segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Segunda feira de Carnaval

                                                    Segunda feira de Carnaval
Acordei pela manhã bem cedo, quando o sol enviou pela janela seus primeiros raios fazendo refletir o brilho das lantejoulas da minha fantasia que descansava sobre a cadeira.
Aos meus pés ronronando refestelado, Otávio soprava uns confetes sobreviventes da folia que teimavam e pairar sobre o seu nariz.
Arrastei meus chinelos de tigresa que combinam perfeitamente com o Baby doll da mesma estampa e me dirigi para ligar a cafeteira que me aguardava pronta desde a noite passada. Voltei para o quarto e Otávio continuava ronronando só que agora se espreguiçava inteiro como os gatos fazem gostosamente.
Entrei no Chuveiro e ia cantarolar "o teu cabelo não nega" mas me lembrei que agora é ofensivo cantar certas modinhas, me lembrei da "cabeleira do Zezé" e também desisti por que vai que o vizinho ouve e pensa que é provocação com ele, que é careca de pai e mãe!?
Dai entre uma ensaboada e outra me lembrei de cantar "Maria sapatão", ai mesmo foi que enchi a boca de água do chuveiro pensando; "deusmelivre" mexer em abelheiro logo cedo.
Resolvi então cantar Roberto Carlos e a música do Chuveiro, aquela que "o sabonete rola por teu corpo inteiro", dai acabei o banho que a água anda cara e rara para usar com tanta "Performance".
Vesti um abadá de outros carnavais botei um short esfiapado e um chapéu de palha e voltei à cozinha. Depois de um café, um suco, um pãozinho, meio papaia, granola, tapiocas doce e salgadas, um pedaço de pão de ló, uma fatia de queijo minas e "mais umas coisinhas" sai para a minha caminhada. 
Fui sozinha; o Otávio se negou a sair dos lençóis, pois havia pulado carnaval a noite toda e até me avisou que hoje não estaria para ninguém,  nem pro prefeito, nem para o governador e muito menos para a Faye Dunaway que nem sabe ler mais o que está escrito no papel e "causou" no Oscar. Aff...
Sai caminhando para voltar logo, antes que o sol descolasse a minha pele toda, e ainda lá na orla dei de cara com ninguém menos que Casey Affleck!!! 
Sim eu também fiquei pasma, mas ele nem parou só abanou a mão e continuou a corrida. 
Eu ainda dei parabéns pelo Oscar de melhor ator e ele abanou de volta, provavelmente para não ter de explicar mais uma vez o contratempo na entrega dos prêmios. Mas foi melhor assim a fama dele é de abusador...
Claro que voltei para casa em seguida, pois o sol já estava me fazendo mal pra cabeça.
Cheguei exausta, mas encontrei sobre a mesa um suco de laranja, acerola e gengibre com folhinhas de hortelã que em boa hora veio me refrescar e descansar.
Otávio já havia levantado e bordava lantejoulas com ar entediado... mas é sempre um cavalheiro...
Boa semana de Carnaval e modorra...

