domingo, 21 de maio de 2017

Em tempos de Gripes e Resfriados..

                                             Em Tempos de Gripes e Resfriados
Todo ano, mais especificamente no mês de Abril, começa a campanha de vacinação nos velhos.
Como no início de todas há uma resistência do pessoal da "melhor idade", os "entendidos" vêm a público dizer que a vacina não é feita com vírus vivos e sim com vírus mortos extremamente falecidos.
Assim, todos os anos eu me vacino na primeira semana da Campanha, pois tenho por hábito acreditar nas pessoas até que me provem o contrário, e vou lá obedientemente e me posiciono para o ataque da sorridente profissional que não entendo porque prefere a minha parte traseira inferior à lateral superior.
Feito isso, saio feliz pensando; pronto; estou imunizada de gripe para mais um ano. SQN.         Ledo engano, passam-se três dias e todos os vírus ressuscitam em corpo&alma e tomam posse do meu corpo de setenta e alguns meses que já está de saco cheio desse carnaval anual. 
Talvez tenha conseguido só no terceiro ano passar sem o desconforto e nunca mais.
Indignada resolvi saber diretamente com os invasores o porque dessa farra, mas sem me darem nenhuma importância apenas me enviaram um vídeo de forma anônima para não se comprometerem que explica tudo, como funciona a coisa.

Na assembléia anual de Vírus e Bactérias a discussão era febril e generalizada, tanto que a Bactéria mais antiga, mais radical e resistente é que presidia os trabalhos e precisou tocar a sinetinha de quinze em quinze minutos de forma homeopática para dominar a sessão e serenar os ânimos.
A falação transcorria de forma febril, convulsionada e cada vez mais acalorada e intensa. 
Cada um querendo defender suas posições, principalmente os modificados e as transgênicos que estendiam relatórios enormes de sucessos em todo o mundo.
O Vírus da Vaca-louca estava em surto literal e estendia um cronograma de ataque em massa para as próximas horas...
Alguns preferiam ir direto aos brônquios, enquanto outros se espalhariam pelos pulmões.
Um outro grupo menos comum, mas não menos importante (eles se achavam) ia direto ao trato digestivo e intestinal alegando a vertigem de escorregar como um tobogã entrando e saindo do "ambiente" muitas vezes enquanto se divertiam...
Outro grupo mais chegado à belicosidade escolheu a parte da articulação preferindo um ambiente mais hostil e de atrito constante assim fariam doer o corpo inteiro sem dó e nem piedade.
Mas a cúpula mesmo, a dos encarregados da Assembléia que era composta em sua maioria de vírus e bactérias internacionais e se achavam superiores por isso, iam direto para o sangue, o sistema linfático, para deixar o cliente acabado causando febre e suores frios. 
Ficavam ali alojados no Baço jogando cartas com os Glóbulos Brancos para ver quem era mais forte e o mais inteligente para dominar a situação. 
Já entravam com tudo, jogavam sujo se precisassem e geralmente atacavam pelos flancos para enfraquecer mesmo.
Um horror!
Os que preferiram tomar o cérebro e causar dores de cabeça intensas dividiriam as atividades com os que preferiam tomar a garganta, a laringe e os ouvidos.
Assim dentro da estratégia, logo que invadissem, os corpos estariam sob o domínio deles em poucos minutos, sem falar que os vírus mortos das vacinas serias reanimados e voltariam a servir em pouco tempo.

Batendo vigorosamente na mesa requerendo a atenção de todos a Bactéria-Mor agradeceu à presença em massa e a boa vontade e empenho de todos. Agradeceu às Farmácias e Laboratórios pelo patrocínio e completaria lembrando que estes trabalhos faziam parte dos planos presidenciais e políticos de dizimar os velhos que só faziam peso e consumiam boa parte do dinheiro arrecadado para aposentadorias.                
Quanto menos aposentados para receber esse dinheiro mais desviariam para outros interesses.
Em seguida todos aplaudiram e o vídeo se encerra aqui...

Coff...coff...coff...



domingo, 23 de abril de 2017

O Dia do Cisne

                                                          O Dia do Cisne
Hoje quando acordei as 5 horas da manhã dei de cara com Otávio pronto e paramentado aos pés da minha cama com cara de poucos amigos.
Antes que eu lhe desejasse bom dia ele me lembrou aos gritos que conforme o combinado há vários dias, hoje nesse horário já era para estarmos à caminho da Lagoa.
É que esta semana ele cismou e comprou um cisne-pedalinho para pedalar nas águas mansas da musa da nossa ilha.
Claro que ao som de uma trombeta dessas pulei da cama correndo e fui despindo o meu pijama personalizado de Mulher-Maravilha em direção ao chuveiro para acabar de acordar.
Ao atravessar a sala em direção à cozinha para ligar a cafeteira vi que Otávio esfregava vigorosamente a pomada para dores musculares nas pernas enquanto mastigava uma banana para evitar as câimbras, prevenindo o exercício de hoje que seria pesado.
Da sala, aos gritos, ele parecendo um sargento em quartel continuava a me dar ordens e quem sou eu para não obedecer...

