segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O Paralelepípedo Fundamental

                               O Paralelepípedo Fundamental
Mal o dia amanheceu e aquela rua descalça e abandonada pelas autoridades competentes acordou em polvorosa e começou a se movimentar de forma inusitada...
Lafaiete, o mais velho morador, já beirando os noventa anos, era o mais animado, afinal ele foi um dos desbravadores daquela região que o progresso só olhava de longe e passava batido. Havia conseguido finalmente o grande feito, provavelmente, por conta das inúmeras cartas enviadas à prefeitura por anos a fio, todas devidamente xerocadas e guardadas numa pasta de plástico que carregava para cima e para baixo.
Tão empolgado estava que vestiu a sua melhor camisa, aquela de estampa xadrez, e o colete marrom, usado nas grandes ocasiões. 
Já sua esposa Ademilde colocou papelotes por toda a cabeça antes de dormir para que pela manhã seus cabelos mostrassem alguma rebeldia enquanto emolduravam o rosto pálido.
Dona Ismênia colocou o seu melhor vestido, separado para ir à missa, casamentos e velórios, enquanto Maria Dagmar vestiu uma calça vermelha e justa, o que causou alguns olhares e comentários maledicentes, mas também, a bem da verdade, alguns complacentes, visto que Maria Dagmar não dava sorte com namorados. Dois deles haviam morrido antes mesmo de ser formalizado o pedido de casamento. Sendo assim, ela caprichou na vestimenta para atrair os olhares dos trabalhadores que viriam passar o dia por aquelas bandas.
Dona Gertrudes, as cinco da manhã, já estava às voltas com fornadas de biscoitos na sua cozinha.
Para todos os lados daquela rua era possível ver um vai e vem inusitado.
De repente, um barulho crescente de motores começou a ser percebido ainda lá longe, e todos correram para frente de suas casas abanando freneticamente para os caminhões e máquinas que chegavam com seus trabalhadores que por um momento ficaram admirados pela recepção naquele que seria o tão esperado dia do início do calçamento daquela rua tão esquecida pelos políticos e suas prefeituras.
Todos os trabalhadores foram chegando e abismados observavam a alegria daqueles que os recebiam com palmas, bandeirinhas e café com biscoitinhos antes mesmo do início dos trabalhos, além de uma trova elogiando o evento recitada por uma das netinhas de Dona Altamira, ensaiada durante toda a semana pela pequena criança.
Sim, aquele momento virou um evento com toda pompa que o lugar permitia. Fotos, uma crônica para o jornal rabiscada as pressas, e para culminar, aquele momento tão solene para os moradores. 
Seu Lafaiete foi convidado pelo responsável da obra a colocar de forma perpendicular ao meio fio, o primeiro paralelepípedo; dando início ao calçamento tão esperado daquela rua ainda nua e fotografado incansavelmente de todos os ângulos, pelos que ali portavam celulares.
A partir daquele dia inesquecível, cada vez que seu Lafaiete ia até a farmácia, padaria, bar ou qualquer outro lugar, não perdia a oportunidade de contar, com lágrimas de emoção, para quem quisesse ouvir e em detalhes, como foi que ele colocou com as próprias mãos, o primeiro paralelepípedo naquela rua descalça. E a partir daí, volta e meia ele era convidado a fazer fotos com o pé em cima da pedra fundamental, como ele a chamava, agora tão famosa quanto ele e passou a ser conhecido como o padrinho do paralelepípedo.
Um ano depois, quando seu Lafaiete faleceu retiraram aquele mesmo paralelepípedo do início da rua e o colocaram sobre seu túmulo, numa cerimônia onde estiveram presentes todas as autoridades locais e alguns funcionários que fizeram o calçamento daquela rua descalça.
Seu Lafaiete até hoje é considerado um herói naquela rua totalmente calçada para alegria dos moradores que o reverenciam diante do paralelepípedo impávido que adorna seu tumulo e serve de cenário para foto dos visitantes.

Que este ano seus caminhos sejam pavimentados com pedrinhas de brilhantes... ;)



quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Meu Cavalo por um Reino

                                   Meu Cavalo por um Reino
Estava eu, no meio da tarde, lendo meu livro, totalmente distraída, quando ouvi o barulho da porta da entrada batendo e estremecendo tudo.
Como estava sozinha há horas, logo vi que era a criatura peluda de olhos amarelos chegando “silenciosamente” SQN.
Sentindo “algo no ar” nem me dei ao trabalho de levantar de onde estava, pois sabia que ouvir sentada seria bem mais seguro.
Apenas lhe perguntei o que houve e ele, sem disfarçar a euforia, me contou que havia ganhado um cavalo numa rifa.
Ainda bem que eu estava sentada, pois senão haveria a necessidade de fazê-lo.
- Como assim, um cavalo!?? Aquele quadrúpede que puxa carroças desfila em casamentos Reais e também em paradas militares?
(Acabei de me dar conta que até os animais também precisam de “sorte” para nascer).
- Sim, claro!
- Melhor seria um cavalo marinho, daqueles que nem precisam da fêmea para se reproduzir, são criaturas autossuficientes. Incrível logística de dois em um, ou seriam três em um... Deixa para lá, me conte mais do seu cavalo e para quem você deu ele de presente, alguém lá mesmo no sorteio?
- Como assim, dei o cavalo de presente? É claro que o trouxe para casa e está pastando no jardim...
- Mas não podemos nem ter cavalos e nem coloca-lo no jardim do condomínio, sem falar em quem vai recolher o que ele “deixar” pelo caminho? Nem pense em mim!
- Parece que a vida se resume em recolher excrementos de animais; todas as vezes que pretendi ter algum, logo você vem com essa pergunta... Você não consegue ver a beleza do animal, a postura, o garbo?
- Não! Eu sei que se eu permitisse algum animal aqui em casa, essa parte sobraria para mim, com certeza, então nem cogitar, e por agora só consigo pensar em como vamos nos desfazer desse elefante branco...
- Não é elefante, é cavalo, não mistura as coisas, parece que delira.
- É maneira de falar seu bobinho, elefante branco é uma expressão que se usa quando não se consegue desfazer de uma coisa, porque na Índia os elefantes são sagrados e os brancos não podem ser vendidos e quem tem não pode se desfazer deles, é mais ou menos isso.
- E o que o nosso cavalo tem a ver com isso?
- Primeiro que não é nosso; é apenas seu. Depois que estou explicando que não podemos ficar com o cavalo, nem que fosse em ouro maciço. Aliás, seria muito bom se fosse em ouro mesmo...
- Não vou me desfazer porque tenho planos para nós que vai virar ouro, está bom para você?
- Como assim?
- Vou treiná-lo para corrida. Vou até a Hípica e inscrevê-lo para a próxima corrida, ouvi dizer que dá uma grana federal.
- Vai pensando que é fácil fazer parte de um dos clubes mais elitistas que existem, ali só entra indicado por algum sócio e precisa ter muiiiitos zeros na conta, não temos cacife para entrar num lugar desses, nem como convidado, é outro Universo. Até o cavalo é de outra estirpe, eles, os cavalos, olham os pobres mortais que o observam na maior superioridade, só os sócios ricos podem lhes oferecer torrões de açúcar, e afagar seu pescoço. Sem falar que se o seu cavalo foi ganho numa rifa deve ser um pangaré de cem anos que mal se sustenta nas quatro patas...
- Também não precisa esculachar com o pobre do cavalo, realmente ele precisaria até um banho de alguma tintura de cabelo para dar uma cor e brilho na crina, mas isso a gente resolve com capricho, aliais, acho que para passá lo à frente vou ter de fazer isso mesmo, passar uma tintura de cabelo, até porque para ganhar a rifa tive que comprar quase todos os bilhetes lá na Padaria hoje cedo, parece que ninguém queria comprar... Mas você é desmancha prazer, em?
- Eu?!?

Quem quer comprar um cavalo aí?

domingo, 23 de dezembro de 2018

Natividade

                                          Natividade
Neste período, quando os Cristãos celebram a Natividade, podemos apreciar pelo menos por alguns dias, que muitos corações arrefecem do ódio e da amargura e que o egoísmo fica esquecido numa gaveta até que passem as festas de final de ano.
Podemos apreciar que muitos se dispõem a distribuir um pouco do que lhes sobra e que provavelmente nem lhe fará falta, mas isso não importa de verdade, porque ser bom e caridoso se aprende exercitando e que amar se aprende amando.
Importa mesmo é que por alguns dias a fome irá diminuir e que os desvalidos serão olhados como irmãos e receberão sorrisos nunca antes percebidos nos rostos apressados.
Que bom que pelo menos nos finais de Ano, o Menino Jesus renasce e os corações se transformam em manjedouras para recebê-Lo. 
É bonito ver que as pessoas O recebem de braços abertos, carregando no colo Aquele que se fez menino para enternecer os corações endurecidos e a psicosfera do planeta fica até mais leve.
Mas ainda precisamos muito rever e celebrar os seus ensinamentos; reciclar nossos sentimentos, promover a paz e perdoar aquele que de alguma forma nos prejudicou, pois ele ainda não sabe o que faz.
Assim como a Esperança nasce com a alvorada de um novo dia, vamos nos renovar em sentimentos e comportamento, promovendo um mundo melhor e ser melhores a cada dia porque amar se aprende amando e não se pode amar odiando alguém.
O Perdão liberta a quem perdoa.

Desejo a todos um Feliz Natal extensivo aos familiares.


