa é no Céu e os cânticos ecoam por toda a parte carregando as preces que enviamos entre as flores.
Obrigada Senhor por ter me dado a oportunidade de ter convivido com pessoas tão maravilhosas e que me ensinaram tanto.  
Parentes e amigos inesquecíveis, onde estiverem recebam a minha saudade banhada em preces de alegrias e Gratidão.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Quando...

                                             Quando...
Quando eu daqui partir me guarde no aconchego de um campo de Lavandas, de preferência os da França, e por que não?  E gostaria muito de ser lembrada de vez em quando ou todos os anos, se possível na mesma data.
Junto a mim coloque os meus melhores sorrisos e até as gargalhadas que algum dia saíram da minha garganta geralmente tão aflita.
Também coloque os melhores e mais apertados abraços, aqueles que fazem bater uníssonos dois corações apaixonados. Daqueles que os filhos nos dão assim de repente num momento qualquer de um dia qualquer, tão espontaneamente.
Coloque também as boas lembranças de momentos que não se repetirão por serem tão perfeitos.
Coloque todos os beijos que dei e os que recebi cheios de amor, paixão e amizade.
Também seria bom juntar as lágrimas que rolaram de emoção e alegrias em momentos inexplicáveis.
Junte também as palavras doces e sinceras que recebi e que transmiti em momentos de ternura .
E por fim derrame por cima todas as lágrimas que rolaram dos meus olhos e cobriram minhas faces em momentos de dor e tristeza. Sim, elas são importantes, para darmos valor aos grandes e inesquecíveis momentos de Felicidade.
Finalmente deixe o lugar ao sabor do vento que embalará meu sono de paz e saia devagar sem olhar para trás, se achar que deve leve de lembrança a flor que achar mais bonita que estiver ao meu redor e coloque entre as páginas de um livro.
Assim lhe peço que visites minhas flores, quando puder e quiser, aquelas que me cobrirão faceiras e que estarão na sua cor mais intensa e seu perfume te lembrará a minha alma que estará levitando ao sabor dos ventos formando ondas de variados tons.
Até qualquer hora meu amor e não se esqueça do combinado...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Viajando...

                                             Viajando...
Desci do avião e me encaminhei para o carrossel de malas para pegar a minha.
Depois de observar as “trocentas” que iam e voltavam pela esteira e pouco a pouco foram sumindo uma a uma até que finalmente apareceu a minha de cor escura e um monte de fitas penduradas para eu mesma melhor identificá-la.Graças a suas fortes rodinhas,  resistiu a algumas viagens apesar de cada uma deixar alguma marca. 
Algumas vezes ela vem mais pesada e outras nem tanto, mas sempre firme e forte a encontro sempre inteira circulando na esteira nos finais de voos.
Peguei-a com a ajuda de um senhor que também aguardava a dele, pois desta vez estava mais pesada, é que eu trouxe de lembrança duas pedrinhas lindas da trilha por onde andei.
Não tinha como ser confundida com outra mala festiva como é a minha companheira de muitas idas e vindas.
Daí eu me dirigi ao ponto de táxi e indiquei ao motorista o caminho que me levaria até em casa.
Quando cheguei larguei a companheira no meio da sala e após um longo banho me joguei na cama e dormi por longas horas, num quase sono da morte.
Acordei sem saber se era dia ou noite, até porque a casa permaneceu toda fechada. Sai andando na penumbra e esbarrei caindo estatelada por cima da mala.
Xinguei-a indelicadamente e tive a nítida impressão que ela se ofendeu e até me devolveu o xingamento. Fui até a cozinha e retirei um Yogurte da geladeira e o tomei avidamente descobrindo que acordei varada de fome. Fui até a cafeteira e fiz um moreno cheiroso e gostoso imprescindível na vida da maioria das pessoas.
Tomei observando pela janela, que ventava lá fora. 
Eram 15h me dizia o relógio da parede, mas o celular atualizado me lembrava que entramos no horário de verão; então na verdade eram 16h.
Não fazia diferença, hoje ainda estaria de folga. Não estava para ninguém e nem para mim mesma.
Voltei para o meio da sala na difícil missão de desmanchar a mala.
Levei-a para o quarto e a abri no chão para não contaminar de sujeira alheia a minha deliciosa cama King size coberta de lençóis de 1000 fios de algodão Egípcio, travesseiros e almofadas de fibras macias e penas de ganso. Não era bem assim, mas eu gostava de imaginar que assim era.
Daí puxei o zíper, escancarei a tampa e literalmente caí para traz.
A mala rabugenta e cheia de fitas coloridas estava repleta de dinheiro. Sim!!!! Grana, bufunfa e demais apelidos que nomeie o nosso rico dinheirinho.
Estava plena de pacotes de 100 e de 50 que cintilavam diante dos meus olhos abestalhados.
Sentei no chão e chorei. Sim, claro! O que faria você no meu lugar?
Aquilo tudo ali na minha frente, imagem jamais vista pelos meus olhos em toda a minha vida. Mas não era meu!!!!
Eu precisava devolver e trocar pela minha mala fantasiada de fitas coloridas, lotada de roupa usada, tênis velho, camisetas e suvenir barata, além das duas pedrinhas da trilha.
Quem seria o dono dessa grana, trocado, bolada, arame, gaita, capim, erva, prata, nota preta, cobre etc.? 
Ou seja lá, que nome queira dar...
Pois é, chorei olhando a belezura por algum tempo, depois sentei e fiquei esperando que o nababo me ligue para trocar as malas...
Quem sabe eu acorde nesse meio tempo...