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Saudade de Sentir Saudade


                                               Saudade de Sentir Saudade...
Hoje acordei com vontade de falar de saudade, não aquela dolorida, mas aquela de todos os tempos, aquela que nos remete à casa da nossa avó, ao cheiro de pão ou bolo saindo do forno, do picolé comprado na venda lá na esquina com a moedinha que ganhamos, do vestido novo, do sapato de verniz, com meia branca, que escorregava e acabou causando um tombo e o joelho ralado, de cantar na escola o Hino Nacional com a mão no peito, da prova em papel almaço e caneta (?), do lanche com doce (Mussi de banana ou goiaba), da volta para casa com os pés mergulhados na enxurrada do fim de tarde, do cheiro de sabão da gaveta da cozinha... Nossa!!!  Quantas lembranças de infância...
Mais à frente  a saudade das crianças voltando da escola feito andorinhas inquietas querendo todas contar as novidades ao mesmo tempo.
Saudade do cheiro de neném em casa, de ouvir o piano da vizinha tocando, da chuva no telhado e da gritaria feliz dos filhos jogando futebol na rua com os vizinhos embaixo do aguaceiro de verão.
Saudade do entra e sai de amigos e dos amigos dos filhos. Das risadas e das reclamações reivindicatórias de saídas e ou chegadas fora do combinado.
Saudades das  conversas que tínhamos durante as refeições e que geravam muitas polêmicas que eram resolvidas e comprovadas nos livros que viviam espalhados pela casa. Todos liam de tudo. Um dicionário fazia parte dos apetrechos de cozinha para tirar dúvidas. Muita saudade desse tempo.
Saudades dos muitos cachorros e tantos bichinhos que passaram pela nossa vida. Cada um com sua história assim como temos as nossas.
Saudades dos vizinhos amigos e dos amigos vizinhos. Lembranças boas de momentos únicos onde dividimos  algumas lágrimas e  muitas alegrias.
Saudade do tempo em que eu arrumava tempo para ajudar quem precisasse independente de tudo o que havia por fazer. Fazia de coração e ainda faço quando a oportunidade aparece só para ver novamente o sorriso voltar ao rosto triste e aflito. É uma sensação única.
Sinto saudade do tempo em que problema não era problema porque com fé em Deus sempre dei jeito e encontrei solução.
Saudade de ter saudade, pois o trem já vai perdendo a velocidade, chegando no fim da linha e a paisagem vai ficando escassa e nebulosa, os sons vão diminuindo aos nossos ouvidos e não demora o apito vai soar avisando a chegada da estação final. Vamos dar uma última olhada para o caminho percorrido e com um último suspiro chegaremos à conclusão que valeu a pena, valeu muito à pena toda a estrada e estações percorridas.


Bom domingo!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Domingo de Chuva