Reclamava a todo momento a minha demora, mas como eu não sou ninguém enquanto não tomo meu café e nem começo o meu dia sem a dose de cafeína continuei na minha.
E ele continuou falando; "que café é esse que não acaba nunca, até parece o café da manhã do Palácio da Alvorada?!"
Foi ai que ele parou arregalou mais ainda os olhos amarelos e se deu conta de que o lugar mais adequado para o café da manhã é justamente o Palácio da Alvorada pelo seu nome, entendeu?
E continuou filosofando enquanto eu tomava o meu café acordando lentamente.
"Com certeza o Palácio da Alvorada serve um café daqueles completos sem faltar os biscoitinhos "velhinha ajoelhada" também conhecido como "joelhinhos", muitos sonhos de todos os tamanhos e muitas frutas como bananas e abacaxis, tudo regado à chá de camomila para acalmar os aflitos", hahahaha riu sozinho e continuou no seu delírio.
Depois de muita falação e filologia, muito trabalho para colocar e transportar o enorme cisne (o bicho é enorme) na carroceria da caminhonete, procurando esquecer do cansaço saímos pela estrada a fora...
As 10 horas da manhã e mais um pouco conseguimos finalmente deitar a ave na água. Nessas alturas a platéia só aumentava no pequeno trapiche.
O Cisne parecia que ia levantar vôo tanto que se sacudia para se nivelar na água ondulada, sem falar nos barulhos estranhos que fazia por baixo com o atrito da água na estrutura de fibra sintética.
O Cisne impávido com olhar de "tô nem aí" sacudia na leve marola.
Otávio, nosso marinheiro  de travessias transatlânticas, de colete salva vidas de cor laranja e quepe de comandante, muito imponente e visivelmente emocionado finalmente adentrou à embarcação aquática com certa desenvoltura para a viagem inaugural.
Após umas quatro pedaladas para as manobras de desatracação ele estancou e gritando para mim acomodada ao seu lado; querendo saber onde eu havia largado a sua mochila, no que respondi que se a mochila não era minha não podia estar comigo.
Ele apenas me olhou de maneira fulminante que nem pisquei e desci tão atrapalhada da ave aquática artificial que quase mergulhei nas águas, isso só não aconteceu porque fui ajudada por algumas pessoas que apreciavam o desenrolar dos acontecimentos e sai correndo até a caminhonete pegando a mochila esquecida e reclamada pelo nosso comandante.
Ao voltar toda esbaforida reclamei do peso e até falei que depois desse dia não precisaria mais fazer exercício e musculação durante toda a semana.
Ele nem ligou para a minha reclamação e por um momento magoei...
Rapidamente abriu a mochila e retirou um Champanhe Dom Perignon 1953 e rapidamente sem dó e nem piedade deu "nos cornos" do belo cisne com cara de "não tô nem aí" e  decapitou a ave para espanto de todos os presentes que estavam extasiados com a novidade. Uma senhora chegou a cogitar de denunciar aos "Direitos e proteção dos animais", sendo lembrada pelo marido que aquilo era uma arremedo de ave, que nem botava ovo.
Não resisti e falei indignada como ele havia comprado um artigo tão inferior que não resistia nem a uma inauguração condizente com o momento?!
Mas ele foi logo explicando a mim e aos presentes que havia comprado a ave de segunda mão pela internet diretamente do proprietário de um Sitio em Atibaia. Ele me garantiu que tinha poucas pedaladas de uso. O dono queria até vender mais um que fazia par com este, mas como eu não quis ele me presenteou com o Champanhe para eu não desistir da compra.
Olhei para o relógio que já passava das 13 horas olhei para Otávio que cabisbaixo carregava nas costas a mochila e caminhava na direção da caminhonete.
Entrou em casa arrasado. Recolheu-se aos seus aposentos se meteu entre os lençóis me avisando que não estaria para ninguém até o próximo feriado. Nem para o dono do Sitio em Atibaia que prometeu ressarcir o prejuízo...

