quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Com que roupa?


                                                       Com que roupa?
Há dias que Otávio passa horas cabisbaixo, pensativo, distraído mesmo.
Dai que hoje lhe perguntei o motivo, cheguei a pensar em paixão, mas não, depois de relutar em não me dar qualquer satisfação, como é do seu costume, ele me disse que os dias estão passando correndo e ele ainda não se definiu qual fantasia usar neste Carnaval. Foi convidado com deferência pelas agremiações para comparecer aos desfiles como destaque e não sabia o que vestir.
Realmente ele estava numa sinuca de bico, seja lá o que isso queira dizer, acho interessante a frase e a comparação. Dai naquele meu jeito delicado de ser sugeri: "por que não vai de Pierrô ou Arlequim"? E ele fuzilando me respondeu sem paciência: "muito criativa você!" e eu continuei então: "Colombina"? Bem não vou repetir o palavrão para não tirar a nobreza da pessoa.
- Mas o que tem de mal, essas fantasias clássicas da folia, não entendo?!
- Acontece que eu preciso de uma fantasia impactante, que seja algo que cause entende?
- Que cause... sei...
E me botei a pensar com meus três neurônios e posso garantir que nenhum deles é folião. Chegou a me dar sono de tanto imaginar roupas diferentes cheias de cores, penas e brilhos e possibilidades mais rústicas.
- Quem sabe uma fantasia de rato?
- Rato, enlouqueceu é?! Imagine um gato totalmente "engolido" por um rato, que coisa mais patética!
- É que pensei no impacto que iria causar...
- Sim, derrocada explícita e assumida da minha raça, se desde que o mundo é mundo os Gatos são superiores em estratégias aos ratos, dai eu sou literalmente engolido por um e vou sair pulando de alegria, que insanidade, bem se diz que quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça (o teu caso) ou doente do pé (também).
- Pois é, mas não gosto de te ver assim triste e queria ajudar...
- "Mais ajuda quem não atrapalha"... ditado perfeito para a sua pessoa.
Fui para o meu quarto chateada e acabei ficando contagiada pelo o baixo astral dele, querendo ter uma grande idéia para alegrá-lo, afinal é carnaval!
Mil figuras fantasiadas me passaram na mente como um desfile de carnavais passados.  Resolvi ver no Google alguma coisa, mesmo que discreta e fácil de confeccionar à toque de caixa como era o caso, mas todas eram muito trabalhadas e estranhas a partir dos títulos à elas atribuídos:  "Ave do Paraíso Apaixonada  e seu coração de cristal azul", "Galo da montanha do Himalaia transmigrado para o Sertão Brasileiro", " O Faraó que roubou o brilho das estrelas mortas"... e por ai continuava o séquito de estranhas figuras com seus títulos bizarros parecendo de teses a serem defendidas diante de Bancas, mesmo reconhecendo que no seu trabalhado eram belíssimas.
Resolvi fazer um café para raciocinar um pouco. Enquanto o café escorria na cafeteira pensei que ele poderia ir vestido de Grão de café e fui correndo dar-lhe a boa notícia. Era uma fantasia razoavelmente fácil de fazer, se tivéssemos material para a execução, claro, tipo espuma em metro na cor marrom escuro, que mais se aproximasse daquela semente, mas não temos nada desse tipo em casa, talvez um carretel preto e um branco de linha e duas agulhas para uma emergência, um botão caído, um rasgo e é só...
Toda animada fui falar para ele o que eu pensava ser uma brilhante idéia. Nem me deixou acabar de explicar com detalhes e já me fuzilou, mais uma vez com seus olhos amarelos, daí tive a grande idéia, ou pelo menos me pareceu ser  naquela hora.
- Vista-se de febre amarela! Está na moda, só se fala nela e  seus olhos que já são amarelos vão sobressair, seu pelo é grande e escuro daí para imitar um macaco é um pulo hahahah...
Não resisti a gargalhada final e quase levei na cara com a almofada que veio voando na minha direção.
Voltei correndo para a cozinha enquanto ele batia com a porta dos seus aposentos duas vezes deixando um bilhete do lado de fora avisando que não estaria para ninguém, nem se o Rei Momo e suas princesas viessem em pessoa buscá-lo para as folias momescas,  e que só o acordasse na quarta feira de cinzas depois do meio dia, e mais não disse.

Vai um cafezinho aí?

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sera?