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Tatoo

                                                Tatoo
Amanheceu um lindo dia, mas por razões desconhecidas não estou com vontade de sair de casa. De vez em quando vou até a sacada e fico ali até que o sol me mande para dentro. Hoje estou mais para relógio cuco, entro e saio da sacada de hora em hora.
Daí que estou lendo calmamente, estirada no sofá, enquanto o meu companheiro se enrosca nas almofadas no outro lado, ronronando candidamente.
Até ali, muita paz ao meu redor, até que a criatura começa a se espreguiçar e me fixa com seus olhos amarelos como o sol que brilha lá fora. Por um momento aprecio a sua beleza felina, mas foi só por um momento, pois em seguida ele me informou que iria sair. “Como assim, sair?” lhe perguntei.
- Vou sair para fazer uma tatuagem, sonhei que fazia uma tatuagem e é o que vou fazer, já resolvi...
Fiquei sem fala olhando espantada aguardando ele dizer “brincadeirinha!”, mas não disse; foi até o quarto e pegando a mochila se encaminhou em direção à porta de saída.
- Ei! Está falando sério?
- Claro que estou, ora. Eu sempre falo serio, parece que nem me conhece depois de tantos anos...
- Aí se encontra o perigo, te conheço muito bem! Me explique por favor,  muito bem explicadinho antes de sair, que história é essa de fazer tatuagem, depois eu resolvo se deixo ou não; me convença com seus argumentos.
- Não têm aqueles caras que raspam a cabeça e depois cobrem de tatuagem?  Pois é o que farei, vou raspar o meu pelo e me desenhar...
- E o que pretende desenhar neste corpinho magnífico?
- Sei lá, acho que os tatuadores devem ter books de seus trabalhos, pois não?!
-Imagino que sim, mas você já deve ter uma ideia formada, pelo menos, não? Afinal é um leque de opções infinito, vai tatuar flores, fadas, dragões, elfos ou o quê?
- Elfos?! De onde você tirou essa ideia?! Nunca vi ninguém com elfos tatuados...
- Pois eu vi ontem mesmo uma menina com um elfo enorme nas costas...
- Você disse bem; “uma menina”. Elfos, fadas e afins, são figuras para meninas...
- Desde quando você virou machista?
- Desde que resolvi fazer uma tatoo... Poxa; não consigo me definir por algo marcante, que faça a diferença na minha vida, neste momento único que é o de fazer uma tatuagem, afinal essa marca vai ficar para sempre, talvez eu até venda a minha pele para os Chineses fazerem um abajur ou uma bolsa, quem sabe, eles pagam milhões... $$$$
- Sabe o que eu acho? Que está na hora de voltar para as almofadas e dormir mais um pouco; se algum Chinês vier fechar um contrato de compra de pele contigo, eu te chamo, pode deixar...

Tatuagem... Era só o que faltava... Quem vai cochilar sou eu, depois dessa...


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Uma vez Flamengo, Sempre!


                           Uma vez Flamengo, sempre! 
Hoje saí de casa por volta das dez horas. 
Tomei o ônibus de sempre e dois pontos adiante entrou uma senhora um pouco acima do peso, toda esbaforida e sentou-se no banco individual logo à minha frente, que estava num banco duplo, sozinha, e em altas vozes, totalmente à vontade, foi conversando com o motorista e o cobrador postado logo atrás de mim.
Do meu ponto de observação pude notar que ela se vestia com a camiseta do time da cidade, aquele que passou para a primeira divisão, e para completar o traje, a calça, o tênis, brincos, as unhas e alguns anéis exibiam a cor azul celeste também; provavelmente para não deixar duvida nenhuma da sua preferência esportiva.
Daí que ela entrou no ônibus resfolegando e foi logo reclamando da fila interminável de todos os dias, do transito parado para entrar na ponte em direção à ilha e da demora em chegar no serviço
Depois falou que trabalhava desde os 12 anos como doméstica, que não pode estudar porque a mãe não deixou, porque se ela aprendesse a escrever ia fazer carta para os namorados em vez de fazer o serviço, e agora com 72 anos ainda precisava trabalhar. 
E continuou falando, pois a fila demora mesmo e assim conversando o tempo passa mais rápido.
Falou que os filhos não a visitam em casa, então eles se encontram num jardim público, no bairro ao lado. Ela falou que quase não vê os netos, que um deles já tem 20 anos e não o vê desde pequeno, nem o conhece, porque a outra avó é rica e não deixa, porque que diz que onde ela mora é muito perigoso, ela diz que é zona vermelha, mas ela mora há cinquenta anos naquele lugar, a casa é dela e nunca aconteceu nada, o que ela vai fazer? Mas a “rica” tem medo do filho, no caso genro dela, ir lá com as crianças e acontecer alguma coisa.
O outro filho mora no interior, esse ela não vê mesmo e nem conhece os netos. 
Daí que ela não estudou nada, mal sabe “algumas letras”, mas a filha da patroa, que já foi professora e agora tem um bom emprego e ganha muito bem, um dia resolveu ensiná-la a ler, porque por várias vezes pegou o ônibus errado e foi parar do outro lado da cidade. Então ela conseguiu aprender alguma coisa que dá para o gasto.
Foi a maior felicidade quando ela conseguiu ler as placas dos ônibus, então o que ela fez? Foi até a rodoviária e comprou uma passagem de ônibus para o Rio de Janeiro para ver o Flamengo jogar! Sim, viajou a noite toda e logo que chegou na rodoviária do Rio pegou o ônibus para o Maracanã e foi assistir o jogo do Flamengo. realizou um sonho.
Na volta comprou a passagem para São Paulo, depois para Curitiba e de Curitiba veio para Florianópolis. Foi e voltou sozinha!