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Árvore Genealógica de hoje em dia...♥♥



                 

                                    Árvore genealógica de hoje em dia...
Estava pensando hoje à tarde por conta de um assunto na televisão sobre arvore genealógica e cheguei à triste conclusão de que não dá mais para montar uma árvore genealógica nos dias de hoje. 
Se não veja:
Antigamente no final do século XIX, começo do século XX as famílias se formavam em um grande número de descendentes e cada mulher tinha em média uma dúzia e meia de filhos, sim, 18 rebentos no mínimo (minha avó materna teve 28 partos) que levariam para frente o nome e as características daquele casal além dos bens materiais, que variavam muito de família para família. 
Daqueles, muitos os que sobreviviam também se casavam e novamente se multiplicavam gerando um pouco menos, em média uns dez ou doze filhos pelo menos. 
Poucos casavam uma segunda vez. 
Um ou outro fazia filhos com uma amante,talvez por isso houvesse um certo "controle natural" da situação.
Daí, antigamente ao montarem uma árvore genealógica, o tronco era formado por dois pares que passariam a delimitar o lado paterno e o lado materno e cada par pelos descendentes representados pelos ramos e seus rebentos por ramos menores e folhas. 
Hoje não é possível mais fazer uma montagem como era, senão veja só:
Montarei uma suposta árvore iniciada com um casal no ano de 1950. Vou dar o nome de José e Maria. 
Eles tiveram 10 filhos, cinco mulheres e cinco homens que casaram respectivamente com seus pares. 
Em 1975  teoricamente cada casal teria cinco filhos adultos prontos para casar, daí é que a coisa começa a pegar principalmente a partir da proliferação das separações e do divórcio. 
Eles já casam conscientes de que se não der certo, separa, prevendo para breve a separação, geralmente na primeira encrenca. Não se investe mais na relação, para quê, né? 
São tantas opções...
Hoje em dia nem se casa tanto oficialmente, só se juntam, para “não ter o trabalho” de mudar o nome nos documentos quando não der mais certo. Simples assim. Ou quando casam não trocam mais os sobrenomes, cada um permanece com o seu respectivo pelo mesmo motivo.
Assim os casais ficam um tempo juntos até entrarem na rotina, aquela que todo mundo conhece, daí se chateiam e separam-se. 
Geralmente trocam de pares, um casa para cá e o outro para lá e vão ficando os filhos pelo caminho da história, ora com o pai, ora com a mãe e quando querem passear, viajar etc., os avós ficam. 
Voltando para a fictícia árvore genealógica; 
Os filhos de cada casal casaram e descasaram várias vezes também, gerando cada um dos cinco, mais cinco filhos com três mulheres diferentes, ficando assim neste grupo aproximadamente 15 mulheres/esposas e 25 filhos de cada grupo de casamentos e tentativas de convívio, pois cada homem teria três esposas e as mulheres teriam três maridos, formando assim famílias fragmentadas e irmãos de pais diferentes.
Dessa maneira cada homem casou temporariamente com três mulheres, assim como as três mulheres casaram com três homens ficando cada casal com uma média de seis experiências. Sendo seis de cada lado e cada uma das experiências resultou em nove filhos. Juntando os dois lados do primeiro casal José e Maria que se casaram em 1950 já são... muiiiiiiiitos. Melhor parar.
Nem contei as sogras, as cunhadas e cunhados e muito menos os tios e primos, pois os meus dons matemáticos foram todos investidos na Lígia Fascioni, a primeira filha (minha é claro) que se formou Engenheira Eletricista aos 22 anos porque entende tudo de números.

Como você que me lê montaria nos tempos atuais uma árvore genealógica desse porte, com os casamentos e descasamentos que acontecem todos os dias?