                                            Será?
Vocês devem ter notado que sumi daqui por uns dias, mas foi por um bom motivo;
Otávio desapareceu por um dia e uma noite o que me deixou sem chão. Fiz um Boletim de ocorrência na delegacia de desaparecidos, visitei hospitais e necrotério e sai perguntando se alguém o havia visto pela redondeza. Nada. Desesperada eu me perguntava: -Como viver sem a presença daquela alma autoritária, mandona, malandra, sem vergonha, destemida e obstinada criatura, cheia de imaginação e sem muitos princípios?  Não imagino e por hora nem quero imaginar.-
Pois bem anoitecia entre nuvens pesadas de chuva que não tardou a cair em cântaros. Era o dilúvio de Noé na versão atual onde as enchentes acontecem por conta de bueiros entupidos de garrafas e objetos plásticos e de todos os materiais imagináveis. Boiam descaradamente pelas enxurradas sofá de dois e três lugares de várias estampas, fogões de quatro bocas de cinco e até seis bocas, pneus, máquinas de lavar e geladeiras. Quilos e quilos de fraldas descartáveis sempre cheias, sacos plásticos de todos os tamanhos e cores com restos de tudo, o que me faz pensar no ser humano; que nessas horas é que a gente vê como ainda somos bem "serumaninhos".
Os mangues das redondezas expulsaram seus jacarés que saíram às ruas de bonés vermelhos reivindicando suas terras moles e encharcadas que estão sumindo a cada ano que passa misteriosamente. Hoje muitas lojas construídas na região vendem a marca "Lacoste", talvez por desencargo de consciência, sei lá.
Olhava eu pela janela que escorria lágrimas de chuva com certeza copiando meus olhos à espera do desaparecido, quando a campainha toca estridente e insistentemente.
Fui abrir a porta correndo e com quem me deparo? Sim ele mesmo em pessoa, pelo encharcado e oiriçado no último e cara de pânico estampado em cores.
Dei um pulo para traz para não ser atropelada pela criatura arregalada que foi entrando correndo, fechando as janelas e foi se esconder dentro do guarda roupas.
- Mas o que está acontecendo? Lhe perguntei entre aliviada e com raiva, muita raiva, só imaginando o que ele "aprontou" dessa vez; "Senta que lá vem história" já dizia um programa de televisão de antigamente.
Sem sair de dentro do armário, escondido atrás do casacão, ele foi me contando o que aconteceu;
"Eu sai lá fora para apanhar sol no jardim logo depois do almoço, pois era também a hora que a gatinha da vizinha também ia tomar sol e bater um papo, mas antes dela chegar aconteceu uma coisa que nem vais acreditar, o sol apagou de vez, ficou tudo escuro como noite e reparei que o mundo parou, não havia nenhum movimento, nem som e nem qualquer outro tipo de atividade. A terra parou literalmente, acho que só eu não congelei no tempo. Foi quando vi dois caras esquisitos jogarem uma rede magnética, assim me pareceu,  luminosa e cintilante sobre mim e me carregaram por um facho de luz incandescente que saia de dentro de uma grande nave, lá para dentro. Era um objeto voador enorme, um OVNI que pairava ali acima do nosso prédio e que num movimento acima da velocidade da luz  foi nos transportando pela imensidão do espaço sideral. Essa parte foi fantástica."
Nem quis interromper para não perder o juízo e ele continuou:
"Logo, num piscar de olhos, tínhamos chegado, como eu diria aterrissamos, se lá não é a terra? Bem deixa para lá. Ao descer também foi por dentro de um elevador de vidro que andava em todas as direções e nos levou para um prédio esquisito todo de vidro que só dava de ver de dentro para fora e de fora parecia quase invisível. Um mistério"
Nessa hora coloquei minha mão sobre a testa dele pois devia estar delirando, ele me ignorou e continuou contando com os olhos amarelos fixos em mim...
"Lá dentro me sentaram em uma cadeira cheia de aparelhos ao redor e rastrearam o meu corpo com um daqueles aparelhos com cara de barbeador elétrico que lê código de barras, sabe? Aquilo rastreou tudo o que eu tenho de mais intimo enquanto numa tela aparecia cada detalhe, teve uma hora que me indignei com a violação de intimidade, mas minha boca estava com um sensor pregado sabe se lá para quê?!"
 - Quis lhe dizer que era para analisar as bobagens que ele falava, mas me calei e ele foi falando...-
 "Após toda aquela barafunda de coisas acontecendo ao meu redor, me retiraram o sensor da boca e apareceu um letreiro perguntando se eu estava com fome. Eu quis dizer que não, pois nem imagino o que esse povo come, mas eles acenderam na minha frente uma tela com o programa da "Anamariabraga" com o louro José e tudo. Ela cozinhava alguma coisa muito deliciosa, pois o cheiro impregnou a sala acendendo a minha fome que naquela hora era igual a dos homens do começo do mundo. Daí a curiosidade foi maior que a fome e perguntei a eles, como era que a imagem deles tinha cheiro? Essa tecnologia a terra ainda não atingiu. E eles pacientemente me explicaram que há muito eles não usavam mais tela física como a conhecemos na Terra e que o uso da holografia tão trivial entre eles, lhes permitia inserir focos intermitentes de luz em códigos específicos de forma subliminar que trazia ao cérebro a lembrança perfeita dos cheiros que se conhece, assim ao ver a imagem o cérebro conecta o cheiro à imagem e lembrando intensamente "sentimos" o cheiro perfeito como se estivesse ao vivo. Isso não é incrível? Só por isso valeu ser abduzido"...