Quando chegamos no terminal central, cada um foi para o seu destino, e a torcedora toda trabalhada no azul, ia toda faceira porque agora sabia pegar o ônibus certinho, afinal já tinha ido até o Rio de Janeiro!...
Que bom, fiquei feliz por ela que tem a minha idade e me pareceu uma pessoa bem resolvida apesar de sofrida.

P. S. A maioria do pessoal de Floripa tem como segundo time o Flamengo, são fanáticos; quem é daqui sabe... ela é Avaí e Flamengo... O que eu achei interessante foi que a primeira decisão que ela tomou ao aprender a ler foi pegar um ônibus e ir para o Rio assistir o Flamengo jogar no Maracanã. O que será que eu faria no lugar dela? Qual seria a minha prioridade, o meu sonho de consumo?

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Para quem?

                                       Para quem?
Hoje amanheceu sem chuva e antes que ela volte lá pelo meio da tarde, como deu no jornal, vamos aproveitar que o meu cérebro resolveu se espreguiçar, sacudir o bolor e escrever algumas elucubrações matinais que têm me tomado o espírito, deveras inquieto por natureza.
Acordei as 5.30h e constatei que não estava chovendo e isso por esses tempos, é uma novidade e esperança para que o novo mês que entra, já que novembro termina hoje encharcado de chuvas diárias e persistentes, não seja de tanta chuva.
Deitei mais um pouco, afinal é horário de verão e meu corpo se nega a aceitar isso e entrar na dele, pois para a realidade biológica do meu corpinho são 4.30h!!!!
Como dizia, voltei para os lençóis mais um pouco, porém liguei a televisão onde o primeiro jornal passava notícias requentadas com o sorriso feliz e animadíssimo (?) da Monalisa.
Durmo novamente até às 6h e acordo quando o Jornal local está começando, também com notícias de ontem e algumas de dias atrás. Levantei-me e bati algumas fotos do amanhecer e percebo que nuvens pesadas impedem o sol de aparecer em toda a sua majestade.
Otávio vem me dar bom dia e insiste que já são horas de levantar, afinal com ou sem horário de verão, é preciso. E não é porque envelheci que vou ficar mandriona; palavras dele!
Dai que me levanto e vou para o laboratório doméstico de manipulação de produtos alimentícios, mais conhecido como Cozinha e coloco a cafeteira para funcionar enquanto me deleito com o cheiro que invade o ambiente ponho o leite na caneca que ganhei no último Natal, e gosto muito, e a coloco para esquentar no MW.
Enquanto isso acontece confiro a higiene da areia, o alimento e água do meu companheiro peludo, até porque levo grandes broncas quando deixo para depois. Tudo tem de estar sempre perfeito para o moçoilo.
Daí eu tomo de um pequeno copo de 100 ml coloco um dedo de água, derramo uma tampinha de vinagre de maçã e uma colherinha de bicarbonato. Deixo ferver e tomo de um só gole ainda em jejum. Quando comecei a tomar essa mistura eu li a lista de benefícios e posso afirmar que serve para quase tudo, limpar banheiro, geladeira, talheres e louças especiais, dá brilho nos cabelos e fortalece as unhas, só não serve para passar no sapato porque não é pomada, mas no tênis talvez...
Num outro copo, largo e baixo, coloco a metade de água e uma pastilha de vitamina C efervescente, zero açúcar, para dissolver e tomar depois do café com os outros comprimidos.
Uma fatia de pão de grãos, muitos grãos, que deve se destacar pela castanha, puro Selênio, que até onde sei é indispensável uma unidade diária para o equilíbrio emocional, e isso me interessa. Imagino que seja o que contém uma fatia de pão bem lambuzada de manteiga autêntica e de boa qualidade com sal, porque pão de centenas de grãos ninguém merece mas precisa.
No meu café com leite não vai açúcar e nem adoçante, mas agora vai uma colherinha de óleo de coco que dizem ser tão bom para tantas coisas que pelo consumo atual, os seres humanos da face da terra deveriam ser belíssimos e perfeitamente saudáveis sem que sofram sequer de unha encravada ou torcicolo, e por conta disso, dando sérios prejuízos aos laboratórios mais conceituados, pelo sim pelo não, achei melhor aderir. Também tomo uma vitamina D para garantir o esqueleto, já que o sol, ultimamente, por essas bandas, só em cápsulas e em “vidro” plástico azul noturno, que lembra o luar. Achei um tanto incoerente isso; embalagem e conteúdo... Sempre fico pensando o porquê disso.
O conteúdo de uma cápsula transparente e amarela diária de Ômega 3-6-9 me garante ser puro óleo de peixe, e me remete à infância quando era obrigada, e somente com dois me segurando para não fugir, a tomar uma colher de óleo de fígado de bacalhau autêntico da melhor qualidade, aquele que trazia no rótulo um homem vestido de terno carregando um bacalhau pendurado nas costas como se nada fosse.
E ainda se o que apregoavam sobre os seus poderes milagrosos realmente se realizassem até valeria a pena, mas olho ao meu redor e vejo pessoas da minha geração que eram “obrigadas” também a passar por isso em nome da boa saúde, e vejo que a maioria está tão velha e “feia”, assim como as que nunca tomaram... treta antiga.
Após o café confiro a lista de comprimidos na palma da mão e lá estão: o de pressão alta, o de angina pectoris, o de coração combalido ou para algum entrevero cardíaco, o de controle de glicemia, o de refluxo e mais à noite o de colesterol, além de algum desses. Tomo todos de uma vez com a Vitamina C diluída.
Daí eu chego à simples conclusão que a infeliz pessoa que inventou o termo “melhor idade” é um dono de Laboratório Farmacêutico que está cada vez mais rico.
Melhor idade para quem cara-pálida?