(Só posso ter cabeça de camarão, pois não?)

domingo, 18 de setembro de 2016

Apenas mais um comentário...


                                    Apenas mais um comentário...
As vésperas da entrada da Primavera, mais precisamente uma semana antes, aconteceu uma tragédia pública provocando uma comoção popular.
Um lindo e excelente ator de palco e picadeiro se despede tragicamente afundando nas águas do Rio São Francisco que fazia cenário para a novela “Velho Chico”.
Impacto e comoção geral, já que o recebíamos no nosso lar todas as noites, sempre interpretando o personagem Santo dos Anjos, homem digno e cheio de princípios honestos que lutava pelo bem comum.
Isso em tempos de lavagem de roupa suja nos domínios da política nos faz sentirmos órfãos de bons exemplos e de esperança que alguém se espelhe num caráter ilibado e nos represente com dignidade e hombridade em Brasília.
E o mais bonito é que ele praticamente interpretava ele mesmo, já que trazia todas essas qualidades na alma de acordo com os inúmeros depoimentos dos que conviviam com ele mais de perto.
Pois é, ai vem os comentários; “era hora dele?”, “foi tão cedo...” e outras tantas que correram de boca em boca numa necessidade de externar a pasmaceira que se abateu por toda a parte.
Por mais triste que seja uma situação dessas e outras que vemos no nosso cotidiano, aprendi dentro da Filosofia Espírita que ninguém morre antes da hora, salvo suicídio e crimes de toda ordem, pois estarão usando de seu livre arbítrio, todos irão quando chegar a hora por mais estranha que seja essa hora para alguém. Um tombo, um afogamento, um acidente ou uma bala “perdida” ou dormiu e não acordou, ou melhor; acordou noutra dimensão... Cada um está onde precisava estar para que se cumprisse a experiência de vida nessa encarnação, simples assim.
Se não vejam: usando o mesmo exemplo do passamento do ator Domingos Montangner e sua companheira de trabalho a Camila Pitanga; os dois estavam na mesma situação e se não se deram conta ela era a parte frágil da dupla. Ela até tentou segurá-lo, mas não conseguiu. Ela estava correndo o mesmo risco de ser carregada para o fundo do rio e não foi simplesmente por que a hora dela não chegou. Com certeza ela ainda tem tarefas a cumprir nessa encarnação e assim continuará por mais um tempo que também não se sabe.
Daí que o melhor é confiar nosso destino nas mãos de Deus e nos preparar todos os dias para a possibilidade de sermos chamados, gostemos ou não essa é a nossa realidade. A realidade de todos.
Por isso não adianta acumular tesouros, mágoas e rancores. Tudo pode acontecer a qualquer momento.
Tenham um lindo e feliz dia porque hoje se chama presente por que é um presente de Deus. Para que no uso de suas horas possamos aprender e evoluir um pouco mais.