Comecei o ano bem com esse cara cheio de imaginação... ;)



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Ressaca


                                                                       Ressaca
Agora que já entramos no terceiro dia do ano vou contar como foi o Réveillon aqui em casa já que aguardava o desenrolar dos acontecimentos.
Logo pela manhã do dia 31 Otávio saiu cedo carregando uma enorme sacola.
Todo esbaforido me disse que naquele dia trabalharia mais que em todos os outros 364 que haviam se passado em 2017, agora no passado. Acreditei, claro! SQN.
Enquanto eu arrumava as minhas coisas e pregava as últimas lantejoulas do meu vestido branco e do adereço de cabelo, as horas se passaram e ao escurecer me dei conta de que Otávio, o meu companheiro de moradia, não havia voltado até aquela hora e eu até me preocupei por uns instantes, porém como ele era sempre auto-suficiente em absolutamente tudo, e não permitia interferência no que faz ou decide fazer então achei por bem não me preocupar até por absoluta falta de tempo, pois eu havia combinado de me encontrar na praia com algumas pessoas e estava em cima da hora.
Passado um tempo eu já havia me esquecido de tudo mais que não fosse a festa de despedida  de mais um ano, finalmente entrou o Ano Novo com a barulheira de sempre, os fogos explodindo ao som de uma música que mal se ouvia no meio do foguetório, não sei porque a colocam, brindes abraços e promessas que serão esquecidas dez minutos depois, isso sendo generosa e venenosa, vem depois o ritual de molhar os pés no mar e volta para a areia para  que fiquem parecendo à milanesa e que depois só vai sair tudo mesmo debaixo do chuveiro. Essa parte me incomoda um pouco.
Canta-se  a velha música ♫♪'adeus ano velho, feliz ano novo"...♪♪♪♫♫♪ e todos são felizes, pelo menos naqueles momentos...
Quando acordei no primeiro dia do ano o sol já ia alto. Vesti minha roupa de banho e voltei para a praia com toda animação que o dia pedia. Senti falta do Otávio; nem tive oportunidade de abraçá-lo pela passagem do ano, mas tudo bem, ele era bem "velhinho" para se cuidar, e com certeza, encontrou uma namorada gatíssima bem ao gosto dele e ficou por ai.
O primeiro dia terminou com muita gente na praia se despedindo do sol que havia sido bem generoso.
Amanheceu o segundo dia e enquanto me preparava para trabalhar ouvi a chave virar na porta e fui ver; imagine se não era a pessoa?!
Pois é, nem eu acreditava no que via; diante de mim estava uma criatura esgadelhada, com cheiro indecifrável, com restos de confete grudados por toda parte, vestindo uma roupa que já foi branca, totalmente encardida de areia e manchada de várias cores e substâncias que nem era bom investigar, calçando um pé de "havaiana" de marca desconhecida e que com certeza não saiu aqui de casa, barbado, com olheiras abaixo do queixo, que entrou carregando uma mochila velha que com certeza, também não saiu aqui de casa, que se arrastou até o sofá desmaiando literalmente.
- Mas o que significa isso, Otávio dedeus?!
Perguntei aos gritos o que o fez cobrir as orelhas escondendo os ouvidos enquanto me mandava falar baixo.
- Como é que você sai daqui dia 31 e só volta hoje desse jeito? Por onde andou até agora?
Eu não conseguia parar de fazer perguntas diante daquele trapo de pessoa...
Foi ai que com muito sacrifício, sentou-se e começou a falar lentamente com a voz ainda arrastada:
- Eu quis fazer tudo o que ensinam para fazer na virada do ano, para dar sorte, trazer prosperidade, o amor, a saúde, a alegria, enfim, dai que me vesti de camiseta branca com a palavra PAZ em brilhos de ouro para atrair riqueza, bermuda branca,  cueca vermelha, com detalhes amarelo e azul, e chinelo prateado. Até ai tudo bem, mais começou a parte  das coisas de comer: comi um detestável prato de lentilha, 7 sementes de romã, 7 bagos de uvas verdes enquanto dava 7 pulos pra trás para abandonar as energias ruins e depois 7 pra frente para me envolver nas boas, comi carne de porco que fuça para frente, seja lá o que isso queira dizer, com farofa de dendê que me deu uma dor de barriga louca. Comi bacalhau por  que me garantiram ser muito bom para atrair dinheiro, já que é peixe e o "Cem Real" é um peixe, acho que é uma Garoupa, mas isso não importa agora. Também guardei três folhas de louro na carteira que perdi em algum lugar, quando consegui me levantar depois de comer tudo aquilo com champanhe, cidra e guaraná Jesus, para garantir um bom emprego bem remunerado, eu fui pular as sete ondas, foi quando Iemanjá "arrenegou-se" com alguém ou com aquilo tudo e me jogou um daqueles barcos cheios de presentes nas ventas o que me fez cair no mar e quase me afogar. Custei a ser atendido naquele alvoroço, pois achavam que eu estava "recebendo" alguma entidade e eu me batendo entres as marolas e bebendo litros de água, quase me afogando literalmente. Com a cara ensanguentada me levantei dali tonto de tudo e fui para a areia. Algum abençoado que me viu sangrando, me levou ao posto de atendimento e  só acordei agora de manhã...