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Será Sereia?


                                 
                                       Será Sereia?
Amanheceu chovendo; como se isso, por essas bandas fosse novidade.
Algumas coisas nesta vida deveras me desestabilizam; a falta do sol, dias de chuva e as surpresas do Otávio.
E por falar nele, me dei conta do seu sumiço e imediatamente liguei o meu sensor que ficou piscando insistentemente em amarelo de alerta.
Logo pensei; alguma arte ele está aprontando, muito silêncio ao nosso redor nos avisa que ai vem “côsa”, fora que faz alguns dias que ele anda sumido. Sai ao amanhecer e só volta à noite, exausto, e nem quer conversa, não está para ninguém, se recolhe aos lençóis em silêncio e dorme até o despertador tocar no outro dia. E por falar no maldito despertador, agora ele colocou o som de uma buzina de navio zarpando para acordá-lo.
Daí ele se levanta, come rapidamente o desjejum sabor salmão e sai sem me dizer o que vai fazer.
Só que hoje, ao final da tarde, enquanto eu lia meu livro calmamente, ele me apareceu  todo ofegante, com os olhos maiores e mais amarelos do que nunca, assustadíssimo, correu para o quarto e se meteu debaixo das cobertas como de costume.
Dei um tempo e aguardei em silêncio me preparando psicologicamente para o que viria até que ressabiado ele voltou do quarto, deu umas voltas pela sala e se acomodou ao meu lado, já bem mais calmo.
Aguardei que me contasse o acontecido do dia, e o que segue é o que ouvi de sua própria boca:
Eu fiz um curso de salva mar, ou guarda-vidas, como queira, para trabalhar na praia, na temporada de verão; e a semana toda tivemos treinamento teórico e prático. Chegamos até a fazer salvamentos de verdade porque as pessoas vão para o mar como vão para a piscina ou para as banheiras de casa, sem cuidado nenhum e o pior é que nem sempre voltam para casa. Bem isso não é mais novidade para ninguém, muitos morrem no verão por imprudência. A novidade é que fomos para uma praia deserta, depois de uma trilha bem difícil, para treinamento de resgate em circunstâncias complicadas. Eu já havia participado de duas simulações ali e resolvi explorar um pouco mais o local me afastando na direção de um conjunto de pedras de vários tamanhos. Quando fui chegando comecei a ouvir sons, alguns melodiosos como cantos e risadas, conversas, coisas assim e fui me aproximando cada vez mais e o som se afastando e eu fui ficando curioso e continuei procurando pelas pessoas que não apareciam nunca. Quando me dei conta estava do outro lado da praia e havia me afastado muito dos colegas do treinamento então resolvi voltar, foi quando me deparei com duas sereias de carne, osso e escamas bem ali na minha frente, rindo e cantando para mim. Na verdade rindo do meu espanto. Desmaiei na hora e só me acordei no helicóptero de resgate a caminho do hospital onde fui diagnosticado como insolação. Ninguém acreditou em mim, sniff, sniff, sniff...
- Sereia... Sei... Hãhã...

