domingo, 12 de janeiro de 2020

A Lua e Seus Mistérios


                                 A Lua e Seus Mistérios
Acordei cedo, ao nascer do sol, para como sempre que possível, fotografar o nascimento do dia e apreciar o “trabalho” de Deus com suas pinceladas colorindo o céu nos oferecendo um novo dia, um novo recomeço, para refazer o que não fizemos direito ou de forma adequada, ou o que deixamos de fazer. É sempre mais uma oportunidade que Ele nos dá.
Mais um dia, um lindo dia!
Espreguicei-me como um gato esticando-me ao máximo, para cima e para trás, e olha que para esticar tantas rugas demanda muito esforço e energia, mas eu ainda consigo só que depois voltam todas para onde estavam.
Mais tarde, enquanto tomávamos o nosso desjejum, Otávio, diante de mim fechava seus sonolentos olhos amarelos e entediados, mais do que de costume.
Sem querer saber o que se passava, mas já perguntando, indaguei o motivo de tanto sono, já que até onde tenho notícia ele só faz é dormir, comer e armar situações para lá de escabrosas.
Foi aí que me contou que estava muito cansado porque havia andado à cavalo a noite toda.
- Como assim?! Desenvolva melhor o seu pensamento para que eu desbloqueie o meu raciocínio que já empacou.
Foi aí que me explicou entre uns bocejos e uns cochilos que havia comprado um cavalo, puro sangue, na verdade uma égua branca e muito experta...
- Imagino...
E continuou; Como estamos na lua cheia e tempo quente, verão, ela me convidou para um passeio noturno e eu pensei: por que não!?
E fui; na verdade, fomos! Calcei minhas botas de montaria, coloquei meu boné do Jóquei Clube e fomos. Nem precisei do ginete, pois ela é que me conduzia e sabia aonde ir.  Assim cavalgamos pelas orlas das praias, sempre sob a luz da lua maravilhosa e cheia que deixava tudo claro, azulado e visível. E assim galopamos e troteamos a noite toda; agora é normal que eu esteja exausto e morto de sono, até vou me recolher aos lençóis e não estarei para ninguém até a próxima lua cheia.
- E a égua, onde está?- perguntei sem querer saber.
Está pastando no gramado em frente ao Condomínio, eu sabia que você não iria querer que a trouxesse para a nossa varanda né?


Em noite de lua cheia tudo pode acontecer...


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

É Sempre Natal, se quisermos...



                                  É sempre Natal, se quisermos...
O Natal foi ontem, 25 de dezembro, mas se quisermos pode ser todos os dias do ano.
Deveríamos festejar todos os dias do ano fazendo renascer Jesus nos nossos corações.
Os festejos natalinos, comerciais, a Festa em si, aquela das comilanças e da troca de presentes nunca é igual para todos e nem todos os anos se festeja da mesma forma, mesmo que a decoração, as cores verde e vermelhas, os dourados e tudo o mais pareçam, cada ano é um ano novo, um acontecimento novo, triste ou muito bom, como as mortes e os nascimentos.
Como os casamentos e os descasamentos, como os acessos às escolas e faculdades ou às formaturas. E para os que como eu já estão mais velhos, já vai tendo um sabor de nostalgia e despedida. Fica sempre a dúvida do que está por vir, já que as esperanças e projetos vão se esmaecendo. Impossível não pensar se estaremos juntos novamente, se eu estarei presente fisicamente ou num álbum de fotos e nas lembranças de alguns.
Faz parte da vida. A vida se renova o tempo todo e devemos agradecer por isso.
Escolhi escrever hoje de propósito. Fazer uma retrospectiva, mesmo que superficial, é um bom propósito no final do ano para recomeçar evitando repetir os mesmos erros.
Fico pensando no ditado popular que “o macaco nunca olha para o próprio rabo”, assim ficamos apontando os erros dos outros como se não carregássemos os nossos próprios e deveríamos nos analisar, pelo menos uma vez por ano, e procurar nos melhorar em vez de apontar. Se não gostamos de alguma coisa no outro, olhemos para ver se não fazemos igual ou numa outra versão sobre o mesmo tema.
Tudo o que nos incomoda no outro é porque temos em nós, mesmo que não admitamos.
Então, mais um ano termina e precisamos seguir avante, precisamos valorizar as pessoas como gostamos que nos façam, vamos olhar nos olhos e oferecer um sorriso mesmo que discreto, mas que saia do coração.
Vamos perdoar de verdade, deixar para lá aquilo que não foi bom e façamos o possível para fazermos melhor da próxima.
Vamos fazer um ano mais leve e aceitar o que não pode ser mudado sem rebeldia e reclamações.
Vamos nos respeitar até nas nossas idiossincrasias porque não somos perfeitos, vamos cavar no nosso coração um pouquinho de amor a mais e distribuir sem parcimônia.
Vamos fazer o ano e a vida valerem a pena.
Viver não é fácil e dá um pouquinho de trabalho, mas unidos fica menos difícil.
Um bom 2020 (vintevinte) para todos.