                                     Domingo de chuva.
E o domingo amanheceu chovendo, o que fazer no dia de hoje?
Era a dúvida de Agripino para aquele dia. Ir ao cinema? Passear no Shopping, comprar um livro novo já que o dessa semana acabou na sexta-feira, andar na chuva até molhar os ossos, sentido as bochechas geladas?
Pois é; as opções não são muito interessantes para quem trabalha como um camelo a semana toda, é solteiro e "já passou do meio dia". Fazer o quê para se distrair? Ir ao Shopping comprar outro livro e ir ao cinema era a opção do dia e de todas as semanas.
Lembrou de ligar para a amiga de trabalho, também solteira e também na mesma faixa de idade, a Adalgisa, mas lembrou que ela se comprometeu com a irmã de ficar com os sobrinhos para o casal viajar mais sossegado.
Parou na frente do espelho, molhou os dedos indicadores na língua e passou nas sobrancelhas que vivia arrumando e alisando e de um tempo para cá costumava arrancar os fios que nasciam fora do lugar. Parou para observar melhor e chegou a conclusão que de tanto arrancar estava com as sobrancelhas finas como as de boneca, apenas uns poucos fiapos.
Como não reparou que tirou fios demais, e agora?
Foi até a gaveta do banheiro e retirou um lápis preto que havia ganho de brinde quando comprou a pinça. -Acho que eles dão o lápis de brinde porque já sabem no que vai dar esse negócio de arrancar fios todos os dias.-
Voltou para o espelho mais uma vez e fez um risco perfeito, engrossando um pouco mais como convinha a um homem sério, assim ele pensava.
Dai foi fazer o outro risco mas não dava certo, saia torto, a sobrancelha da direita era torta por natureza. Então, deixou assim mesmo, uma apontava para cima e outra fazia o tipo acento circunflexo.- o que fazer ó Zeus!!!!-
Resolveu pentear uma franja aproveitando que o cabelo estava crescido no alto. No fundo andava pensando em amarrar os cabelos no alto da cabeça, num rabicho com andavam usando os modelos de revistas e os artistas da televisão, parecia os lutadores de sumô, mas o dele ainda não dava, estava curto ainda, mas dava uma boa franja.
Assim penteou tudo para frente para esconder as sobrancelhas e colocou por cima um par de óculos escuros de aros bem grandes. Como estava frio, vestiu um sobretudo e saiu para pegar um cineminha.
Quando chegou à rua uma ventania estava acontecendo e lá se foi o cabelo para cima descobrindo as sobrancelhas e os óculos ficaram respingados de garoa, assim teve que retirar e ficar segurando o cabelo com as mãos. Ainda bem que não trouxe o guarda-chuva, pensou. Não teria mãos para segurá-lo.
Entrou no metrô e percorreu os corredores de cabeça baixa e entrou na leva de passageiros e ficou de frente para a porta não querendo ser observado. Desceu na estação perto do Shopping e segurando a franja na testa se dirigiu para lá.