Insolação é um perigo.

domingo, 11 de novembro de 2018

Indo e Vindo

                                    Indo e Vindo
Mês passado eu havia me programado para fazer uma viagem de dois dias, na última semana, pela Serra Catarinense; mais precisamente, Rio dos Cedros, Timbó e Pomerode. Comprei o pacote e aguardei pelo passeio até com certa ansiedade.
Na véspera, por conta das intensas chuvas, a Empresa de Turismo cancelou a viagem por medida de segurança, já que as estradas não ofereciam condições de trafego seguro, tanta era a água que caia que derretia literalmente os morros à beira das estradas, enquanto os rios subiam seus níveis cada vez mais rápido.
Pois bem, transferiram o passeio para os dias 9 e 10 de novembro esperando que as chuvas parassem, e quem disse que a chuva parou durante este tempo?
Nananinanão! Acho até que mandaram trazer mais água do Universo, de outro planeta, pois a água do planeta Terra estava (está) caindo toda em cima do Estado de Santa Catarina descia e subia no mesmo circuito. Não temos mais onde encontrar um lugar seco.
Para ter idéia, a guia do passeio nos informou que durante o mês de Outubro não choveu por apenas seis dias, e alternados! Isso não quer dizer que deu sol, aquele maravilhoso que a gente conhece e ama.
Durante todos estes dias sem chuva, não tivemos sol, no máximo algumas horas ou minutos. Muitos ficaram nublados, enfarruscados e sombrios o tempo todo. Affff...
Pois bem, voltemos ao passeio à caminho de Rio dos Cedros;
Embarcamos as 7h e depois de algumas horas viajando vagarosamente por medida de segurança, é claro, pelas estradas do interior e morro acima. Íamos em direção à Rio dos Cedros, num hotel nas montanhas, que fica à beira de um lago/represa.  
Finalmente chegamos; mas ainda para almoçar e já perto de três horas da tarde. Nem a empresa de turismo poderia prever tal coisa, eu acho.  Rio dos Cedros, assim se chama, por conta do caminho percorrido ter muitas árvores dessa qualidade na região e no percurso que ladeia o rio do mesmo nome. A paisagem é maravilhosa mesmo com chuva constante. Por todo o caminho se vê a mata nativa dividindo espaço com os rios sinuosos e cheios de pedras espumando de tanta violência por conta do volume de água.
As construções antigas, características, com seus jardins floridos, os animais  de tração e gado de corte, ovelhas, vão completando as paisagens bucólicas de estilo Europeu; aliais estivemos passeando pelo chamado Vale Europeu, onde a colonização Alemã e Italiana se instalaram mantendo as suas tradições. Carroças, ainda podem ser vistas pelos caminhos das propriedades rurais que ladeiam os rios. A região tem 23 Capelas e Igrejas além da Matriz que visitamos, simples e bonita com vitrais muito lindos.
E assim fomos subindo há mais de 1200 m de altitude, até chegar na região dos Lagos, quase divisa com o Paraná, há poucos quilômetros da cidade de Rio Negrinho-SC que faz divisa, onde nos hospedamos por uma noite num hotel rústico aconchegante e despojado porém elegante e delicadamente decorado com amor e romantismo. O lugar fica um pouco distante da estrada e é isolado do barulho de trafico. Fica entre pinheiros, araucárias e outras árvores grandes.                   Bom para repousar, ler, conversar e se recolher para meditação.      A comida é caseira tradicional e bem feita, com café Colonial a partir das 16h e  jantar as 20h. Tudo bom e agradável. Só não deu para aproveitar os espaços externos com lanchas de passeio, piscina, caminhadas etc.
Dia seguinte, no sábado, após o café, nos despedimos do lugar encantador e fizemos o caminho de volta, adivinhem????!! Embaixo de chuva torrencial sim, senhores e senhoras, brasileiros e brasileiras.
Retornamos até Timbó, no mesmo passo, devagar quase parando, Visitamos a casa de Lindolf Bell, o Poeta, aprendemos sua história e sua arte e andamos pela casa em que nasceu e viveu muitos anos  com sua família. Dai continuamos percorrendo Timbó com sua característica Alemã e chegamos ao Jardim Botânico onde almoçamos muito bem, num restaurante bem agradável. Entre um aguaceiro e outro conseguimos tirar uma foto do grupo, na ponte que atravessa o lago onde repousam Vitórias-Régias. Elas foram trazidas do Amazonas por um ilustre Botânico da cidade, cujo nome não me lembro agora. Porém elas atrofiaram ao se adaptarem e ficaram bem pequenas, o que não lhes tirou a beleza. Estavam com algumas flores das espécie, cor de rosa e vermelhas.
Dali voltamos à estrada, todos rindo para não chorarmos, pois a chuva só foi intensificando a cada metro percorrido. Passamos pelo centro de Timbó, pela frente do Museu do imigrante, que já conheço de outros passeios, cuja curiosidade na frente do mesmo é um arbusto de nome Timbé, que os índios, nativos daquela região, maceravam e jogavam no rio para os peixes comerem e eles pegarem. A planta tem propriedades narcóticas e deixavam os peixes sem ação facilitando a pesca com as mãos.
Do nome Timbé por ter muito daquelas plantas na região, passaram a chamar a cidade de Timbó. Pouco mais à frente uma ponte estreita, pênsil, estaiada, atravessa o Rio Benedito. Na região acontecem eventos musicais. A cidade faz parte de um circuito ciclístico e é referência pelos amantes do esporte. Há um monumento aos heróis e um Bar muito concorrido. Mais adiante fica a Prefeitura e a Câmara dos vereadores.
Continuamos a viagem de retorno (com chuva) em direção à Pomerode e paramos numa Padaria/Confeitaria de pães maravilhosos, muito boa. Haja comida para consolar os viajantes da água.
Também já passei por Pomerode outras vezes, porém por outro caminho e outra Confeitaria que fica mais ao Centro, também muito boa.
A cidade produz vários eventos durante o ano inclusive a Festa Pomerana onde as famílias desfilam em seus trajes típicos com suas Charretes enfeitadas de flores, carroças, carros de boi, tratores e ferramentas de trabalho rural, tudo enfeitado de muitas flores e vão distribuindo alegremente Chope que transportam em barris pela cidade. Tudo com muita alegria e com suas bandas e musicas típicas. Bonita festa que já apreciei numa outra viagem COM SOL!
Nessas alturas tirar um sorriso de alguém da caravana estava difícil. A viagem estava terminando, quase em casa, e não havia feito uma nesga de sol para animar.
E o pior é que ninguém conseguiu me mostrar um pé de Cedro, uma árvore tão famosa na construção de móveis e casas. As pessoas que a conheciam apontavam para a massa densa verde de mil tons e diziam é "aquela". Alguém me mostrou uma no Google (!!!) de tanto que eu perguntava pela famosa que deu nome ao passeio e voltei sem a conhecer pessoalmente.
Talvez a Praça XV tenha para eu a conhecer e me apresentar ...
Hoje finalmente acordei hoje com uma luz intensa, estranha e esquisita a me iluminar... até fiquei com medo.
Me reportei ao primeiro dia quando sai das cavernas nos primórdios dos tempos, na idade da pedra... ;)
Era o sol esse fujão!
Bom domingo...