Hoje é dia 26. Dia do Beto. Saudade.


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Será Mesmo ?

                             Será Mesmo que Cremos em Deus?
Oramos, pelo menos quem costuma orar, para Deus usando a Oração que nos ensinou Jesus Cristo. O Pai Nosso.
Será que ao rezar observamos as palavras que fazem parte da oração, será que realmente assinamos em baixo nossa petição?
Senão vejamos:
“Pai Nosso, que estás no Céu.”
Santificado seja o teu nome, venha à nós o vosso Reino,
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no Céu.
Como assim; “A Tua Vontade?”
E a minha vontade Senhor? Quando vou ser atendida (o)?
Quando Vais trazer de volta o meu ente querido? A saúde e a prosperidade tão desejada e implorada nas minhas orações?
Mas se temos a certeza que Ele sabe o que faz, e repetimos também sem nos dar conta dessa frase que falamos de maneira automática, por que não confiamos e aceitamos o que acontece que com certeza, é o melhor para mim e para todos os envolvidos naquele momento?
Não! Somos tão infantis na nossa fé que achamos que ao proclamarmos aos quatro ventos que somos crentes em Deus e Cristãos, já está tudo combinado que eu vou pedir e vou ser atendida porque eu tenho fé.
O problema não é tão simples quanto pode parecer à primeira vista.
Nem sempre o que pedimos é o melhor, pois somos cegos conduzindo cegos, não enxergamos um palmo diante do nariz e ficamos achando sempre que a nossa petição é justa e o “tamanho” da nossa fé é passaporte para o que chamamos Felicidade.
Pois é, quando sabemos que algum ente querido ou um amigo está doente, mal mesmo, quase à morte, oramos pela sua cura e consequente sobrevivência, não querendo saber se futuramente será bom para o nosso ente querido a sobrevivência dele, desde que sejamos felizes em poder olhar e tocar aquela pessoa que queremos bem, quando na verdade, já dizia Jesus, que “a Felicidade não é deste mundo”. Que a verdadeira vida é a Espiritual, que o mundo é a escola que precisamos para aprender e evoluir. Que nosso corpo se assemelha a um escafandro de caminhar no fundo do mar, que é um aparelho pesado e desconfortável, que quando nos libertamos, na hora certa que fique bem entendido, saímos voando como borboletas após a metamorfose, à caminho da verdadeira liberdade no mundo Maior.
Neste dia de Finados, ao trazer à lembrança aqueles que partiram antes de nós, tenhamos em mente que Deus sabe o que faz e seguir suas Leis e aceitar o que não pode ser mudado é o melhor para todos.
Orar e sentir saudade sem desespero é o que nos resta.
Fiquem todos na Paz.


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

E a Vaca foi para o Brejo...