Subiu de elevador de costas para todos os demais que subiam com ele e virado para a parede foi até o último andar, o dos cinemas. quando a porta se abriu ele saiu feito uma flecha na direção do cinema. Comprou a entrada, ainda segurando a franja diante da bilheteira impassível, mas que ele era capaz de jurar que ela segurava o sorriso de deboche para a situação constrangedora dele.
Felizmente a sessão começou em seguida apagando todas as luzes. O filme contava a história de um cara não muito certo da cabeça, que roubava madeixas de cabelo e ele não gostou do que viu e voltou para casa muito arreliado. Pegou o Note book e escreveu para a empresa que não iria trabalhar por um motivo muito forte e especial, se quisessem descontar os dias que o fizessem, se quisessem despedi-lo que o fizessem mas o fato é que ele não iria trabalhar tão cedo. Na verdade  ele nem sabia mesmo quando poderia voltar ao trabalho, só quando as sobrancelhas crescessem e voltassem ao normal.
Abriu a pagina do tira-dúvidas e procurou tirar aquela que lhe causava aflição e leu desolado que, se a pessoa for jovem o pêlo demora uns 20 dias para aparecer, se for mais velha a pessoa, o caso dele, e se ao arrancar danificou o bulbo do pêlo, nunca mais nascerá.
Agripino se jogou desconsolado na cama e depois de alguns dias, durante a noite e de chapéu enterrado na cabeça mudou de cidade. Viveu mais de ano escondido só saindo a noite e todo disfarçado. Deixou os poucos e ralos cabelos crescerem, a barba praticamente ele não tinha mesmo e ficou um "barba-rala" que vivia infeliz no quartinho de pensão até o dia em que durante o jantar onde morava, depois de tomar um vinho barato, angustiado por demais se abriu para um outro morador da pensão. Conversa vai, conversa vem ele conseguiu contar para o homem a sua aflição, a sua vergonha; o caso das suas sobrancelhas.
O amigo então o convidou a ir até o seu quarto e sentou-o numa cadeira. Retirou do bolso uma navalha e enquanto Agripino dormitava de porre todo esparramado, o amigo lhe raspou as "maledetas" sobrancelhas com a perícia do barbeiro que era.
Quando acordou, Agripino estava com uma horrível dor de cabeça causada pela qualidade do vinho e foi direto para o chuveiro e só depois se olhou no espelho levando um grande susto.
Correu ao quarto do amigo que ainda dormia ao sabor do vinho também e sacudindo-o até acordá-lo e lhe perguntou o que ele havia feito?
- Como assim, o que eu fiz, não está vendo? Sumi com o seu problema. Ele não existe mais. Ninguém vai rir do que você não tem e agora me deixe dormir que hoje é minha folga.
Agripino voltou desolado para o seu quarto e examinado bem o que ele havia considerado um estrago completo. Penteou, puxou e amarrou o cabelo à moda Sumô e gostou do que viu no espelho. Saiu à rua todo fagueiro pensando;
Se tivesse conhecido aquela pessoa antes, não teria perdido o emprego e teria me livrado de tanto sofrimento, por que não pensei nisso antes? Agora sou um cara de estilo...
E saiu assobiando e chutando uma latinha que estava no chão...

domingo, 8 de janeiro de 2017

As velhinhas são todas iguais?