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Calvície Coletiva

                                     Calvície Coletiva.
Foi em total desespero que a cidadezinha de poucos habitantes, até ali conhecidos pela fartura de cabelos acordou literalmente calva, totalmente sem cabelos, totalmente carecas, despelados e com a cabelama toda espalhada pela cama.
 Em total espanto, pasmaceira e desespero que cobria a todos de vergonha pública se esconderam como podiam naquela que até ali havia sido uma cidade de grandes feitos capilares.
Os melhores e mais populares empreendimentos da cidade eram; uma barbearia e um salão de beleza, já que nada era mais importante para aquelas pessoas do que os seus cabelos onde quer que existissem em seus corpos.
Volta e meia as mídias visitavam a cidade pela fama e curiosidade do local fazendo entrevistas, medindo cabelos e barbas e tudo o que se relacione a pêlos longos ou curtos.
Ali naqueles confins eram lançados os produtos referentes a cabelos e barbas com o maior sucesso. Nenhum outro lugar consumia tanto cosmético específico da área.
Havia concursos e mais concursos do cabelo mais comprido, a barba mais longa e os fios mais brilhantes e macios ganhavam prêmios. Havia até concurso de pêlos das regiões axilares e das canelas que eram cuidadosamente tratadas com cremes e xampus apropriados... Havia um concurso para medir os mais longos fios que nascem nos dedos dos pés e outros para os das laterais das mãos, esses eram só para os homens...
Assim, voltando a intrigante notícia, a cidade amanheceu literalmente despelada e todos totalmente desprovidos de um fio remanescente se escondiam envergonhados como se estivessem nus em público. 
Apenas um que fosse do "prolongamento filiforme que cresce na pele dos homens e de certos animais", como assim está escrito e definido no meu amigo “Aurélio”, o nosso cabelo ou pelo, ali permaneceu para contar o acontecido.
Uma verdadeira tragédia se abateu dentro das casas agora penumbrosas ao longo dos poucos quilômetros que abrangia o território daquele vilarejo.
Primeiro que ninguém saiu de casa por toda a manhã, onde se espreitavam pelas frestas, e pelas portas e janelas entre abertas. Todos permaneciam cobertos com toucas, chapéus e lenços nas cabeças dentro dos seus lares. 
Ninguém saiu de casa em dia claro até o que o seu Ivaldino, único calvo da cidade, se deu conta que algo acontecera de muito grave, pois já havia andado de um lado para outro e a cidade estava morta, nem uma alma viva perambulava por nenhum lugar.  Ele já havia passado pelo Salão e pela barbearia, pontos de encontro de todos, até mais que a Igreja e a pracinha, e não havia ninguém. 
Daí resolveu bater na porta do barbeiro e perguntar o que houve e se deparou  com o dito com um turbante Indiano amarelo que removeu logo que lhe foi perguntado o que estava acontecendo pelo amigo Ivaldino. 
E lá estava para espanto do amigo, uma reluzente careca desprovida de qualquer pêlo.
Levou um susto e soube dele que havia saído logo ao amanhecer, que a vila inteira acordou totalmente sem cabelos.
Por um momento a felicidade invadiu o coração do seu Ivaldino que sofria “buling” desde a infância por nascer sem um desgraçado fio de cabelo que fosse para pentear pela manhã, e se sentiu vingado de toda a vila, porém como era temente à Deus, como ele apregoava, se benzeu conteve e reformulou seus pensamentos. Ficou bem sério encarando o amigo desesperado enquanto segurava o riso descarado lembrou dos apelidos que ganhou pela vida a fora; "pouca telha", "pista de pouso para passarinho", "aeroporto de mosquito", "bola de sinuca" entre outras, mas preferiu deixar de lado e prometeu investigar o caso.
Voltou para casa e diante do computador abriu todos os contatos que tinha feito em todas as comunidades de calvos que havia pelo mundo para receber a mesma resposta de sempre: 
"Não temos resposta para esse questionamento. Ninguém sabe por que os cabelos caem e nunca mais voltam."
Assim, enviou um e-mail a todos os amigos da cidade se solidarizando com eles por passarem tão desgastante momento que ele conhecia bem, mas lhes tranquilizou que continuaria sua pesquisa.
Em princípio os conterrâneos consideraram que ele estava "tirando onda" com eles, que era um deboche da parte dele se vingando de todas as piadas que fizeram durante a vida toda, mas como nada podiam fazer aceitaram a sua ajuda.
Dias depois, ele recebeu um laudo de um renomado laboratório internacional e o reenviou imediatamente aos conterrâneos, que informava que o poço artesiano que abastecia a Vila e era alimentado pelo lençol freático que passava logo abaixo do nível do solo, foi contaminado por uma grande quantidade de produto depilatório causando assim a depilação coletiva dos moradores ao se banharem e beberem daquela água.
Mais uma vez a cidade se valeu do acontecido para uma reportagem no mínimo intrigante que lhes valeu novamente notoriedade.


Aqui falou a repórter do dia, com os devidos cabelos no lugar e uma garrafinha de água mineral na mochila por medida de precaução... ♥

sábado, 27 de agosto de 2016

Palavras

                                              Palavras; seres vivos.
Palavras são “seres” vivos, mágicos, com asas que saem pelas bocas e ficam flutuando pelo espaço sem fim dando um colorido à vida.
Todo esse lindo cenário que temos à nossa frente não seria tão lindo se não pudéssemos nos expressar em palavras para tentar descrevê-lo.
“É claro que uma imagem vale mais que mil palavras” como definem bem, em palavras, pessoas que podem ver e falar.
As palavras moram em nós, seres criativos por excelência, desde o começo da humanidade. Tão criativos que o inventor da escrita, definindo o que falamos era analfabeto.
Palavras são “seres” vivos e imortais, ou quase, já que existem pelo mundo as chamadas línguas mortas, mas se ainda falam dela é por que permanecem de alguma forma, imortais.
Quando pronunciamos palavras elas ficam vagando pelo espaço infinito para sempre,  já que estamos mergulhados em um mar de palavras silenciadas, ou não audíveis a ouvidos nus, em alguma frequência especial fazendo parte do som da terra.
Imagine o barulho que a terra faz na nossa galáxia e no universo?!
 Sim eu sei que o som não se propaga no espaço cósmico, será? Ou são nossos aparelhos auditivos que não conseguem decodificar ainda os sons do espaço? O que não conhecemos, não existe...
Sim eu hoje acordei com os três neurônios endiabrados e com “a corda toda”. Estão em “altos papos” essas crianças curiosas.