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Alto Escalão


                                        Alto Escalão
Acordei bem cedo e fiquei por uns momentos ouvindo enternecida os passarinhos cantarem nas árvores do Condomínio onde moramos.
Fiquei embaixo do edredom cheia de preguiça dando um tempo para me encorajar e começar meu dia. Um pouco mais atenta aos rumores do amanhecer percebi o cantarolar baixinho do Otávio e de água de chuveiro escorrendo. Ele estava feliz, ao mesmo tempo que isso era bom, também podia não ser...
Imediatamente liguei minhas antenas e radares, ajustei a sintonia para o modo "paciência" e me levantei. Cruzamos no corredor, em silêncio trocamos olhares e ele me fez o gesto clássico dos anos sessenta; Paz e Amor com os dois dedos, indicador e médio, entreabertos e para cima.
Enquanto a água escorria pelo meu corpo reforcei as minhas orações e liguei o botão de alerta no modo "piscando" em pulso lento para crescente. Sentia alguma coisa no ar, o famoso sexto sentido, que temos e nem sempre damos atenção.
Mais tarde, enquanto tomava meu café e lia meu jornal a campainha estridente do telefone me assustou e um banho de adrenalina se espalhou pelo meu corpo me fazendo derramar o líquido precioso que me mantém ligada, o meu café. Neste momento o alarme do meu sismógrafo particular me avisou da possibilidade de um terremoto à caminho. Ajustei as orelhas para o modo atenção máxima e fiquei ouvindo a parte de cá da conversa enquanto pensava em quem poderia estar ligando para ele à esta hora, para a criatura peluda que mora comigo, sobrinho do último Xá da Pérsia, mais conhecido como Otávio; Quem poderia ser?
Infelizmente como só ouvia o lado de cá fiquei curiosíssima, pois ele só respondia: "não, claro que não, impossível, sem condições, tenho outros compromissos agendados, concordo que seja para poucos, mas vou declinar, avise que fica para uma próxima... obrigada... veja bem... avise que não adianta insistir... e nem enviar o convite pessoalmente por mensageiro tão digno que não estou interessado. Obrigado, passar bem..."  
Em seguida desligou e me olhou com aqueles olhos amarelos impassíveis e em silêncio por alguns segundos. E sem nada a comentar se dirigiu para o quarto e sem cerimônia se refestelou entre as almofadas preferidas.
É claro que fui saber do que tratava tão misterioso telefonema, e sabe o que me disse com aquele olhar entediado que lhe é peculiar?
Entre um bocejo e outro ele me informou que era um assessor da Presidência o convidando para assumir um Ministério! -Mas nem quis saber qual era, não aceitei. Com certeza haverá muito trabalho pela frente e teria que me mudar imediatamente para Brasília e  só de pensar já fiquei estressado e por demais cansado, e por isso vou até me recolher e não estarei para ninguém, nem mesmo para aquele que disseram que iriam enviar para me convencer... o que nasceu em Maringá, moreno, jovem ainda, aquele que foi escolhido primeiro... O cara do telefone até me disse que ele com certeza me convenceria a fazer parte da Nova Era Brasil, mas fique ligada; eu não estarei para ninguém, nem para o Papa.
Dito isto, se acomodou e dormiu imediatamente, e eu voltei para o meu café e ao jornal molhado...