domingo, 16 de abril de 2017

O Vazio

                                                   O Vazio
O que escrever quando um vazio profundo faz eco no peito?
Quando a gente grita para o escuro interior e ele só faz aumentar o silêncio ao redor assegurando que estamos sós na multidão de ausências.
Subimos no mais alto espaço íngreme e gritamos para as estrelas que nos olham lacrimejantes e silenciam o sublime hino que cantam durante toda a noite fria enquanto a lua as ignora se escondendo atrás da montanha.
Guardo minha dor e desço para a beira do mar que suavemente se aproxima em pequenas saias de espuma.
Faço a mesma e pergunta:
-Tem alguém ai?
Por um momento o mar pára, talvez de susto, talvez por ter sido pego de surpresa e me responde:
- Depende...
- Depende?! Como assim, o que quer dizer com isso?
- Em princípio nunca estamos sós, somos uma plêiade de vidas experienciando viveres numa esfera azul que vaga em círculos ao redor de uma pequena estrela amarela que também se desloca pelo universo entre outros astros semelhantes...
-Não; estou falando de pessoas, seres humanos... estou só não dá para ver?
-Sim, pode ser, parece, sei lá...
- Estou indo e vindo, já procurei por todos os lugares e não vejo ninguém... todos foram embora... só ouço o vento e o teu marulhar entre as pedras.
- Sinto muito, como não posso sair daqui não posso te ajudar...
Snff....sniff... :(


domingo, 9 de abril de 2017

Triste Estatística de hoje em dia


                                              Triste Estatística de Hoje em Dia...
Amanheceu chovendo, mas assim que São Pedro deu uma trégua Otávio não quis nem saber, saiu para fazer os 20 km de corrida pela orla marítima como faz todos os dias desde os doze anos. Calçou os dois pares de tênis importado, vestiu a camisa amarela e saiu por ai.
Estava eu ainda esticando os lençóis e ouço a chave na porta, era ele que entrava indignado, injuriado, pois havia sido assaltado bem na esquina e levaram os tênis dele.
Ficou com tanta raiva da situação do País que não dá segurança a ninguém mais, que antes que eu me desse conta da real situação da vítima peluda ele se enfiou de volta entre os lençóis e me avisou com a voz embargada pelas lágrimas que não estaria para ninguém, nem para o delegado de plantão que prometeu pelo telefone encontrar seus tênis e devolver pessoalmente com as "consoladoras" palavras de que ele havia tido sorte de não levar uma bala ou uma facada. 
Tristes tempos modernos.
E foi assim que Otávio teve a triste experiência de passar a fazer parte das estatísticas da delegacia de Polícia.

Pois é; humor negro no domingo de Ramos ninguém merece, mas não podemos perder a fé e a Esperança de dias melhores e para isso precisamos manter Jesus Cristo vivo em nós todos os dias.
Aleluia!!!


quinta-feira, 30 de março de 2017

Qual é a de Deus?


                              Qual é a de Deus?
Muitas coisas na vida me fazem pensar.
Coisas que ouço em vídeos de palestras ou leio em toda parte e muitas ouço das pessoas ao vivo e em cores.
Agora a pouco me lembrava de um vídeo que falava das forças sexuais, onde falava que o sexo foi feito para a procriação e que nós mulheres nos resguardamos da gravidez para apenas usufruir do prazer, como assim, "nós mulheres"? E eles?
Daí que fiquei pensando aqui com meu zíper, que Deus ou o Universo, ou sei lá o que nos comanda, ou que nome tenha, nos botou numa armadilha.                                     Sim numa armadilha!
Ele deve ter muito senso de humor e deve ficar nos assistindo de longe, provavelmente às gargalhadas ao nos ver em apuros.
Tudo que há de bonito e bom no mundo, em nossa vida, tem cheiro bom, gosto bom e sensação boa, mas nada nos convém, senão muito parcimoniosamente.
Poderemos tudo, mas de forma frugal e quase imperceptível sob pena de sermos “castigados” pelas consequências, não por Ele! Que fique bem claro isso, ou seja: pela alergia ao perfume das flores ou de odores diversos. 
Alimentos por mais gostosos que sejam, por exemplo; também podem nos engordar, atacar o fígado, o estômago, ter diabetes ou pressão alta por conta do que comemos. E sexo então nem se fala; pois podemos nos contaminar, ter doenças de todo tipo ou gravidez indesejada.
Daí eu me pergunto: qual é a de Deus?

Gente, escrevi isso tudo, só para ver como nos deixamos levar pelos nossos instintos primitivos.
Imagino que ficaram agoniados e aflitos; 
"Como ela ousa falar assim com Deus ou Dele"?
É que assim como nós quando assistimos uma criança dizendo impropérios e insanidades, apenas rimos da "santa ignorância", Ele também apenas ri de mim, das minhas bobagens sem maldade.