Feliz Ano Novo!
Foi só o que pude falar enquanto ele se dirigia para o chuveiro...



domingo, 31 de dezembro de 2017

Fechando a Gaveta de Número 2017

                    Fechando a gaveta de número 2017
Chego ao último dia de dezembro do ano de 2017 olhando para os dias que se passaram e escorreram pelos dedos como se fosse areia fina.
Abro a entulhada gaveta da memória, correspondente especificamente a esses trezentos e sessenta e cinco dias, um tantinho entediada, e retiro uma a uma as lembranças anotadas em pedaços de papel colorido, tipo aqueles de escritório com adesivos, mais conhecidos como "post it" e os espalho sobre a cama desalinhada pela inquietação da noite mal dormida embalada pelas lembranças de outros finais de anos, de reuniões de família ou não.
Observo que algumas anotações tiveram pouca importância e já estão esmaecendo como os papeis dos caixas eletrônicos que nem servem mais de comprovantes, pois se apagam em tempo curto.
Arrumo os papeis/lembranças sobre a cama de forma linear para ler na sequência e vou revivendo cada momento como um filme.
Algumas lágrimas transbordam dos olhos, assim como um leve sorriso as vezes baila nos lábios pálidos pelo tempo.
Fazendo um levantamento superficial me dei conta de que viajei bastante. Que fui a poucos aniversários, os das minhas irmãs, de uma sobrinha e de uma amiga, porém passei o dia das Mães com filhos e netos no interior de SP, quando também revi e visitei amigos queridos. Fiz poucas visitas a hospitais e alguns velórios de pessoas conhecidas.
Fiz alguns passeios Turísticos rápidos, de um dia, e estudei quase todas as semanas a Filosofia Espírita. Fui à Seminários e alguns Congressos, em Curitiba-PR, em Joinville-SC e no RS, e em Florianópolis. Todos diferentes onde conheci pessoas e passei por momentos inesquecíveis em lugares  tão agradáveis.
Também fui novamente à Uberaba-MG no chamado "Circuito Chico Xavier" passando por Sacramento e Araxá onde passei por momentos de muita emoção.
Também tive o prazer de voltar à cidade de Treze Tílias- SC e de conhecer Morretes- PR, onde passeei de Trem por quatro horas contornando a montanha e apreciando os vales lindos e profundos da região montanhosa do Paraná seguindo em direção à Curitiba.
Agora, enquanto escrevo e relembro, estou fora de casa novamente, passando as Festas de final de Ano na companhia de filhos e netos no interior de SP.
E assim o tempo transcorre acelerado indo e vindo para não pensar muito, porque pensar dói. Dói muito, avaliar o que fizemos e o que deveríamos e ou poderíamos ter feito em determinada situação e que nem sempre dá para consertar.
Precisamos nos anestesiar de ocupações, principalmente úteis, o que não é bem o meu caso sempre, mas não posso deixar de admitir que aprender é muito útil e que já houve tempo em que meu tempo era melhor ocupado e administrado fazendo mais pelo meu semelhante, mas pretendo com essa retrospectiva de final de ano, dar um rumo novo para o próximo ano.
Já fiz uma lista de mudanças e se eu conseguir alcançar alguns objetivos e atingir algumas metas fecharei o ano 18 me sentindo um pouco mais útil do que fui este ano, mas não posso deixar de pensar nessa hora na eternidade de nós seres, e que sendo eternos vamos nos melhorando devagar, um passo de cada vez, assim como uma planta que passa por seus estágios.
Acordar para a realidade dos acontecimentos e procurar se tornar um pouco melhor é dever de todos e também faz parte.
A Natureza não dá saltos, não podemos queimar etapas, precisamos ir passo à passo na direção do autoconhecimento e melhoramento Espiritual como ser humano filho de Deus à caminho da Evolução.
Reorganizo todos os quadradinhos coloridos e os devolvo à gaveta deste ano para colocar na prateleira do Tempo. Ano que vem é Futuro, só posso dizer que até este momento tudo valeu a pena, "o que sorri, o que sofri♫ o importante é que emoções eu vivi...♪♫♪