                                                   As velhinhas são todas iguais?
A campainha tocou enquanto o café escorria pelo coador e o leite aquecia na minha caneca dentro do MW.  Lá vou eu atender sem animo nenhum imaginando ser algum aviso do zelador... Deparei-me com a vizinha de porta que passando por mim como um raio foi se sentar perto da sacada para respirar melhor. Era visível seu estado de aflição.                     
Aquela atitude inusitada logo cedo acabou de me acordar e me trouxe para a realidade, me fazendo disparar o coração que já não está mais acostumado a emoções fora da rotina.             
 - O que houve Ismênia?                                                                                                                          Muito ofegante e se abanando com o jornal da igreja ela me contou entre soluços e lágrimas que enxugava com a outra mão, que a cunhada havia sido atropelada logo cedo, quando saia para trabalhar...
- Morreu?- Perguntei já também aflita.-
- Não; mas está toda machucada, toda quebrada...
E continuou chorando, e nessas alturas eu também chorava, pois hoje em dia choro até por barata morta...
- E agora, o que vais fazer minha amiga?
-Vou te passar o ingresso?!!!
 - Hã? Que Ingresso? Quer um café que acabei de fazer? Se acalme, vai dar tudo certo, você vai ver...
É o que todos dizem nestas horas...
Falei achando que a vizinha estava surtando e não sei lidar com destrambelhados. Eu não sei até hoje lidar comigo...
Ela assoou ruidosamente o nariz e me disse que ia até em casa e já voltaria. Levantou e saiu apressada. Demorou só o tempo de eu colocar o café em duas pequenas canecas e voltou me estendendo um Ingresso para um Show que aconteceria naquela noite.
- Para mim? Perguntei incrédula.
-Sim, vai no meu lugar e aproveita, como eu aproveitaria se não tivesse que viajar ainda hoje para o interior.
Tomou o café rapidamente e saiu me deixando no meio da cozinha com cara de apalermada, com o café numa mão e o ingresso na outra achando que ainda estava dormindo.
Deixei o ingresso sobre a mesa sem nem olhar para ele e ler do que se tratava e voltei para a cama. Resolvi que dormir naquela hora era o melhor a fazer...
Quando me acordei de verdade meia hora depois fui até a mesa e vi que era tudo verdade, eu ganhara um ingresso para ir ao Show dos “Indômitos” Gui e Guel, uma dupla que segundo ouvi depois fazia muito “sucesso” pelas “quebradas” do País, mas eu sinceramente nunca tinha ouvido falar, mas são tantas duplas hoje em dia...
Pensei com meu “baby-doll” cor azul piscina; - Por que não, o que eu tenho a perder?-
E lá fui eu providenciar uma roupa para usar à noite. Era sexta feira e por sorte eu já havia marcado com a manicure para arrumar as unhas.
O Taxi sem identificação parou para eu descer bem na porta da casa de Show e logo que coloquei a cabeça para fora da porta do carro fui retirada e conduzida com a ajuda de um enorme cavalheiro vestido de preto da cabeça aos pés que trazia preso à orelha esquerda um fone de ouvido.  Gentilmente ele passou seu enorme braço pelas minhas costas e foi me levando para o interior da casa. Facilmente atravessou aquele mar humano quase sem eu tocar os pés no chão.
Era tanta gente ali aglomerada esperando para entrar numa gritaria infernal que por um breve instante me arrependi de ter vindo, mas só por um instante, pois na verdade estava gostando do inusitado. Um tanto assustada, confesso, mas adorando aquela luxuosa recepção me deixei levar e até já imaginava o que Ismênia estava perdendo por conta do atropelamento da cunhada.
Ah; esses cunhados, sempre aprontando nas horas erradas...
Lá dentro, passando por corredores e portas fechadas o meu “salvador” me introduziu numa das portas que se abriu abruptamente e lá dentro fui sentada numa cadeira diante de um enorme espelho cheio de luzes e várias pessoas tomaram posse de minha pessoa. Arrepiaram meus delicados cabelos alvos e finos, meu rosto foi coberto de cremes e várias cores de pó de maquiagem, meus lábios foram destacados por um batom igual o da Gal Costa e até meus olhinhos inexpressivos foram contornados de uma nuvem de brilho para destacar os cílios que se grudaram nos meus, tornando-os longas “persianas”.
Quando consegui me olhar no espelho, quase cai da cadeira, pois diante de mim estava a própria Dercy Gonçalves em pessoa, em carne e osso. Até uma estola em “lamé” azul me jogaram aos ombros.  O meu medo é que ela “baixasse” de verdade e eu começasse a dizer impropérios pela minha boca vermelha e abusada, que tratei de travar bem travada para não dar vexame. Dali alguém me levou para um camarote em posição de destaque onde pude assistir ao Show na maior comodidade. De vez em quando passava um holofote destacando a minha pessoa, o que me fazia sentir uma “estrela”, seja lá o que isso significasse naquela hora. Também de vez em quando uma bandeja com refrigerante diet. e docinhos diet. (não sei como souberam que eu sou sobrinha da “tiabeth”) passava nas mãos de um garçom que me oferecia os mimos com um discreto olhar de admiração (?!).
Lá pelas tantas quase perto do final, o holofote parou em cima da minha pessoa e anunciaram a presença da mãe dos “intrépidos” e diziam que “emocionada” havia chegado diretamente do Exterior para assistir o Show dos pimpolhos. Foi ai que me dei conta do que aconteceu; avisaram para o pessoal dos bastidores que a mãe dos jovens viria ao show e que deveria ser recebida com todas as honras, só não avisaram ao pessoal do suporte é que velhinhas de cabelo branco não são iguais...  hahahahaha.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Sobre Letras e Afins...