Bom dia, bom final de semana e boa semana que vem... ou o que quiser...

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Com ou sem Alergia, mas com Alegria. ;)

                                    Com ou sem Alergia, mas com Alegria.
Dias atrás eu estava em um ponto de ônibus bem longe de onde moro, quando chegou uma senhora bem arrumada e toda esbaforida me perguntando qual era o ônibus que acabava de passar e eu lhe respondi que aquele iria ser recolhido.
-Ah, ainda bem, logo vem o outro então, pois estou com pressa, preciso ir até o centro e voltar correndo, pois deixei o meu marido em casa sozinho e ele está com alergia. Ele tem alergia a frutos do mar.  Não gosto de sair preocupada, ele deve ter comido alguma coisa que fez mal. Ele é muito alérgico, saiu à mãe dele, minha sogra, que tinha alergia a tudo. Ela já morreu faz tempo, mas eu não sei o que foi dessa vez que deu alergia nele. Está lá todo inchado coitado.
E ainda perguntei; ele foi medicado?
-Sim logo cedo ele foi ao hospital Militar, porque já tinha hora marcada com dentista e aproveitou e fez a consulta, agora é esperar, mas eu fico muito preocupada. Eu faço a nossa comida, até fiz um feijão bem temperadinho, mas não coloquei carnes nem linguiça, essas coisas, já por conta das alergias. Mesmo com visita em casa, minha amiga ficou aqui a semana toda e fiz a comida como faço para nós; bem simples. Da minha comida não foi, ai eu fico só pensando. Ele começa com um ponto vermelho perto da boca daí vai ficando inchado e até parece outra pessoa. Parece um irmão dele que morreu faz dois anos e também era alérgico a tudo. Eles não se parecem em nada, pode botar uma foto do lado da outra que não parecem irmãos, mas quando dá alergia e fica com o rosto inchado é todinho o irmão dele. Pois é... Mas o que será que atacou a alergia de novo? Ontem meu neto fez aniversário, ele está temporariamente lá em casa enquanto os pais mobíliam o apartamento novo, muito bom e lindo por sinal, e a mãe dele encomendou uns salgadinhos e um bolo para ele festejar com uns amigos, só uns dez, para não passar em branco. Mas o meu marido só comeu uns quibes e bolo que ele está acostumado e não faz mal...
Daí enquanto ela tomava um fôlego sugeri que se o quibe foi frito em óleo que havia sido frito salgadinhos de camarão ou bacalhau ele teria comido traços do que dá alergia a ele.
-É mesmo, pode ser não tinha pensado nisso, até fico mais aliviada. É isso mesmo com certeza! Olha senhora, eu não tenho alergia a nada, ainda semana retrasada nós fomos de excursão para Foz de Iguaçu/Paraguai. Nós mesmos organizamos essa excursão já há quinze anos e sempre ficamos hospedados no mesmo hotel, e festejamos um monte, o pessoal do Hotel nos ofereceu uma festa de Fidelidade com champanhe e tudo e ninguém sentiu nada. Essa excursão que fazemos, antes ia só militares, meu marido é militar, agora a maioria que vai é civil, mas é animada do mesmo jeito. Quando eu casei sofri muito porque tivemos que mudar para Brasília e eu tinha a primeira filha só com seis meses, chorava dia e noite de saudades da família, mas depois a gente acostuma, naquela época já, a minha menina apareceu com alergia, depois disso de vez em quando aparece. Já o meu filho e eu não temos nada disso... Olha lá está vindo o nosso ônibus! Obrigada senhora, agora já sei da onde veio a alergia foi do quibe frito no óleo que foi frito camarão. Preciso ir ao centro e voltar correndo, pois não gosto de deixá-lo sozinho assim...
Entramos no ônibus e eu consegui mais um assunto para postar no Blog...
Ainda dizem que as pessoas contam tudo o que se passa em suas vidas no Face book, claro que não! Eu sempre ouço essas maravilhas em todos os lugares. Sou boa ouvinte. O FB é mais uma opção de desabafo com a vantagem de poder postar uma foto para comprovar.
O mais interessante é que os assuntos vão fazendo uma fieira quase de um fôlego só...
Boa semana com ou sem alergia, mas com muita alegria...


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aniversariando 70 vezes!