                              E a Vaca foi para o Brejo...
Estávamos, Otávio e eu, tomando nosso desjejum, mais conhecido como café da manhã, quando ao estender minha mão para pegar o queijo ele comentou:
- Você sabia que vai haver, daqui há duas semanas, um festival gastronômico na cidade só com comidas que levem algum tipo de queijo?
- Sério?
- Seríssimo, eu até já tomei algumas providencias para participar...
- Como assim, participar, se você não sabe nem ligar o fogão ou ferver água?
- Calma, só vou participar da logística...
- Defina em poucas palavras, por favor...
- Eu simplesmente irei fornecer todo o queijo do festival.
Levantei de um pulo para ouvir melhor e ainda de boca aberta aguardei os detalhes.
- Vou fazer o queijo e hoje mesmo darei início às primeiras receitas é só esperar que o item principal chegue...
- Como assim, se você não bebe leite e nem viu sequer, uma vaca de perto?!
- Claro que vi, escolhi e comprei...
Fiz que não ouvi o último comentário e continuei;
 - Você por acaso sabe a quantidade de queijos que existe pelo mundo? E a variedade de pratos com queijos específicos, tem alguma ideia? Sabe, por exemplo, que alguns queijos levam um tempão numa prateleira, na penumbra, sendo virados e revirados por anos seguidos, várias vezes ao dia? E outros ainda que precisam de lugares especiais, temperatura e temperos especiais, tratamentos especiais e mãos especiais, só para adquirir características próprias? Fazer queijos não é tão simples e nem é para qualquer um fazer. Precisa de “entendidos” literalmente para colocar a mão na massa.
- Mas eu vi outro dia na televisão e era muito simples: o cara pegou um panelão enorme, encheu de leite, colocou o que ele chamou de fermento e foi mexendo com uma pá enorme,  até que virou uma massa de queijo, depois escorreu o que ele chamou de soro e estava pronto; me pareceu bem simples.
- Mas essa é só a primeira etapa do queijo mais simples que existe, o chamado queijo fresco. Os queijos usados na culinária são mais elaborados, levam tempo para serem produzidos, levam selos de qualidade, alguns são de leite de vaca, outros são de leite de cabra, de ovelha, de búfala...
Neste momento o interfone toca e uma voz pergunta onde descarrega a vaca que foi encomendada para este endereço, e ainda avisa que não dá para deixar no gramado da frente porque ela pode fugir, já que não há cercas.
Tive que explicar que foi engano e que a pessoa fizesse a gentileza de desconsiderar a encomenda...
- Otávioooo!!!!
É claro que se escondeu em lugar incerto e não sabido e ali vai ficar até o Festival gastronômico acabar...
Vai um “x” ai?


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Ventos de Primavera


                               Ventos de Primavera
Hoje tem inicio, nesse hemisfério, a Primavera deste ano de 2019.
É setembro e já ansiamos lavar e guardar as roupas de inverno que ficarão literalmente adormecidas, hibernando, até 2020 e começar a usar as de verão. Eu pelo menos estou ansiosa.
Estava aqui pensando na vida e confabulando com minhas pantufas de Unicórnio, quando a campainha tocou avisando para receber uma encomenda lá embaixo.
- Como assim,  se não fiz nenhuma compra e nenhuma encomenda?!
Foi quando saiu do quarto, de entre os lençóis, a criatura peluda de olhos amarelos que responde pelo nome de Otávio gritando:
- Deixa comigo!
É claro que a lâmpada vermelha do giroflex, no meu cérebro começou a piscar e só faltou acender a sirene de incêndio.
Ele desceu correndo até a portaria e voltou carregando um pacote tão grande que até precisou de ajuda para trazer até o apartamento.
Lá vem coisa!!! Gritou a minha intuição do fundo das profundezas do meu ser enquanto eu respirava e contava até dez em vários idiomas para me acalmar. Só que não fez efeito e quando ele adentrou à sala eu gritei:
- De que se trata este pacote, qual é a do dia?
- Não esquenta a cabeça que a caspa vira “mandiopã”!
(Essa é do século passado, da mesma época em que vendiam pela televisão as meias Vivarina e as 12 facas Jiatsu.)
Nervosamente ele desmanchou e desembrulhou todo o enorme pacote causando um caos na nossa pequena sala.
Pouco a pouco foram aparecendo as partes de tecido sintético e as hastes e conexões metálicas que não acabavam mais.
- Mas o que é isso Otávio?!
Perguntei no último fôlego das minhas forças.
- Não é nada demais, comprei uma barraca de acampar com todos os acessórios, tipo panelas, fogão etc
- E precisava uma de três quartos, “avancê”, sala de Tevê e banheiro com ducha? Ela é maior que o nosso apartamento de 50 m²!!
- Por isso mesmo; estou cansado desse aperto, assim vou me mudar para a praia definitivamente e viver ao ar livre, sentindo o cheiro do mar, o vento, ouvindo as gaivotas e lá não estarei para mais ninguém...
Na hora levei um susto, nunca imaginei que meu companheiro de espaço e moradia fosse me abandonar assim, de uma hora para outra, sem mais nem menos.
E lá foi ele todo feliz com a sua enorme barraca e apetrechos, em cima de um caminhão de mudanças.
Confesso que deprimi, chorei e nem preguei os olhos a noite toda ouvindo o vento lá fora. Até tive que retirar os cílios postiços.
Mal o sol raiou levantei e fui fazer um café para botar os neurônios para caminhar.
Quando sentei para ler as notícias do dia, a porta se abriu e a criatura peluda entrou atropeladamente e se jogou no sofá enquanto me dizia:
- Perdi tudo!! Tudo! Acho que não reforcei as amarras direito, sei lá, e a ventania carregou tudo para longe, não deixou nada...
Parou um pouco e continuou enquanto se levantava do sofá e se arrastava na direção do quarto;
-Vou para a minha cama, para os meus lençóis, e não estarei para ninguém por duas semanas ou até a porcaria da ventania passar...