Feliz 2018 para todos!♥




terça-feira, 19 de dezembro de 2017

                                                    Renas para que te quero?
O dia já me pareceu misterioso quando acordei hoje muito cedo. O ar parecia mais pesado e se o meu 17º sentido não me falhava, senti que Otávio aprontava alguma arte como de costume.
Ainda deitada, porém acordada, agucei os meus ouvidos e só sentia o pesado silêncio. 
Achei melhor levantar e ver o que estava acontecendo, foi quando andando pela casa e olhando por todos os lados e cantos não encontrei o Otávio o que me causou pânico imediato.
 -Onde andaria aquele levado logo cedo?- 
Ao mesmo tempo sentia um certo alívio pela calma que reinava. Quando ele saia à passeio e caminhadas, por alguns momentos fico na paz.
Enquanto organizava meu café, sem tapioca com qualquer recheio, saboreava o perfume de café fresco que invadia a maior parte do apartamento.
Quando me servia da segunda xícara de café ouço a porta se abrir com quase um estrondo o que me levou a me levantar correndo em direção à sala. E lá no meio dela estava ele, Otávio, todo esbaforido carregando uma enorme caixa com a ajuda do zelador, que saiu em seguida.
Já prenunciando encrenca pela frente nem quis olhar, voltei para a cozinha e continuei tomando o meu café, me preparando para o que haveria de vir, foi quando ouvi seus gritos vindo da sala;
 -vem ver o que eu trouxe! -
Levantei-me respirando fundo e de olhos semi fechados, não querendo ver nada que viesse das mãos do Otávio, pois era correr risco sempre, parei ao seu lado que observava o interior da caixa que pousava no chão.
Parada diante dos dois, Otávio e a caixa, não acreditava no que via. Desesperada perguntei o que era aquilo, o que significava aquilo?
- Deixa de ser tola mulher; não estás vendo que é um casal de renas?
Só não desmaiei por absoluta falta de espaço na sala, desesperada eu lhe perguntei;
- Mas o que significa isso?
- Olha só o que descobri, ou melhor, me dei conta ontem à noite. Eu descobri um nicho de mercado impensado até hoje...
- imagino...
- Eu vou criar renas para vender no Natal, ano que vem já teremos algumas para vender, já viu Natal sem Papai Noel? E Papai Noel sem renas? Impensável; e onde se compra renas para o Natal, assim como se compra o peru, o Tender, os cabritos e tudo o que o povo gosta de comer ou usar no Natal?
- Ficou louco? Onde vamos criar renas aqui em casa, nesse apartamento minúsculo?
- Não te estressa, já pensei em tudo.
- Tudo o quê, por exemplo?! Você não se deu conta que elas são de regiões frias, da Lapônia?
- E daí? Está tudo resolvido, já aluguei um caminhão frigorífico que vai abrigá-las quando fizer muito calor...
- E o que vão comer, pensou nisso?
- Claro que pensei! Elas comem líquen de pinheiro e já fechei negócio com uma empresa do Paraná que planta pinheiros e Araucárias e vai me enviar. Elas até terão opções...
- E Onde vamos colocar as renas? Vamos não, onde o senhor vai colocá-las?
- Por hoje na varanda, talvez até o dia de Natal, depois eu vejo, um dia no jardim do condomínio, outro dia levo para pastar lá naquele pasto no final da rua, sei lá; depois eu vejo, cada dia o seu problema e a sua solução, não é um animal lindo?

Alguém aí quer um casal de renas?




sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Já Não se Fazem Mais Natais...