Voltando e falando sério agora:
Falamos em melhora espiritual, evolução, mas não queremos abrir mão das sensações e dos prazeres do corpo. Sentimos tudo isso sim, mas precisamos ir aprendendo a usar com inteligência sublimando sem violentar-nos, pois tudo deve acontecer devagar, gradativamente, de verdade,  de forma consciente.
Deus sabe das nossas limitações, acho até que nos deu os sentimentos e as percepções sensoriais como o olfato, o tato, o paladar, a visão, o prazer de comer, de fazer sexo para ficar mais agradável a nossa caminhada evolutiva aqui na terra. Somos como os bebês que ainda levam à boca tudo o que pegam para despertar as sensações, o prazer e o desprazer.
Como vamos sublimar estas sensações se não a conhecermos?
Só tem valor o bem que fazemos quando decidimos não fazer mais aquilo que nos leva ao engano. "Se teu olho é causa de escândalo, arrancai-o e lançai-o ao fogo", já nos disse Jesus. Podemos ir nos abstendo sim, dos excessos, de coisas e prazeres que nos levam à promiscuidade e a situações menos sadias ou saudáveis aos poucos, mas com determinação e consciência, pois nada nos é proibido, mas nem tudo nos convém.
E chegará um momento que tudo isso ficará para trás na gaveta das experiências desnecessárias e por não precisarmos mais sentir os prazeres da matéria transformaremos nossas ações em atitudes de Amor, sublimando nossos sentimento em Amor Maior.
Aos poucos vamos nos sentindo despojados dessas necessidades do corpo relevando para as alturas nosso espírito, ainda como alma reencarnada.                       Como aquele que até fere o corpo para salvar uma vida, atender o semelhante numa necessidade, numa situação difícil e de risco se machuca, se mutila, morre no fogo ou na água para salvar o seu irmão em apuros por acreditar que este é o seu dever.   Quando conseguirmos nos despojar dos "prazeres da carne" para sublimar e transformar nossos atos em Amor, ai sim, teremos dado um pequeno passo para adiante à caminho da evolução.

Mas até lá a pergunta que não quer calar...


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Segunda feira de Carnaval

                                                    Segunda feira de Carnaval
Acordei pela manhã bem cedo, quando o sol enviou pela janela seus primeiros raios fazendo refletir o brilho das lantejoulas da minha fantasia que descansava sobre a cadeira.
Aos meus pés ronronando refestelado, Otávio soprava uns confetes sobreviventes da folia que teimavam e pairar sobre o seu nariz.
Arrastei meus chinelos de tigresa que combinam perfeitamente com o Baby doll da mesma estampa e me dirigi para ligar a cafeteira que me aguardava pronta desde a noite passada. Voltei para o quarto e Otávio continuava ronronando só que agora se espreguiçava inteiro como os gatos fazem gostosamente.
Entrei no Chuveiro e ia cantarolar "o teu cabelo não nega" mas me lembrei que agora é ofensivo cantar certas modinhas, me lembrei da "cabeleira do Zezé" e também desisti por que vai que o vizinho ouve e pensa que é provocação com ele, que é careca de pai e mãe!?
Dai entre uma ensaboada e outra me lembrei de cantar "Maria sapatão", ai mesmo foi que enchi a boca de água do chuveiro pensando; "deusmelivre" mexer em abelheiro logo cedo.
Resolvi então cantar Roberto Carlos e a música do Chuveiro, aquela que "o sabonete rola por teu corpo inteiro", dai acabei o banho que a água anda cara e rara para usar com tanta "Performance".
Vesti um abadá de outros carnavais botei um short esfiapado e um chapéu de palha e voltei à cozinha. Depois de um café, um suco, um pãozinho, meio papaia, granola, tapiocas doce e salgadas, um pedaço de pão de ló, uma fatia de queijo minas e "mais umas coisinhas" sai para a minha caminhada. 
Fui sozinha; o Otávio se negou a sair dos lençóis, pois havia pulado carnaval a noite toda e até me avisou que hoje não estaria para ninguém,  nem pro prefeito, nem para o governador e muito menos para a Faye Dunaway que nem sabe ler mais o que está escrito no papel e "causou" no Oscar. Aff...
Sai caminhando para voltar logo, antes que o sol descolasse a minha pele toda, e ainda lá na orla dei de cara com ninguém menos que Casey Affleck!!! 
Sim eu também fiquei pasma, mas ele nem parou só abanou a mão e continuou a corrida. 
Eu ainda dei parabéns pelo Oscar de melhor ator e ele abanou de volta, provavelmente para não ter de explicar mais uma vez o contratempo na entrega dos prêmios. Mas foi melhor assim a fama dele é de abusador...
Claro que voltei para casa em seguida, pois o sol já estava me fazendo mal pra cabeça.
Cheguei exausta, mas encontrei sobre a mesa um suco de laranja, acerola e gengibre com folhinhas de hortelã que em boa hora veio me refrescar e descansar.
Otávio já havia levantado e bordava lantejoulas com ar entediado... mas é sempre um cavalheiro...
Boa semana de Carnaval e modorra...