Alguém aí viu uma barraca sendo arrastada pelo vento?

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A Difícil Arte de Convencer e Vender

                         A Difícil Arte de Convencer e Vender
Eu tenho por hábito me recostar depois do almoço e deixo a televisão ligada enquanto cochilo. Passa o Jornal e troco para um canal religioso com aquela programação das tardes, onde ensinam artesanato, receitas, falam de doenças, de moda ou as fofocas do mundo dos famosos.
Ali fico eu naquela preguiça, até que crio vergonha e vou fazer algo útil.
Mas o que eu venho comentar é sobre as propagandas de 30 segundos que intercalam a cada 3 minutos estes programas.
Não entendo de marketing e Propaganda, mas como consumidora posso dar meu parecer sobre o que vejo.
Gente; que maneira é essa de oferecer um produto?
Arrumam pessoas de vozes esganiçadas, e sem qualquer tonalidade sedutora. Dão a essas pessoas um texto de três laudas para encaixarem em 30 segundos de tempo. Daí que são verdadeiras metralhadoras ambulantes, resfolegando como loucas para passar uma mensagem num fôlego só.
Tem uma senhora que vende iogurteiras de fala trêmula, que já assisto desde que meus filhos eram crianças pequenas e os programas vendiam “cartilagem de tubarão”, e olha que já fazem “horas” isso, e continua lá firme e forte, no seu mister de vender e convencer.
Tem um colchão que vibra e treme em mil posições, que dá sono só de ouvir a lista do que ele é capaz. E agora ainda mostram um cachorro e garantem que ele, o cachorro, é quem mais "entende" de colchão, só porque num dia de raiva, ele rasgou inteiro o colchão da dona e viralizou na internet.
Tem uma cinta para dores de coluna; é uma faixa larga, preta e é fechada com velcro, que quem comprar uma, ganha outra, e mais um relógio de pulso foleado a ouro (?!). Ainda sugerem que ao comprar uma cinta e ganhar a outra, você pode presentear para a sua amiga, sua vizinha ou sua sogra(!) 
Como assim, ô meu!?                            
E me digam o que fazer com duas peças iguais, que devem durar mais que Matusalém?  E se eu não quiser dar para ninguém, uma delas? Afinal, parece ser dessas coisas que duram uma eternidade.
Que mal lhe pergunte; por que não vender a maldita cinta sozinha pela metade do preço?
Também vendem um produto para a cartilagem, reumatismo, artrose, artrite e demais problemas de articulação,  e são tantas doenças que dá um compêndio. A mocinha quase precisa de oxigênio para dar conta de dizer o texto inteiro em altos decibéis e na velocidade da luz.
Tem um creme antienvelhecimento que a menina diz que a “mãe” dela adora. Achei um bom referencial, SQN... Ah, esse dá de presente um colar de pérolas...
Gente; quem tiver paciência de aguentar a ladainha dou a maior força eu só aguento uns quarenta minutos e caio fora.
É o preço para aprender alguma ideia nova para artesanato ou cozinha, ou mesmo para deixar o tempo passar com um olho aberto e outro fechado, dar um cochilo e recomeçar o segundo turno.
Sim eu tenho um controle remoto que me possibilita assistir outras bobagens edificantes, mas a preguiça não deixa e depois o que eu teria para escrever aqui?
Boa tarde.



sábado, 31 de agosto de 2019

A vinda dos que não foram...