                                              Já  Não se Fazem Mais Natais...
Dormia eu tranquilamente, sonhando com Roberto Carlos em trajes de Comandante de navio, de quepe e tudo, com uma rosa vermelha, Colombiana, na mão fazendo uma serenata embaixo da minha janela no 8º andar, cantando ♫♪ ..."amanhã de manhã, vou pedir o café pra nós dois"...♫♪, quando o celular desperta no pior e mais estridente som que o aparelho oferece.
Pulo da cama feito uma rã assustada e fico estática por uns momentos ao lado do guarda-roupas, enquanto sinto que meu cérebro está sendo irrigado por água gelada. Quando pensei em me mexer o infeliz tocou de novo acionado pela "soneca", que à cada 3 minutos torna a acordar quem estiver dormindo teimosamente e no caso, todo o quarteirão, me fazendo assustar de novo.
Respirei fundo e calmamente muitas vezes, para acalmar o coração que estava disparado como um cavalo doido e dar um tranco no cérebro. Daí peguei o aparelho celular e o desliguei até à morte para garantir que não voltaria a tocar.
Por uns momentos quis fugir para o embalo do sonho com RC, mas conversando com minhas pantufas, pés de tigre,  achei melhor tomar um banho e fazer um café para acordar de vez e saber o que aconteceu e quem foi o insano que ligou o despertador para tão cedo e por quê? Daí o sangue já começou a ferver devagar e intensamente novamente.
É claro que só podia ser a criatura peluda de olhos amarelos e de temperamento ruim e quase "selvagem" que pensa primeiro e exclusivamente nele, o Senhor Otávio!!! Só ele teria uma idéia dessas, só não sei o que está tramando para hoje.
Neste momento percorri a casa e fui encontrá-lo parado na porta de saída todo pronto para dar no pé, ou seria na pata?
Não me contive e taquei-lhe uma enxurrada de perguntas: - Onde você pensa que vai tão cedo? Por que colocou o despertador para tocar de madrugada? Não sabe que eu não tenho nenhum compromisso a essa hora e poderia ainda estar dormindo?-
Sem tirar o olhar de tédio da cara peluda fez um muxoxo com ar de piedade para mim, com certeza lamentando o meu destrambelho por tão pouco. Só faltou resmungar:
 - Ah mulheres, sempre histéricas!!!-
Sem se alterar ele continuou respirando calmamente para não perder a paciência, e como quem faz uma concessão muito especial à minha pessoa me respondeu:
- Estou indo ao Shopping me inscrever para uma vaga de Papai Noel. Ouvi falar que a concorrência está grande por conta do desemprego generalizado, então vou bem cedo para ser um dos primeiros à chegar.
- E você acha que saindo agora vai ser um dos primeiros?
- Claro que sim, o Shopping só abre as 10 horas e até porque tem vaga até para Papai Noel Azul ou Boneco de neve, só que a fantasia é quente pra "dedéu".
- Papai Noel azul?
- Sim, aquele que fica diante das lojas gritando HO HO HO e sacudindo uma sineta na mão, também acho que Papai Noel azul não é "Papai Noel", mas tudo bem, eu encaro...
E saiu apressado enquanto eu me servia de café e panquecas com mel, que penso ser  bem melhor que tapioca com qualquer coisa e pensava no Papai Noel azul...
- Papai Noel azul não é Papai Noel, pra mim não "rola"...-
Quando ouvi o barulho da porta se abrindo. Era ele que entrou ofegante e até meio descabelado. Perguntei na hora o que aconteceu? Foi assaltado, está chegando um tsunami? Esqueceu algum documento, deu dor de barriga?
Ele entrou encostou-se dois segundos na porta fechada e em seguida correu para o sofá se esparramando todo. É claro que fui atrás e parei do lado querendo explicação;
- Você acredita que a fila para vaga de Papai Noel de qualquer cor está  aqui na esquina de casa? Uma multidão de gente de todo tipo em fila, enrolados em cobertores, sentados em cadeira de praia, tomando café,  tem até bolinho de arroz e bolinho de chuva, sem falar que está rolando um pagode ♪♫♪♫ ...
Abismada retruquei:
- Jura?
-Sim, e a fila para Renas está maior ainda.

Feliz Natal, ho ho ho.


P.S.  Este gato acima não é o Otávio, é um dublê de corpo.
                                                              Este é o Otávio.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Compreender para ser Compreendido...