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Saudade de Sentir Saudade


                                               Saudade de Sentir Saudade...
Hoje acordei com vontade de falar de saudade, não aquela dolorida, mas aquela de todos os tempos, aquela que nos remete à casa da nossa avó, ao cheiro de pão ou bolo saindo do forno, do picolé comprado na venda lá na esquina com a moedinha que ganhamos, do vestido novo, do sapato de verniz, com meia branca, que escorregava e acabou causando um tombo e o joelho ralado, de cantar na escola o Hino Nacional com a mão no peito, da prova em papel almaço e caneta (?), do lanche com doce (Mussi de banana ou goiaba), da volta para casa com os pés mergulhados na enxurrada do fim de tarde, do cheiro de sabão da gaveta da cozinha... Nossa!!!  Quantas lembranças de infância...
Mais à frente  a saudade das crianças voltando da escola feito andorinhas inquietas querendo todas contar as novidades ao mesmo tempo.
Saudade do cheiro de neném em casa, de ouvir o piano da vizinha tocando, da chuva no telhado e da gritaria feliz dos filhos jogando futebol na rua com os vizinhos embaixo do aguaceiro de verão.
Saudade do entra e sai de amigos e dos amigos dos filhos. Das risadas e das reclamações reivindicatórias de saídas e ou chegadas fora do combinado.
Saudades das  conversas que tínhamos durante as refeições e que geravam muitas polêmicas que eram resolvidas e comprovadas nos livros que viviam espalhados pela casa. Todos liam de tudo. Um dicionário fazia parte dos apetrechos de cozinha para tirar dúvidas. Muita saudade desse tempo.
Saudades dos muitos cachorros e tantos bichinhos que passaram pela nossa vida. Cada um com sua história assim como temos as nossas.
Saudades dos vizinhos amigos e dos amigos vizinhos. Lembranças boas de momentos únicos onde dividimos  algumas lágrimas e  muitas alegrias.
Saudade do tempo em que eu arrumava tempo para ajudar quem precisasse independente de tudo o que havia por fazer. Fazia de coração e ainda faço quando a oportunidade aparece só para ver novamente o sorriso voltar ao rosto triste e aflito. É uma sensação única.
Sinto saudade do tempo em que problema não era problema porque com fé em Deus sempre dei jeito e encontrei solução.
Saudade de ter saudade, pois o trem já vai perdendo a velocidade, chegando no fim da linha e a paisagem vai ficando escassa e nebulosa, os sons vão diminuindo aos nossos ouvidos e não demora o apito vai soar avisando a chegada da estação final. Vamos dar uma última olhada para o caminho percorrido e com um último suspiro chegaremos à conclusão que valeu a pena, valeu muito à pena toda a estrada e estações percorridas.


Bom domingo!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Domingo de Chuva