                             Sobre Letras e Afins...
Todos que me conhecem sabem que sou autodidata e que gosto muito de palavras, ditos populares, expressões regionais etc. e se às vezes acerto na gramática é graças ao corretor, apesar de que em outras tenho dúvidas se ele, o corretor, sabe mais do que eu.
Daí que ando sempre na companhia do Seu Portuga, um velho rabugento casado com Dona Gramática, senhora que mais parece um sargento tal a sua autoridade importância, ela se acha muito.
Ele usa uma mochila nas costas cheias de letras e palavras, já dona Gramática leva uma Bolsa cheia de regras e disposições e eles vivem discutindo isso e aquilo. Dois chatos  impertinentes.
Não tenho muita intimidade com eles, mas aprecio seus filhos e filhas, parentes e agregados.
Na verdade quando estou escrevendo vou confiando mais na memória e na intuição, imagine um professor de português lendo uma barbaridade dessas? Cruzes!!!!
Daí o seu Corretor, um cara que se acha muito conhecedor da língua Pátria, se apresenta injuriado, sublinhando de vermelho, mas dá muita bola fora e nem sempre é confiável. Geralmente fica dando uns pitacos sem noção, mas para tirar as dúvidas vou até a prateleira e retiro o bom e velho senhor Dicionário, um venerando servidor, muito meu amigo, cheio de pose e dignidade daqueles que ainda usam meia casaca e gravatinha borboleta e nos olha por trás de grossas lentes, às vezes ainda usa um pencinê (do Francês: Pince-nez; óculos sem hastes) e que infelizmente anda meio esquecido ou ignorado pela maioria que transita nas redes sociais. Aliás, bem esquecido para ser realista querendo ser saudosista.
E por falar nelas, nas redes sociais, aprende-se muito navegando por elas, tanto que já tivemos até uma “mulher-sapiens” entre nós, SQN.
Mas as palavras são seres simpáticos e interessantes se pararmos para observá-las melhor.
Gosto também de ver a capacidade do ser humano de inventar os nomes dos seus rebentos (esta também é uma palavra muito esquisita para um bebê, como chamar aquela coisinha fofa e rosada de “rebento”?...), como alguns nomes que vejo aqui na internet e nem vou repetir para não me deparar com alguém do meu grupo de amigos. Nomes estranhíssimos e constrangedores para carregar e deve ser horrível quando alguém de forma prosaica (?) lhe pergunta: “Qual é a sua graça?” e a criatura responde; “Não senhor, eu não me chamo graça, eu me chamo Guaranésia da Luz Divina”... Ou coisa pior.
Palavras estranhas como “claudicar”, um problema que me foi apresentado há pouco tempo e quer dizer pouca firmeza num dos pés. A palavra realmente claudica nénão?
Outras palavras também me inspiram colocá-las para nomear outras coisas, como o nome de um vegetal, o Ruibarbo, isso não me parece coisa de comer, acho até que se comer faz mal. Eu colocaria esse nome num senhor sisudo chegado a habilidades manuais como a marcenaria, por exemplo. –“Seu Ruibarbo, o senhor poderia consertar esta gaveta?” Acho perfeito.
Outros nomes para pedreiros e marceneiros, profissionais que constroem devem ter nomes interessantes como Anselmo, Policarpo, Deusdedith, Rosalvo e Rosildo, dois irmãos encanadores, por exemplo, Já um advogado chamado Dr. Lindomar não rola...
Acho “pereba” um nome todo cheio de pereba, o tempero Estragão, não pode ser um bom tempero para comida nenhuma, nem com Sálvia junto. Aliais para o meu paladar um prato que leva Sálvia tá perdido, não aprecio este tempero que tem gosto de remédio. Não há o que salve.
A “Frangula”, nome de uma erva digestiva, por exemplo: parece filha da “Galingula”. “Estoicismo”, também penso tem a ver com a restrição de alguns alimentos como toicinho à pururuca. Já “Comiseração” devia qualificar o sentimento de quem faz dieta o ano todo e depois se esbalda nas festas de final de ano. E “sobrancelha”? “Sobran” o que mesmo?
Tem nomes esquisitos mesmo... E o mais difícil é conhecer seus significados nem sempre “ficados” na memória...
E assim “passan los dias”...