                                                Compreender para ser Compreendido...           
Hoje, enquanto fazia o meu café pela manhã, fiquei pensando na sabedoria Divina e seus caminhos para nos ensinar o básico, o AMOR.
Só evoluímos quando aprendemos e vivenciamos naturalmente as Leis Morais do Código Divino.
Me dava conta, naquela hora, que há muito tempo não me irrito e para ser sincera, não me incomodo com coisa nenhuma e nem com atitudes de ninguém, porém quem me conhece há muito tempo sabe que o meu nome era "estressada" e "no limite da neura". Vivi anos assim até me tratar com psicólogos, psiquiatras e continuar estudando a Filosofia Espírita que nos ajuda em muito nessas de autoconhecimento, comportamento e entendimento das coisas.
Alguns dirão que é da idade, mas eu digo que não. Se fosse assim todos os velhos seriam calmos e tolerantes, mas não são, acho até que alguns só pioraram com o passar dos anos e a "rabugice" agora é seu nome. Mas rabugice não é privilégio de gente velha, pois muita gente prima por esse comportamento em todas as idades e etapas da vida.
Porém o que me levou à divagar sobre o comportamento humano logo pela manhã enquanto o meu café escorria, é que me lembrei de uma pessoa de meia idade e super intolerante, que chega a ser agressiva ás vezes. Está sempre "cobrando seus direitos" e contestando em qualquer assunto abordado, levantando a bandeira do correto.
E em me comparando com ela, no meu antes e no agora, me dei conta de que os meus tratamentos e meus aprendizados de alguma forma funcionaram e surtiram efeito na minha pessoa. Hoje me considero bem mais tolerante, paciente e resiliente.
Pois se viemos ao mundo para aprender, progredir sempre e  nos educar literalmente como espíritos que viajam pela eternidade à fora, então é melhor aceitar e procurar se adaptar em vez de ficar batendo de frente o tempo todo. É preciso se dar conta que não somos o dono da verdade.  Seguimos uma meta Divina, queiramos ou não. Tenhamos humildade para reconhecer. Dói menos aceitar.
Somos crianças, espiritualmente falando, rebeldes e malcriadas como o são a maioria das crianças, mas que precisamos nos educar, nos auto-conhecer para continuar a evolução, pois se  tudo evolui por que não haveríamos de evoluir também?
E os nossos orientadores, instrutores e educadores são, imagine só; nossos familiares, nossos colegas de convivência no trabalho, na escola e no dia a dia. Eles sendo bons ou não, são nossos exemplos para o bem e para o mal, são os que aparam nossas arestas e nos fazem refletir sobre a vida e o que ela têm para nos oferecer.
A interação entre todos é o que nos educa realmente. No isolamento demoramos mais para aprender, mas como crianças que somos, nos rebelamos para mostrar nossa "força" fazendo tudo ao contrário mostrando com isso como somos ainda egoístas e egocêntricos. Reclamamos o tempo todo demonstrando nossa intolerância e intransigência para tudo e para com todos.
Com o tempo vamos entendendo que o mundo não gira ao redor do nosso próprio umbigo e vamos assimilando lenta e paulatinamente as leis do Universo, respeitando como gostamos de ser respeitados, sendo paciente com o caminhar do outro que anda mais devagar que eu, que muita coisa pode esperar mais um pouco e que as coisas sempre dão certo quando somos mais pacientes. Tudo na vida anda no próprio passo, não adianta acelerar as coisas.
Também mudamos nosso mundo  quando nos damos conta que o meu espaço termina onde começa o do outro e assim vou adquirindo mais paciência e tolerância e com isso tudo muda em meu interior.
 Quando inserimos em nossa alma o aprendizado de ver o outro como extensão de nós mesmos, e temos consciência que se dói em mim, é claro que dói nele, se eu sinto fome ou frio ele também sente, vamos   pensando no outro como um ser que têm os mesmos direitos que eu, e que se sobra no meu prato provavelmente está faltando no de alguém,  vamos aprender a dividir o nosso pão e o nosso agasalho, estes sentimentos é que nos modificam e nos fazem crescer como seres humanos que procuram seguir as Leis Divinas, do Amor Maior, que produz o progresso e a evolução.
Dai deduzi que a minha vida não tem sido em vão para o meu aprendizado e auto-conhecimento como às vezes penso.
Ao não me irritar por tudo o tempo todo, não quer dizer que virei "santa", quero dizer que melhorei como pessoa e que atitudes irritantes advindas de pessoas que ignoram ainda o que eu já aprendi à duras penas, diga-se de passagem, simplesmente me fazem observar calada como se observa uma criança que esperneia aos gritos no chão do supermercado, com certa tristeza, é verdade, mas com muita tolerância. E ainda me lembro da frase:
"Perdoai Pai, eles não sabem o que fazem"... ainda.

Vai um café ai?


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Armas da Sedução

                                                Armas da Sedução
 Perivaldo contratou um técnico para trocar o motor da geladeira. Antes tivesse comprado uma geladeira nova, pois acabou perdendo a mulher para o técnico no maior descaramento.
A mulher de Perivaldo, dona Domênica, não perdia tempo. Era mulher sacudida, festeira e voluntariosa.
Queria que Perivaldo fosse mais dinâmico, mais audacioso, mas Perivaldo era daqueles que vivia e fazia tudo devagar, quase parando parecia um navegador de grandes mares, sempre com barco à favor do vento.
Já Domênica não perdia uma festa, um baile ou qualquer evento. Dançava e se sacudia o tempo todo, enquanto Perivaldo ouvia o Futebol no radinho de pilha debaixo da mangueira no quintal ou na televisão. Ele também gostava muito de ler Biografias de Santos ou de figuras ilustres. Invejava alguns pela determinação, outros pela paciência, destemor, tirania, carisma e muitos belo brilho da existência. E assim por uns momentos ele vivenciava durante a leitura  a vida dos personagens e era feliz, valente, sedutor etc...
Mas Perivaldo não era tão abstraído das coisas da vida como Domênica pensava. Enquanto Domênica dançava, ela também "dançava"; porque ele encarnando de vez em quando "Don Juan" paquerava uma certa vizinha  do bairro e muitas vezes jogaram conversa fora em algum lugar, aqui e ali, mas nada sério, só um teste de sedução para Perivaldo.
Assim quando soube que a mulher fora embora com o mecânico de geladeiras, conforme as palavras escritas e descritas no bilhete pregado no "pomo da discórdia", ou melhor, da separação, ou seja: na geladeira, ele foi andar pela vizinhança em busca de novas conquistas, pois hoje ele estava "para o crime", o da sedução, com Don Juan incorporado. Tinha certeza que ia ganhar todas.