                                     Domingo de chuva.
E o domingo amanheceu chovendo, o que fazer no dia de hoje?
Era a dúvida de Agripino para aquele dia. Ir ao cinema? Passear no Shopping, comprar um livro novo já que o dessa semana acabou na sexta-feira, andar na chuva até molhar os ossos, sentido as bochechas geladas?
Pois é; as opções não são muito interessantes para quem trabalha como um camelo a semana toda, é solteiro e "já passou do meio dia". Fazer o quê para se distrair? Ir ao Shopping comprar outro livro e ir ao cinema era a opção do dia e de todas as semanas.
Lembrou de ligar para a amiga de trabalho, também solteira e também na mesma faixa de idade, a Adalgisa, mas lembrou que ela se comprometeu com a irmã de ficar com os sobrinhos para o casal viajar mais sossegado.
Parou na frente do espelho, molhou os dedos indicadores na língua e passou nas sobrancelhas que vivia arrumando e alisando e de um tempo para cá costumava arrancar os fios que nasciam fora do lugar. Parou para observar melhor e chegou a conclusão que de tanto arrancar estava com as sobrancelhas finas como as de boneca, apenas uns poucos fiapos.
Como não reparou que tirou fios demais, e agora?
Foi até a gaveta do banheiro e retirou um lápis preto que havia ganho de brinde quando comprou a pinça. -Acho que eles dão o lápis de brinde porque já sabem no que vai dar esse negócio de arrancar fios todos os dias.-
Voltou para o espelho mais uma vez e fez um risco perfeito, engrossando um pouco mais como convinha a um homem sério, assim ele pensava.
Dai foi fazer o outro risco mas não dava certo, saia torto, a sobrancelha da direita era torta por natureza. Então, deixou assim mesmo, uma apontava para cima e outra fazia o tipo acento circunflexo.- o que fazer ó Zeus!!!!-
Resolveu pentear uma franja aproveitando que o cabelo estava crescido no alto. No fundo andava pensando em amarrar os cabelos no alto da cabeça, num rabicho com andavam usando os modelos de revistas e os artistas da televisão, parecia os lutadores de sumô, mas o dele ainda não dava, estava curto ainda, mas dava uma boa franja.
Assim penteou tudo para frente para esconder as sobrancelhas e colocou por cima um par de óculos escuros de aros bem grandes. Como estava frio, vestiu um sobretudo e saiu para pegar um cineminha.
Quando chegou à rua uma ventania estava acontecendo e lá se foi o cabelo para cima descobrindo as sobrancelhas e os óculos ficaram respingados de garoa, assim teve que retirar e ficar segurando o cabelo com as mãos. Ainda bem que não trouxe o guarda-chuva, pensou. Não teria mãos para segurá-lo.
Entrou no metrô e percorreu os corredores de cabeça baixa e entrou na leva de passageiros e ficou de frente para a porta não querendo ser observado. Desceu na estação perto do Shopping e segurando a franja na testa se dirigiu para lá.
Subiu de elevador de costas para todos os demais que subiam com ele e virado para a parede foi até o último andar, o dos cinemas. quando a porta se abriu ele saiu feito uma flecha na direção do cinema. Comprou a entrada, ainda segurando a franja diante da bilheteira impassível, mas que ele era capaz de jurar que ela segurava o sorriso de deboche para a situação constrangedora dele.
Felizmente a sessão começou em seguida apagando todas as luzes. O filme contava a história de um cara não muito certo da cabeça, que roubava madeixas de cabelo e ele não gostou do que viu e voltou para casa muito arreliado. Pegou o Note book e escreveu para a empresa que não iria trabalhar por um motivo muito forte e especial, se quisessem descontar os dias que o fizessem, se quisessem despedi-lo que o fizessem mas o fato é que ele não iria trabalhar tão cedo. Na verdade  ele nem sabia mesmo quando poderia voltar ao trabalho, só quando as sobrancelhas crescessem e voltassem ao normal.
Abriu a pagina do tira-dúvidas e procurou tirar aquela que lhe causava aflição e leu desolado que, se a pessoa for jovem o pêlo demora uns 20 dias para aparecer, se for mais velha a pessoa, o caso dele, e se ao arrancar danificou o bulbo do pêlo, nunca mais nascerá.
Agripino se jogou desconsolado na cama e depois de alguns dias, durante a noite e de chapéu enterrado na cabeça mudou de cidade. Viveu mais de ano escondido só saindo a noite e todo disfarçado. Deixou os poucos e ralos cabelos crescerem, a barba praticamente ele não tinha mesmo e ficou um "barba-rala" que vivia infeliz no quartinho de pensão até o dia em que durante o jantar onde morava, depois de tomar um vinho barato, angustiado por demais se abriu para um outro morador da pensão. Conversa vai, conversa vem ele conseguiu contar para o homem a sua aflição, a sua vergonha; o caso das suas sobrancelhas.
O amigo então o convidou a ir até o seu quarto e sentou-o numa cadeira. Retirou do bolso uma navalha e enquanto Agripino dormitava de porre todo esparramado, o amigo lhe raspou as "maledetas" sobrancelhas com a perícia do barbeiro que era.
Quando acordou, Agripino estava com uma horrível dor de cabeça causada pela qualidade do vinho e foi direto para o chuveiro e só depois se olhou no espelho levando um grande susto.
Correu ao quarto do amigo que ainda dormia ao sabor do vinho também e sacudindo-o até acordá-lo e lhe perguntou o que ele havia feito?
- Como assim, o que eu fiz, não está vendo? Sumi com o seu problema. Ele não existe mais. Ninguém vai rir do que você não tem e agora me deixe dormir que hoje é minha folga.
Agripino voltou desolado para o seu quarto e examinado bem o que ele havia considerado um estrago completo. Penteou, puxou e amarrou o cabelo à moda Sumô e gostou do que viu no espelho. Saiu à rua todo fagueiro pensando;
Se tivesse conhecido aquela pessoa antes, não teria perdido o emprego e teria me livrado de tanto sofrimento, por que não pensei nisso antes? Agora sou um cara de estilo...
E saiu assobiando e chutando uma latinha que estava no chão...

domingo, 8 de janeiro de 2017

As velhinhas são todas iguais?