                                         Aniversariando 70 vezes!
Olha eu, quem diria, completando mais uma volta ao redor do sol, este sol magnífico que amo tanto. 
70 voltas completas às 17.35h conforme diz meu registro de nascimento, do dia 14 de agosto de 2016!!!
Olho para trás e repassa um filme louco em alta velocidade. Como aqueles filmes antigos do começo do século passado, de quando eu nasci :( . 
Faz tempo em?
As imagens de momentos inesquecíveis passam em disparada sem que eu possa pegar alguma e lembrar de mais detalhes. 
Tem isso, as imagens vão ficando desbotadas, sem cor e nem minúcias.
Me vejo criança, me sinto criança ora entre lágrimas ora entre sorrisos, muita bronca e repreensões de uma família só de adultos já que eu sou a caçula; (palavra tão antiga quanto eu).
Todos davam e ainda se acham no direito de dar palpites na minha vida, o que me causa risos hoje em dia, por perceber que somos amados, ou odiados, pela alma e não pelo corpo que vestimos. Nesse caso amada, sem dúvida.
Para eles a minha aparência não mudou, continuo a criança que cuidavam.
Não me enxergam como uma mulher vivida, com uma bagagem pesada, desbotada e um tanto esfarrapada pela caminhada difícil em alguns momentos. 
Como todo mundo passa, é claro, mas cada um com a sua experiência, e hoje estou falando da minha trajetória. 
Da mulher idosa de acordo com os avisos (“idosos acima de 65 anos”) já começando a cansar de tanto caminhar. 
Aquela que reverenciam pelos cabelos brancos ou ignoram pelo mesmo motivo. 
Aquela que caminha devagar, paga meia, tem fila própria, lugar próprio e no meu caso, ainda vida própria...
É muito bom chegar aonde cheguei e ver que muito do que vivi, valeu a pena e o restante não teve importância nenhuma.
Olhar para os filhos e suas famílias e ver o quanto foi importante tudo o que passei, mesmo errando muito na criação deles, pois também amadureci e aprendi com eles. 
Já pedi desculpas a todos pela ignorância em atos e atitudes que só uma jovem mãe imatura de tudo comete por ignorância. 
Vamos sendo mãe, sendo mães! Este é o grande lance da vida.
As vezes aprendemos o “métier” aos poucos e lentamente, e as vezes mais rápido do que a vista alcança. Em minutos somos capazes de amadurecer dez anos! Mas é da vida. 
Vamos aos “trancos e barrancos” aprendendo e ensinando a viver.
Em princípio, pela quantidade de reencarnações trazemos todos os manuais inseridos em nós. Precisamos apenas aciona-los.
Para tudo temos conhecimento superficial ou profundo. 
Daí porque crianças “sabem tudo” antes que se ensine ou aprendem com rapidez assombrosa. 
Mas na correria da vida, não temos “tempo” para procurar todas as respostas e vamos "chutando" na maioria das vezes, como numa prova de múltipla escolha ... E o pior é que as vezes não da para voltar atrás e refazer, infelizmente...
Daí pulo para a juventude e repasso momentos mais tristes que alegres e continuo...
Entro pela maturidade e aqui estou eu olhando para os lados na encruzilhada da vida e nem sei que caminho tomar, mas dizem que todos levam à Roma, então iremos à Roma!
Um  brinde a todos que como eu não tinham ideia de um dia alcançar tão longa trajetória.

“Se chorei ou se sorri...♫♪ o importante é que emoções eu vivi...”♪♪♫♪♫

domingo, 31 de julho de 2016

Se assim fosse...

                                                       Se assim fosse...
Como seria bom se pudéssemos acessar as lembranças de nossa história, de dentro do nosso cérebro, assim como fazemos com as pastas do computador, não é?
Poderíamos tirar as dúvidas quando alguém nos dissesse que falamos algo que realmente não lembramos de ter falado.  Pediríamos desculpas com mais sinceridade.
Poderiam ser assim como os vídeos que salvamos, onde estariam gravados o que dissemos ou fizemos.
Poderíamos rever nossas atitudes, seria  bem mais fácil reconhecer nossos erros e resignificar conceitos e valores envelhecidos e em total atraso.
Poderíamos sempre que quiséssemos vivenciar a saudade com mais realidade, intensidade e relembrar dos momentos inesquecíveis que se amarelam e desbotam com o tempo como fotos antigas sem perder um só detalhe.
Poderíamos sentir os cheiros ouvir as vozes, as gargalhadas que não queremos esquecer nunca.
Poderíamos acessar momentos inesquecíveis que jamais se repetirão no desdobrar das nossas vidas e nos nossos momentos futuros. Nunca mais!!!!
Quando será que a tecnologia alcançará este estágio científico onde as dimensões se misturarão num só momento?
Estou no aguardo...




quinta-feira, 28 de julho de 2016

Não Se Fazem Mais Como Antes...