                              A vinda dos que não foram... ;)
Acordei cedo e aproveitei para ir ao supermercado enquanto o sol não ardia.
Acabei passando quase duas horas fora de casa resolvendo outras coisas; como passar na lavanderia, no sapateiro e pegar uma bolsa que mandei costurar, enfim; coisas prosaicas do dia a dia de qualquer um antes de correr para casa e servir o almoço.
Quando saí Otávio dormia placidamente enroscado nos lençóis parecendo um anjo negro.
Quando cheguei das compras e demais, dei de cara com uma caixa enorrrrme dentro da sala.
Meu sangue percorreu a coluna de alto à baixo em alta velocidade várias vezes, me aquecendo e gelando parecendo me pasteurizar por dentro e me tirando totalmente o equilíbrio e o raciocínio, tanto que joguei as sacolas de compras no chão e me larguei sobre o sofá que era a única coisa macia que havia por perto antes de perder os sentidos temporariamente.
Acordei e como o silêncio pairava no ar fui à procura da única criatura que com certeza estava armando novas situações e me explicaria o que estava acontecendo.
À porta do quarto ostentava um cartaz que dizia:
“Pare! Para sua segurança não ultrapasse.”
“Laboratório em plena atividade.”
- Como assim; “plena atividade?!”
Em respeito aos meus neurônios, à minha idade avançada, aos meus cabelos brancos e às minhas pantufas, dei meia volta fui para o meu quarto e me joguei na cama com o olhar grudado no teto, me perguntando: “o que fiz para merecer essa criatura peluda de olhos amarelos, que acredito piamente, tenha vindo de outro planeta onde, com certeza, eu aprontei muito, e me enviaram como um emissário do terror para me tirar do sério dia sim e outro também”.
Passei por um cochilo, talvez para refazer o cérebro do choque e me levantei para arrumar as compras e guardar as coisas nos devidos lugares; Pensando também em fazer um café para começar a raciocinar caminhei na direção da cozinha.
Quando dei de cara com a enorme caixa novamente, tive vontade de voltar a me deitar e só acordar em 2020.
Bati na porta do “laboratório” e perguntei o que eu deveria fazer com a caixa e a voz cavernosa laconicamente respondeu: Descarta!!!
Deu para sentir certo peso negativo na resposta ou eu que estava sendo pessimista? - Sim talvez, quem sabe? É bem possível-...
Desci até a lixeira para colocar a caixa no depósito de recicláveis e subi para o apartamento, curiosíssima.
Quando entrei na sala, ele abriu a porta do quarto/laboratório e me perguntou: - Que dia é hoje?- e eu lhe respondi que era 31 de agosto de 2019.
Sem cerimônia bateu a porta de forma deselegante e rápida, não me deixando entrever nada do lado de dentro.
E assim fez por umas cinco vezes; ele abria a porta e me perguntava que dia era e fechava com a mesma rapidez.
Até que achando a atitude dele uma enorme palhaçada, resolvi fazer valer minha autoridade local e abri a porta devagar e resoluta. O que encontrei me desarmou, pois o encontrei desolado e cabisbaixo.
Me condoeu ver a cena, mas mantendo a pose perguntei qual era a de hoje e me respondeu quase sem voz que comprou uma “máquina do tempo” pela internet, pois queria voltar ao passado e conhecer pessoalmente o Xá da Pérsia, seu tio, a Sua tia Egípcia, Bastet, e tantos outros que gostaria de conhecer e encontrar no passado, mas achou que a máquina que comprou pela internet deu defeito, e ainda me perguntou: “o que você acha”?
Sem palavras... L
Alguém interessado em comprar uma máquina do tempo seminova?

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Conhecendo novos caminhos...