                                                   As velhinhas são todas iguais?
A campainha tocou enquanto o café escorria pelo coador e o leite aquecia na minha caneca dentro do MW.  Lá vou eu atender sem animo nenhum imaginando ser algum aviso do zelador... Deparei-me com a vizinha de porta que passando por mim como um raio foi se sentar perto da sacada para respirar melhor. Era visível seu estado de aflição.                     
Aquela atitude inusitada logo cedo acabou de me acordar e me trouxe para a realidade, me fazendo disparar o coração que já não está mais acostumado a emoções fora da rotina.             
 - O que houve Ismênia?                                                                                                                          Muito ofegante e se abanando com o jornal da igreja ela me contou entre soluços e lágrimas que enxugava com a outra mão, que a cunhada havia sido atropelada logo cedo, quando saia para trabalhar...
- Morreu?- Perguntei já também aflita.-
- Não; mas está toda machucada, toda quebrada...
E continuou chorando, e nessas alturas eu também chorava, pois hoje em dia choro até por barata morta...
- E agora, o que vais fazer minha amiga?
-Vou te passar o ingresso?!!!
 - Hã? Que Ingresso? Quer um café que acabei de fazer? Se acalme, vai dar tudo certo, você vai ver...
É o que todos dizem nestas horas...
Falei achando que a vizinha estava surtando e não sei lidar com destrambelhados. Eu não sei até hoje lidar comigo...
Ela assoou ruidosamente o nariz e me disse que ia até em casa e já voltaria. Levantou e saiu apressada. Demorou só o tempo de eu colocar o café em duas pequenas canecas e voltou me estendendo um Ingresso para um Show que aconteceria naquela noite.
- Para mim? Perguntei incrédula.
-Sim, vai no meu lugar e aproveita, como eu aproveitaria se não tivesse que viajar ainda hoje para o interior.
Tomou o café rapidamente e saiu me deixando no meio da cozinha com cara de apalermada, com o café numa mão e o ingresso na outra achando que ainda estava dormindo.
Deixei o ingresso sobre a mesa sem nem olhar para ele e ler do que se tratava e voltei para a cama. Resolvi que dormir naquela hora era o melhor a fazer...
Quando me acordei de verdade meia hora depois fui até a mesa e vi que era tudo verdade, eu ganhara um ingresso para ir ao Show dos “Indômitos” Gui e Guel, uma dupla que segundo ouvi depois fazia muito “sucesso” pelas “quebradas” do País, mas eu sinceramente nunca tinha ouvido falar, mas são tantas duplas hoje em dia...
Pensei com meu “baby-doll” cor azul piscina; - Por que não, o que eu tenho a perder?-
E lá fui eu providenciar uma roupa para usar à noite. Era sexta feira e por sorte eu já havia marcado com a manicure para arrumar as unhas.
O Taxi sem identificação parou para eu descer bem na porta da casa de Show e logo que coloquei a cabeça para fora da porta do carro fui retirada e conduzida com a ajuda de um enorme cavalheiro vestido de preto da cabeça aos pés que trazia preso à orelha esquerda um fone de ouvido.  Gentilmente ele passou seu enorme braço pelas minhas costas e foi me levando para o interior da casa. Facilmente atravessou aquele mar humano quase sem eu tocar os pés no chão.
Era tanta gente ali aglomerada esperando para entrar numa gritaria infernal que por um breve instante me arrependi de ter vindo, mas só por um instante, pois na verdade estava gostando do inusitado. Um tanto assustada, confesso, mas adorando aquela luxuosa recepção me deixei levar e até já imaginava o que Ismênia estava perdendo por conta do atropelamento da cunhada.
Ah; esses cunhados, sempre aprontando nas horas erradas...
Lá dentro, passando por corredores e portas fechadas o meu “salvador” me introduziu numa das portas que se abriu abruptamente e lá dentro fui sentada numa cadeira diante de um enorme espelho cheio de luzes e várias pessoas tomaram posse de minha pessoa. Arrepiaram meus delicados cabelos alvos e finos, meu rosto foi coberto de cremes e várias cores de pó de maquiagem, meus lábios foram destacados por um batom igual o da Gal Costa e até meus olhinhos inexpressivos foram contornados de uma nuvem de brilho para destacar os cílios que se grudaram nos meus, tornando-os longas “persianas”.
Quando consegui me olhar no espelho, quase cai da cadeira, pois diante de mim estava a própria Dercy Gonçalves em pessoa, em carne e osso. Até uma estola em “lamé” azul me jogaram aos ombros.  O meu medo é que ela “baixasse” de verdade e eu começasse a dizer impropérios pela minha boca vermelha e abusada, que tratei de travar bem travada para não dar vexame. Dali alguém me levou para um camarote em posição de destaque onde pude assistir ao Show na maior comodidade. De vez em quando passava um holofote destacando a minha pessoa, o que me fazia sentir uma “estrela”, seja lá o que isso significasse naquela hora. Também de vez em quando uma bandeja com refrigerante diet. e docinhos diet. (não sei como souberam que eu sou sobrinha da “tiabeth”) passava nas mãos de um garçom que me oferecia os mimos com um discreto olhar de admiração (?!).
Lá pelas tantas quase perto do final, o holofote parou em cima da minha pessoa e anunciaram a presença da mãe dos “intrépidos” e diziam que “emocionada” havia chegado diretamente do Exterior para assistir o Show dos pimpolhos. Foi ai que me dei conta do que aconteceu; avisaram para o pessoal dos bastidores que a mãe dos jovens viria ao show e que deveria ser recebida com todas as honras, só não avisaram ao pessoal do suporte é que velhinhas de cabelo branco não são iguais...  hahahahaha.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Sobre Letras e Afins...