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Entrando em mais um ano...

                                                          Entrando em mais um ano...
Depois de ler e agradecer exaustivamente tantos desejos bons a mim enviados fiquei pensando porque é tão difícil ser assim o ano todo na nossa realidade e não só virtualmente e nos finais de ano?
Sermos bons para todos, desejarmos o melhor para todos, até aqueles que só conhecemos virtualmente?
Sermos condescendentes com os erros alheios, sermos perseverantes em nossos propósitos e atitudes mesmo que não dure uma hora inteira, porque logo ali na esquina nos esquecemos de tudo e tudo volta ao que era antes, mesmo que a música nos diga que “nada é como foi há um segundo”?
Hoje acordei com a ideia utópica de mudar o mundo e me deixei por alguns minutos, talvez 20 ou 30 divagar no meu sonho de consumo e de muitos em tempos de agora, tenho certeza.       O de extirpar para sempre as drogas lícitas e ilícitas do planeta; O sonho de que Deus poderia “contaminar” todas as águas e exterminar o neurônio humano que nos leva ao vício, à dependência de substâncias que nos tiram do equilíbrio racional e que tomou conta da humanidade.
Que essa substância Divina agisse como um antibiótico age eliminando do corpo físico as bactérias. Aí me diriam alguns, como já me disseram um dia que externei esse desejo, que uns iriam matar os outros pela perda do poder, mas não! Não podemos pensar assim, pois Deus continua no comando, Ele apenas nos deu “linha” demais no uso do nosso livre arbítrio e resvalamos barranco abaixo, agora de mãos estendidas pedimos clemência para merecer ajuda e subir de volta para continuar a caminhada.
E no meu sonho essa caminhada seria sem nenhum tipo de vício. O único vício seria querer entender o mundo e estudar para isso.
Mas para atingirmos um estado de coisas melhor, é preciso também que sejam banidos do orbe terrestre para outros planetas, ainda mais inferiores que o nosso, essas criaturas que vivem de se locupletar com a desgraça alheia, são pessoas ignorantes, infelizes e atrasadas espiritualmente e precisam ser retiradas para viverem em situação de civilizações inferiores em muitas dificuldades e sofrimento físico para aprenderem a respeitar o próximo como irmão.
 São pessoas sem coração e sem amor que vivem de retirar dos lares pessoas de bem que apenas  levados pela curiosidade de experimentar o novo se deixaram levar achando que teriam o domínio sobre si mesmos, e assim não foi  e com isso foram jogadas nas ruas da amargura famílias inteiras, vitimas dessa dependência infeliz dos vícios que geram desequilíbrios de toda ordem.
Junto desses também irão os químicos, àqueles que manipulam literalmente as drogas que tanto podem curar as doenças  e aliviar as dores ou levar para o mal, para a dependência, e essa, infelizmente é a opção dessas pessoas também infelizes e que usam a inteligência para criar mais substâncias viciantes e degenerativas, que causam cada vez mais dependência nos usuários. Esses também terão de acertar as contas com o universo.
E assim pouco a pouco essa “nuvem” negra que paira sobre nossas cabeças dominando nossos jovens e um mundo de pessoas com a ajuda dos vícios se dissiparia e o nosso mundinho azul seria higienizado para a Felicidade de todos e voltaríamos todos à evolução consciente.
Sempre que um prejudica a muitos será necessário retirá-lo e salvar os demais, assim como a fruta podre deverá ser retirada do convivo com as outras para que não se percam todas as outras.
Acordei para a realidade com lágrimas nos olhos me perguntando;
“Até quando meu Deus?”
Não custa sonhar e sonhar não custa.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Então é Natal ♫♪♥♫♪