É mole conviver com essa criatura peluda?



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A Viagem do Otávio


                                   A Viagem do Otávio
Acordei com um barulho estranho, um resmungo indefinido, um sussurro que mesmo abrindo a orelha ao máximo e fazendo dilatar até onde deu meu canal auditivo, o som não chegava limpo e claro ao tímpano; o som daquele diálogo sussurrado na cozinha.
Deixei para lá e imaginei um rádio mal sintonizado num programa qualquer de entrevistas, onde havia conversa entre os locutores e convidados; só poderia ser isso, mas em se tratando do morador que coabita comigo tudo pode acontecer.
Levantei e fui para o chuveiro para começar meu dia. Enquanto tomava o banho senti o cheiro de café fresco entrando pela fresta da porta o que me encheu da alegria, que só sabem do que falo os fissurados em café, quando esse cheiro entra pelas narinas sem pedir licença tudo passa a ser diferente ao nosso redor...
Apressei o banho e logo estava na cozinha diante do Otávio que gentilmente havia feito o café e até arrumou a mesa direitinho.
Já estranhei a coisa. Quando um preguiçoso de carteirinha faz certas coisas, como agrados espontaneamente, é porque vem confusão pela frente. Ai vem "côsa".
Respirei fundo e me preparei para pensar depois de tomar meu café descansada. Antes não dá; sem condições.
Agradeci a gentileza e me acomodei enquanto ele saía rápido da cozinha se embrenhando no quarto e provavelmente se enfiado literalmente entre os lençóis.
Os meus neurônios entraram em alerta vermelho na hora: aí tem, a se tem!
Continuei impávida tomando o meu café que já havia perdido o gosto e o cheiro, como toma Chá a realeza britânica, com elegância e aparente indiferença.
Terminei, arrumei tudo, já que não gosto de bagunça, e fui ler meu jornal sentada confortavelmente na minha poltrona de leitura, mas os neurônios já haviam ligado a sirene de alarme geral e achei melhor perguntar o que estava acontecendo no reino do sobrinho do Xá da Pérsia.
Respirei fundo e fui!
Daí ele me contou como se tivesse contando favas, na maior singeleza, com o seu olhar amarelo vagueando aqui e ali, que ele havia feito uma viagem àquela noite e que na realidade havia ficado 10 anos fora de casa...
Saí do quarto batendo a porta atrás de mim e fui ler meu jornal de volta na sala.
Só que minha cabeça nessas alturas, apitava e zunia como um alarme de guerra. E quem disse que eu conseguiria ler ou fazer alguma coisa sem saber dessa história?
Voltei ao quarto dele e o encontrei entre os lençóis dormindo candidamente e até já ressonava... Ah mas isso não ficaria assim;
puxei a coberta despertando a criatura olhuda e fiz com que me contasse o acontecido.
- Sabe quando você levantou e foi para o chuveiro?  Àquela hora o meu amigo Zogg, um extraterrestre, ainda estava aqui na cozinha tomando café comigo, até levou uma garrafa térmica para a nave, para que os outros pudessem saborear essa nossa iguaria.
- Sei... e...
- Pois é, nesta madrugada eu acordei com um clarão na janela e logo em seguida me deparei com um ET dentro do meu quarto. Por algum mistério que ainda não decifrei, eu conversava na minha língua e ele na dele e a gente se entendia numa linguagem só...
- Ele era verde, ou era como aquele de Varginha, feio pra dedéu?
- Não vou contar mais nada, você não me leva à sério...
Ameaçou voltar para baixo do lençol, mas não deixei, queria ouvir tudo.
- Pois ele me convidou para conhecer o planeta dele e eu fui; entrei na nave de cor cobre bem escura, cheia de luzes espelhadas, sabe bolas de espelho que refletem luzes? Essa ai, era assim a nave dos meus amigos extraterrestres. Ele pilotava juntamente com mais dois companheiros de viagem.  E Assim lá fui eu com eles. Logo que saímos fora da atmosfera e da nossa galáxia, o tempo parou e fiquei dez dias no planeta Rebimbó, enquanto que o nosso passava apenas algumas poucas horas na trajetória ao redor do sol. Assim fui conhecendo tudo por lá... Você não está acreditando em mim né?
Achei melhor tomar um comprimido marrom para dor de cabeça e voltar a ler meu jornal molhado de café...
Bom dia para quem pode... ;)