                                      Não mais se fazem como antes ...
Deusalina era dessas mulheres românticas ao extremo, talvez por isso não havia encontrado a sua “tampa do balaio”, a sua “metade da laranja” ou do limão, ou da jaca ou lá que nome se dê a um relacionamento mágico de contos de fadas onde um pisca e o outro “sente” os olhos arderem... tipo assim, entende?
Daí que ao longo dos anos entre sonetos e músicas românticas ela foi bordando um amor que só existia dentro da cabeça dela. Tão grande que parecia mais uma auto paixão, já que ela se modelou de uma maneira que se achava a mais romântica das criaturas e ninguém mais como ela havia no planeta azul para se igualar, mesmo assim viva em busca de alguém digno de seu amor.  
E assim vivia entre suspiros e lágrimas, totalmente voltada para o objetivo de encontrar o seu amado amor.
Durante muito tempo procurou na multidão e nos anúncios de namoros que saiam nas revistas tentou muitos, entrava em contato mas tudo em vão.  
Passou tantos anos nessa função que estava mais para uma mulher “madura” do que para uma inocente jovem romântica. 
Atravessou o país algumas vezes para conhecer seu “príncipe”, porém era só decepção, eram todos uma enganação ao vivo e a cores conforme costumava dizer para as amigas. E quando achava que havia encontrado algum depois de algumas horas de avaliação, Deusalina pegava a sua mala e voltava cabisbaixa para o seu canto e desencanto. Depois passava meses entre lágrimas d e tristeza e desolação até o próximo que encontrava.
Até que um dia, nossa amiga romântica, durante um voo de visita aos Lençóis  Maranhenses aproveitando um período merecido de férias, conheceu o que ela passou a chamar de “amordaminhavida”. Quanto mais se conheciam mais crescia aquele amor perfeito.
 El Cid, escrito assim mesmo,  era seu nome de batismo. Homem discreto, respeitador, cavaleiro, também romântico e perfeito. 
Maduro e bem humorado. Um príncipe. Na verdade, um achado.
Passaram as férias se conhecendo e loucamente se apaixonaram um pelo outro, afinal eram espelhos e como Narcisos deram-se as mãos e correram em busca da Felicidade sem mais delongas.  Depois de um mês de férias juntos voltaram a vida real e aos seu trabalhos, mas o jantar era sempre juntos em seu apartamento ou algum bom restaurante para brindarem mais um dia de Felicidade juntos. 
Os dois totalmente enamorados, diante de velas e vinho ao som das grandes orquestras famosas em todas as épocas. Musica de baile. Dançavam e se amavam mergulhados um nos olhos do outro.
Mas é preciso que se diga que desde o primeiro dia, no avião ainda, El Cid tirou do bolso uma pequena barra de chocolate Diamante Negro e estendeu a ela que maravilhada ficou com aquele singelo mimo entre os dedos respirando fundo com os olhos marejados.                           E a partir dali aquele se tornou um signo para o amor dos dois.  A “barrinha” de chocolate. Guardava com carinho todas as embalagens dentro de um livro de poesias.
Ao retirar o papel percebeu que haviam cinco quadros de chocolate.  Ela a partiu então em duas partes entregando dois quadrinhos para ele e ficando com três quadrinhos.
E pelos dias que se seguiram ele sempre entregava uma “barrinha” de chocolate depois do jantar  que ela partia em dois, ficava com três quadradinhos entregando a ele os outros dois .
Depois de alguns meses daquele ritual, certo dia jantando num restaurante elegante, ele estendeu a “barrinha” de chocolate Diamante Negro sobre a mesa mas não entregou a ela, deixou na lateral entre eles. Jantaram conversaram e até dançaram e quando voltaram a mesa e tomaram o ultimo gole do vinho ela estendeu a mão para pegar o chocolate para dividir com ele, como sempre fazia, mas ele o alcançou antes dela não a permitindo fazer o de sempre.
Calmamente ele retirou a embalagem olhando bem dentro dos seus olhos e entregou a ela dois quadradinhos do chocolate, colocando na boa os seus dois ficando com o último na mão.
Quem a olhasse naquele momento viria nitidamente a decepção dela.
“Então ele não é perfeito como eu pensava, fui enganada, oh céus que decepção!!!!”
Ele se manteve sério só observando aquela mulher que estava diante de si com os olhos marejados e que até ali havia vivido um grande e perfeito amor...
Daí ele tomou da faca e dividiu o quadradinho em dois triângulos e ofereceu um a ela que raivosa se levantou e foi embora deixando-o ali perplexo.
Logo depois ela escrevia para a amiga no WZ.