Perivaldo, Perivaldo... 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Espanando o Cérebro

                                  Espanando o cérebro
Hoje é novamente dia 26, assim como acontece todos os meses à cada trinta dias mais ou menos, um sentimento profundo incontrolável me faz pensar na vida...
O tempo passa correndo e nem levanta poeira enquanto a saudade grudada nos nossos pés nos impede de  caminhar com desenvoltura e leveza.
Olho no espelho e percebo que na mesma velocidade do tempo vou murchando e as rugas vão se aprofundando na face pálida que perdeu o viço das emoções. Nem fico mais corada de vergonha. Descubro que perdemos totalmente a vergonha com a idade. Eu pelo menos perdi.
O branco dos cabelos, assim como a neve nos telhados, pesa muito fazendo encurvar meus ombros. Sim; os anos pesam. E ainda querem viver até os 120 anos, pra quê?!  Só para ficar mais penoso, mais difícil de carregar o acúmulo de vivências? Sei não, não sei se quero isso para mim...
Olho para trás e vejo no passado um romance de 500 páginas inacabado, amarelado e empoeirado pelo tempo escrito em papel de Bíblia em letra miúda.  Ás vezes até preciso uma "lupa" para lembrar de imagens de pessoas, e lugares que estão compactados na memória do tempo. Alguns episódios deveriam ser deletados para sempre, mas esses justamente são relembrados em negrito, em letras bem grandes.  Releio algumas partes que ainda tocam e outras que vão perdendo o sentido com o tempo.
Viro a página correndo e volto ao dia de hoje, com suas incertezas e possíveis surpresas, ou não, mas não ajuda muito, pois amanheceu sem sol e viver sem sol é como comer sem sal, só engolindo rápido e sem prestar atenção enquanto ocupa a mente com outra coisa. Não dá para saborear.
Voltando ao presente, olho lá fora e o mundo está desenhado à lápis em mil tons de cinza, sem luz e sem brilho.
Sabe-se que há vida porque buzinam na redondeza. Os pássaros e os cães silenciaram e como eu devem estar nostálgicos. É da vida.
Logo passa, vai passar e um novo ânimo toma conta da alma e pincela algumas cores; e por uns momentos somos capazes de sair dançando pela sala, anestesiados pela música que toca  no som do carro que passa, mas ele passa também...
Assim como uma onda que vem e vai de volta para o mesmo mar infinitas vezes, a vida vai nos empurrando sempre de volta; e eu me pergunto: - para onde?-  Não sei, ainda não descobri, mas me sinto empurrada pela vida...
Bom dia.☼♥                                                                                    


domingo, 17 de setembro de 2017

Confabulaçoes

                                                Confabulações
Quando eu vou comprar mamão escolho por afinidade, amor à primeira vista. Só tenho certeza da doçura comprando o Papaia, mas gosto também do Formosa que é o dobro do tamanho, que vou comendo aos poucos e tenho a sensação de que dura mais, mesmo equivalendo em peso, não sei.
Enfim;  no supermercado, diante daquele mar de frutas diversas vou até aos mamões verdes alaranjados da banca e fico por alguns momentos observando-os para ver qual deles quer ir comigo, qual está a fim de fazer parte do meu corpinho por algumas horas, saber dos meus segredos, dos meus amores e dores, ouvir minhas orações e até dar palpites nas minhas conversas e discussões com Otávio.
Fico em silencio, mesmo que esteja cantarolando alguma balada metódica ou alguma coisa meio religiosa eu paro e fico olhando para os mamões, observando suas reações com a minha presença, pois de repente eu sinto vindo das entranhas do fruto não proibido o apelo - eu quero ir contigo, eu vou, sou doce e macio e te darei a satisfação do prazer da gula por alguns momentos-
E lá vou eu carregando a criação Divina produzida em série pela mão do homem do campo, tão esquecido por aqueles que dependem dele todos os dias, enrolado numa manga de crochê macio.
Feliz vou para casa e o acomodo na fruteira entre outras frutas, porém ele é o majestoso, o maior entre todas as espécies do recipiente.
Passa ali adormecido mais alguns dias para amadurecer mais um pouquinho já que as suas cores estavam mais para o verde do que para o alaranjado e assim provavelmente ainda estava mais firme do que macio para ser comido ao ponto.
Finalmente numa manhã de um dia nublado, observando a fruteira me dou conta que ele chegou ao estágio perfeito para ser comido. Pego-o nas mãos e o levo para um banho com detergente e esponja macia, primeiro o lado verde (da esponja) e depois o amarelo, mais macio. Enxugo-o com delicadeza e expresso o meu amor por ele dando-lhe um beijo e lhe agradecendo o prazer que ele estava me proporcionando ao degustá-lo sendo feliz, pois o estava levando para dentro de mim, meu eu mais profundo, e por algumas horas seríamos um só. Puro prazer...
É muito amor envolvido.


Isso se chama solidão.