                    
                               Conhecendo novos caminhos...
Hoje amanheceu com nuvens pesadas e revoltadas, e pelo movimento delas rolava uma d.r. básica ao amanhecer.               
Sem se importar com isso o sol espiava entre elas para ver a hora em que tudo se acalmaria para ele entrar triunfante.
Lá pelas 9 horas, finalmente ele se apresentou e as nuvens debandaram.
Olhei umas três ou quatro vezes pela janela, sob o grande perigo de ser apelidada de relógio Cuco pelos que por acaso estivessem me observando na indecisão de sair ou não sair.
Se ficasse em casa trabalharia um pouco nas coisas que me aguardam para serem feitas, se saísse apanharia um pouco de sol e mudaria o panorama que usualmente costumo apreciar.
Finalmente optei por sair sem destino, sem lenço e sem documento. Dei “xau” para o Otávio que insistiu em querer ir, mas ao saber que eu não tinha ideia do meu destino e que horas eu voltaria, desistiu e voltou para os lençóis.
Saí sob um sol limpo e quentinho e ao chegar à parada de ônibus, um coletivo verde se aproximava. Sem qualquer embaraço, subi e sentei na frente, no acento reservado àqueles que já estão à frente do tempo faz tempo.
Ao chegar ao terminal, que hoje por ser domingo estava com pouquíssimo movimento de pessoas indo e vindo, chegando e partindo, olhei para à minha direita e percebi que um ônibus saia da plataforma, dei sinal e entrei sem ver para onde ia, apenas percebi que não havia 8 pessoas indo para aquele destino.
“Toca-lhe o pau, Marquinho!”
Foi o que tive vontade de gritar, pois o coletivo se deslocava como uma lagarta descadeirada, apesar de saber mais trade pelas conversas entre motorista e cobrador, meus vizinhos de espaço, que o ônibus era novíssimo.
“Situdisx”...
 Pois bem, lá fomos nós; eu e o pequeno grupo.
Gente! Fui parar pra lá de “deus-me-livre” e mais dois metros, depois de hoooooras de entra e sai de ruas e bairros.                                  
No ponto final da trajetória há uma Capela para orar agradecido por termos chegados ilesos aquele fim de mundo.
Depois fiquei sabendo pelo motorista e o cobrador, que naquele lugar, que mais parece onde o mundo acaba já teve um parque aquático; e a engenhoca funcionou com grande movimento durante um tempo, até que uma criança morreu na brincadeira.
Hoje em dia pode se ainda ver algumas peças coloridas, enferrujadas e cobertas pelo mato.
Também fui informada que todo aquele espaço verde, que parece uma fazenda foi desapropriado e já pago aos donos pelo Governo, pois naquele lugar vai ser construído um rodoanel.
Assim, deu a hora do retorno e retornei.
Como passamos pela esquina de casa resolvi descer e fechei o meu domingo por ali mesmo.
Boa semana para todos.




sábado, 3 de agosto de 2019

Sushi-Man Por um Dia

                                   Sushi-man por um dia...
No meio da tarde estava eu tranquilamente fazendo meu crochê enquanto assistia qualquer coisa na tevê, quando irrompe pela sala, todo esbaforido como se fugisse do inimigo, ninguém menos que Otávio, a criatura peluda de olhos amarelos que divide comigo o espaço de 50 metros quadrados mais agitados do pequeno Condomínio de quatro prédios.
Pulei do sofá assustada espalhando o meu trabalho de quilômetros de linhas coloridas enredadas entre nós pelo chão da sala.
- O que houve?
- Fica fria; apenas vim te pedir uma coisa urgente urgentíssima para ontem...
- E que coisa é essa tão urgente urgentíssima?
- Uma bandana preta e vermelha ou vermelha e preta, ou 30cm de fita de cetim preta de 4 cm de largura.
- Mas o que está acontecendo? Isso está me parecendo um trabalho de encruzilhada, nunca vi nada mais sinistro para se pedir a alguém no meio da tarde de num dia de sol de fim de inverno à caminho da Primavera; vai querer também umas velas, uma galinha com farofa?
- Deixa de maluquice sua louca; arrumei um emprego de sushi–man num restaurante Japonês e preciso urgente de uma bandana ou uma fita de cetim preta para amarrar na cabeça. Haja imaginação!!! Depois sou eu que invento coisa...
- E por que agora essa novidade de trabalhar como sushi-man?
- É que eu ia passando na frente do restaurante Japonês quando o dono colocou um aviso que precisava de sushi-man, imediatamente me dei conta de que sou apaixonado mais do que tudo por Salmão, aquele peixe de cor inigualável entre rosa e laranja de sabor incomparável. Dai na hora pensei que terei a chance de cortar e recortar quilos e quilos de Salmão e me empapuçar com as aparas enquanto me deleito com o cheiro peculiar do mar. Chego a sentir meu coração pulsar ao sabor das ondas, não é maravilhoso?
- Hummm... Sei, imagino... E pretende se empapuçar de Salmão, sua maior paixão agora, por quanto tempo?
- Agora não! Eu sempre amei Salmão, toda a vida, só que agora vou conviver mais de perto com essa iguaria tão apreciada...
- Tudo bem então; aqui está a fita preta que me pediu que sobrou do último “despacho” que fiz... ;)
- Debochada!!!
Ainda perco o amigo, mas não perco a provocação... hahahah