“Querida amiga, por conta dessas feministas desalmadas de hoje em dia não se encontra mais homens perfeitos. Não abrem mão de nada por nós, agora é só igualdade, igualdade, igualdade...”

domingo, 24 de julho de 2016

Do Baú..

                                                              Do Baú
 Num dia qualquer de um tempo que se perdeu, revirando papeis e quinquilharias dentro de um velho Baú esquecido no porão encontrei coisas muito interessantes entre escritos e muitos guardados. 
Para alguém que está entediada num dia de chuva e frio foi um achado.
Revirar aquelas coisas todas me fez voltar no tempo e trazer à tona lembranças e momentos de saudade.
O baú não era meu e a casa era recém alugada, mas não sei porque naquele momento senti reviver alguns momentos da minha vida. Acho que as nossas são as lembranças de todos.
Um impulso maior me faz continuar a remexer...
Afastando folhas secas e flores murchas, fitas puídas e rendas desbotadas, um chapéu de festa todo amassado, vejo brotar maços de cartas amareladas pelo tempo de letras desenhadas e marcas de batom. 
As letras desenhadas com esmero e graça fazem arabescos nas doces frases de poemas antigos. Tudo exala perfume de flor e formas desbotadas de cor.
Continuo a vasculhar aquela mistura de saudade e lembranças e me deparo com uma chave enferrujada, de alguma fechadura desconhecida. 
Paro para observá-la entre os dedos e não consigo imaginar de onde possa ter vindo, talvez de outro baú ou uma porta secreta. Quem sabe até a tenham guardado simplesmente porque a acharam bonita. Trazia uma fita de veludo negra que se destacava na parte superior onde se via dois corações entrelaçados. Realmente não fazia a menor ideia de onde ela fechava e abria.
Já houve um tempo que era comum se guardar lembranças, mechas de cabelos, dentes de crianças, vestidos de comunhão, de casamento e batizado em rendas fitas e bordados para futuramente vestir um outro descendente em algum momento especial... 
E não acabava mais de tirar coisas daquele baú mofado.
O primeiro sapatinho, papel de bombom cor de rosa, uma flor “sempre-viva” dentro de um livro de poesias com dedicatória, reafirmando juras de amor pela eternidade, objetos que marcaram momentos inesquecíveis, naqueles tempos de sótãos e porões. Hoje não se tem espaço físico nem ao redor de nós mesmos. Moramos em cubículos num exercício muito nobre de despojamento e desprendimento. Precisamos viver só com o essencial.
Revirando mais um pouco o velho Baú de guardados, encontro um pequeno Missal de capa em Madrepérola da primeira Comunhão de alguém, junto de uma longa vela branca que trazia na base um babado de renda.
Algumas fotos me prenderam a atenção por uns momentos como se eu fosse reconhecer aquelas velhas pessoas tristonhas. Lembranças de crianças numa praia, outras de festas com pouca luz e pessoas taciturnas, casamentos, batizados e um velório, sim um velório. Tudo em P&B., na verdade Sépia de tão antigas.
Quanto mais remexo mais trago a memória do tempo, uma memória que não é minha mas faz conexão com as minhas lembranças e sinto uma saudade doida e profunda de um tempo que não volta mais, estranho não é?
Uma caixa de madeira perfumada me chama a atenção. A tomo nas mãos e me dou conta de que um dia ela guardou sabonetes de Odor de Rosas, hoje guarda uma velha coleção de Santinhos de Igreja... Fechei os olhos e senti o perfume impregnado na madeira penetrar pelas narinas do tempo. Já tive uma caixinha daquelas...
Observo com mais atenção e avalio aqueles “cromos” por um tempo e me dou conta de que não existem mais “santos” nos tempos atuais, por que será?
Morreram todos e ficaram para nós suas histórias de milagres e santidade. Não foram renovados e nem substituídos ao longo do tempo.
Fico pensando e me perguntando aqui com meu colar de Pérolas autênticas que encontrei entre os guardados também:
Isso é bom ou é ruim para a humanidade? Não se fazem mais santos como antigamente! E porque não se fazem, o que mudou na santidade, no céu ou na terra?
Talvez porque todo mundo esteja muito ocupado hoje em dia e santidade demanda tempo, meditação e muita disponibilidade para se doar inteiro em épocas de correrias.
Como agiria um “santo vivo” em dias de hoje, teria uma página no FB e um grupo no WZ?
Oh céus!!!!
Guardei o colar correndo, fechei o Baú e sai do porão rapidinho.
Melhor ir tomar um café... tá servido?