                             Sobre Letras e Afins...
Todos que me conhecem sabem que sou autodidata e que gosto muito de palavras, ditos populares, expressões regionais etc. e se às vezes acerto na gramática é graças ao corretor, apesar de que em outras tenho dúvidas se ele, o corretor, sabe mais do que eu.
Daí que ando sempre na companhia do Seu Portuga, um velho rabugento casado com Dona Gramática, senhora que mais parece um sargento tal a sua autoridade importância, ela se acha muito.
Ele usa uma mochila nas costas cheias de letras e palavras, já dona Gramática leva uma Bolsa cheia de regras e disposições e eles vivem discutindo isso e aquilo. Dois chatos  impertinentes.
Não tenho muita intimidade com eles, mas aprecio seus filhos e filhas, parentes e agregados.
Na verdade quando estou escrevendo vou confiando mais na memória e na intuição, imagine um professor de português lendo uma barbaridade dessas? Cruzes!!!!
Daí o seu Corretor, um cara que se acha muito conhecedor da língua Pátria, se apresenta injuriado, sublinhando de vermelho, mas dá muita bola fora e nem sempre é confiável. Geralmente fica dando uns pitacos sem noção, mas para tirar as dúvidas vou até a prateleira e retiro o bom e velho senhor Dicionário, um venerando servidor, muito meu amigo, cheio de pose e dignidade daqueles que ainda usam meia casaca e gravatinha borboleta e nos olha por trás de grossas lentes, às vezes ainda usa um pencinê (do Francês: Pince-nez; óculos sem hastes) e que infelizmente anda meio esquecido ou ignorado pela maioria que transita nas redes sociais. Aliás, bem esquecido para ser realista querendo ser saudosista.
E por falar nelas, nas redes sociais, aprende-se muito navegando por elas, tanto que já tivemos até uma “mulher-sapiens” entre nós, SQN.
Mas as palavras são seres simpáticos e interessantes se pararmos para observá-las melhor.
Gosto também de ver a capacidade do ser humano de inventar os nomes dos seus rebentos (esta também é uma palavra muito esquisita para um bebê, como chamar aquela coisinha fofa e rosada de “rebento”?...), como alguns nomes que vejo aqui na internet e nem vou repetir para não me deparar com alguém do meu grupo de amigos. Nomes estranhíssimos e constrangedores para carregar e deve ser horrível quando alguém de forma prosaica (?) lhe pergunta: “Qual é a sua graça?” e a criatura responde; “Não senhor, eu não me chamo graça, eu me chamo Guaranésia da Luz Divina”... Ou coisa pior.
Palavras estranhas como “claudicar”, um problema que me foi apresentado há pouco tempo e quer dizer pouca firmeza num dos pés. A palavra realmente claudica nénão?
Outras palavras também me inspiram colocá-las para nomear outras coisas, como o nome de um vegetal, o Ruibarbo, isso não me parece coisa de comer, acho até que se comer faz mal. Eu colocaria esse nome num senhor sisudo chegado a habilidades manuais como a marcenaria, por exemplo. –“Seu Ruibarbo, o senhor poderia consertar esta gaveta?” Acho perfeito.
Outros nomes para pedreiros e marceneiros, profissionais que constroem devem ter nomes interessantes como Anselmo, Policarpo, Deusdedith, Rosalvo e Rosildo, dois irmãos encanadores, por exemplo, Já um advogado chamado Dr. Lindomar não rola...
Acho “pereba” um nome todo cheio de pereba, o tempero Estragão, não pode ser um bom tempero para comida nenhuma, nem com Sálvia junto. Aliais para o meu paladar um prato que leva Sálvia tá perdido, não aprecio este tempero que tem gosto de remédio. Não há o que salve.
A “Frangula”, nome de uma erva digestiva, por exemplo: parece filha da “Galingula”. “Estoicismo”, também penso tem a ver com a restrição de alguns alimentos como toicinho à pururuca. Já “Comiseração” devia qualificar o sentimento de quem faz dieta o ano todo e depois se esbalda nas festas de final de ano. E “sobrancelha”? “Sobran” o que mesmo?
Tem nomes esquisitos mesmo... E o mais difícil é conhecer seus significados nem sempre “ficados” na memória...
E assim “passan los dias”...