Dia seguinte acordei mais tarde e fui até o quarto da criatura peluda e o encontrei “esverdeado” entre os lençóis. Disse-me que passou muito mal à noite toda de tanto comer Salmão e agora só queria dormir por meses até esquecer que existe um peixe chamado Salmão nas profundezas do Oceano, nem em fotos...
Também, o guloso está acostumado desde sempre a comer ração “sabor” Salmão, daí resolve comer “quilos” ao natural, só podia “dar ruim”...

Vai um sashimi aí?...

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Massageando o Ego

                                                Massageando o Ego
Acordei com o barulho da britadeira da reforma ao lado. Ainda zonza de sono e atordoada entrei no chuveiro e depois fui fazer meu café para acabar de acordar. Peguei o tablet e fui ler os jornais virtuais como faço sempre.
Passei os olhos nas primeiras notícias que me pareceram as mesmas de ontem; foi quando me dei conta de que havia algo estranho no ar, procurei pela casa e não encontrei o Otávio que provavelmente saiu para caminhar na orla ou aprontar alguma "arte" como costuma fazer.
Liguei a antena de alerta mas não me preocupei muito, já acostumada com as surpresas dele e voltei para a minha leitura de notícias requentadas e as novas tão desinteressantes que valia mais nem ler para não me chatear. 
Levantei dali e fui arrumar a casa. As horas foram passando e comecei a me preocupar com a demora do Otávio.
“Lá vem coisa”, pensei com minhas pantufas de crochê.
Perto do meio dia, quando preparava o almoço, ouço o barulho da chave girando na fechadura e entra a criatura peluda de olhos amarelos carregando uma caixa enorme.
“Bom diiiia”, ou já seria boa tarde, falei; Até que enfim chegou sua majestade.
- Bom dia, eu estava lá embaixo esperando chegar a minha encomenda...
- Que encomenda?
- A que eu fiz semana passada, não aguentava mais esperar que entregassem.
Enquanto falava foi rasgando o papel que embrulhava a enorme caixa de papelão até desfazer totalmente o pacote deixando ver uma geringonça esquisita.
- O que é isso, que treco é esse, não me diga que vai fazer macarrão para vender?
- Tá maluca? Isto é um massageador de ultima geração! Totalmente computadorizado com controle remoto.
- Parece um rolo de macarrão gigante, com cerdas de borracha e um suporte grande demais para o meu gosto. Onde pretende instalar a geringonça?
- Grande para quem? E de mais a mais o que você chama de geringonça é um substituto de cafuné, já que a atividade está cada vez mais escassa por essas bandas. Preciso implorar ultimamente para ganhar três míseros minutos de sua atenção.
- Ai que maldade, faço cafuné várias vezes ao dia em você e nunca é suficiente...
- Pois é, dai que vi essa máquina para vender na internet e comprei. A gente encaixa sobre a cama e o rolo vai massageando as costas com essas cerdas macias de borracha... Aliás, já vou instalar na minha cama e nas próximas horas, talvez dias, não estarei para ninguém. Vou ganhar cafuné até cansar...
Ai que inveja!