                                                  Então é Natal...♫♪♫♪
O Sol amanheceu radiante. 
O menino afastou do rosto magro e sujo o pedaço de pano que fazia de coberta. 
Esfregou os olhos escuros chocados pela luz intensa. Sentou-se e olhou ao redor observando o que acontecia e achou tudo muito estranho. Tudo ao seu redor parecia parado, sem o movimento habitual, não via ninguém conhecido, alguns passavam ao longe sem vê-lo, mas isso já não lhe causava estranheza, pois sempre fora assim...
Deitou-se novamente e observou que o banco da praça estava mais macio e menos frio... Fechou os olhos novamente e relembrou o que havia acontecido horas antes quando havia se sentado à porta da Igreja Matriz para pedir uns trocados àquelas pessoas bonitas e bem vestidas que vieram à missa da meia noite.
O sino havia tocado, ele achava muito bonito o som intenso dos sinos e saiu de onde estava. Logo se aproximou da grande porta, mas achou melhor não entrar. Geralmente as pessoas não permitiam que entrasse nos lugares bonitos, imagine a igreja em hora de visitas?
Sempre olhava o interior da Igreja de longe, só da porta, e achava tudo lindo e muito brilhante e hoje voltou para ver de perto novamente. De noite ele não seria visto e poderia se esconder melhor.
De vez em quando olhava para dentro e a musica lhe causava um conforto dentro do peito franzino tão especial que nem sabia por que, tinha vontade de chorar.
Quando todos entraram, ele sorrateiramente esgueirou-se para não ser visto e sentou nos degraus de uma escada que levava ao mezanino onde um órgão esplendoroso era dedilhado habilmente por um jovem padre. A música parecia preencher seu peito de menino, poderia ficar por horas,
 talvez dias só ouvindo aquela música maravilhosa.
Acomodou-se como pode para assistir e ouvir o som de Deus. Seu coração cada vez batia mais forte e lágrimas rolavam pelo seu rosto. Emoção era um sentimento novo para ele, mas lhe fazia muito bem. Em dado momento em que o Padre que executava o ritual de orações e música silenciou as palavras santas e elevou algo para o alto, o menino pode ver uma luz intensa que refletia das mãos daquele homem que se vestia de branco e orava com fervor. A visão lhe causou espanto e admiração e fez o coraçãozinho bater mais forte e a emoção aumentou. Quase soluçava.
Foi quando percebeu alguém sentado ao seu lado na escada que levava a parte superior de onde saía a música. Ia se levantar ligeiro para sair correndo antes que fosse enxotado como de costume, quando sentiu um braço deslizar pelos ombros e uma sensação agradável de aconchego o inundou inteiro, como nunca sentiu em sua pequena vida. 
Não conseguia parar de chorar, pela primeira vez não teve medo ao ser tocado por alguém.
Falando baixinho entre os cânticos da missa, aquele homem lhe perguntou o que ele queria ganhar de Natal e o menino abaixou a cabeça e ficou mudo a pensar; - o que ele poderia querer se nem sabia o que era viver como os outros meninos que ele observava de longe com suas famílias? -. Sempre vivera sozinho desde que nascera nas ruas daquela cidade e nem saberia dizer há quantos anos isso acontecera. Via a vida passar por ele, mas ele não tinha vida, ele apenas sobrevivia.
Timidamente ele arriscou numa voz quase inaudível:
- “Quero viver sem passar fome e nem frio, sem ter medo, sem apanhar e sem precisar o tempo todo correr e me esconder das pessoas malvadas.”.
Não sabe como saiu dali, da Igreja e agora, ele estava ali naquela praça, acordando naquele banco macio e notou que estava sem fome, sem medo, sem frio, limpo e arrumado como as pessoas da missa, quando viu alguém se aproximar. 
Era o homem que conversou com ele nos degraus da Igreja enquanto os outros cantavam e rezavam.
- E então, meu bom garoto, gostou da nova morada? Aqui você pode viver sossegado, fazer amigos e ser feliz como me pediu ontem à noite.
- Onde estou, quem é o Senhor?
- Me chame de Jesus, você está no céu das crianças...


                                                                                   XX


“... E é morrendo que nascemos para a vida eterna...” (oração de São Francisco de Assis)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O Visitante


                                                        O visitante 
Eu estava entediada e resolvi chegar até a janela do meu quarto que é de onde vejo melhor a paisagem que se compõe de um pátio de carros para vender, um pedaço de uma favela de grande movimento que perderam espaço no meu visual para alguns prédios novos ainda não habitados.  Mais à direita me distraio a contar quantos carrinhos vermelhos passam pela rodovia de transito intenso, às vezes escolho outra cor, para variar....
E cá estou eu ouvindo os gritos estridentes de um Benteví que chama seu companheiro para aventuras celestes, quando um assovio estridente me faz arrepiar os cabelos e desce pelas minhas desprevenidas costas geladas.
Uma sombra seguida de uma intensa luz de um holofote se interpôs entre o sol e meus olhos não me deixando ver mais nada à minha frente. Fechei-os por um momento, cega e curiosa para ver o que estava acontecendo ali diante de mim, foi quando um som metálico, semelhante às vozes de robô me fez abrir, e na verdade arregalar, meus olhos desmesuradamente simplesmente porque ali estava diante de mim um artefato metálico voador achatado e coberto de uma nuvem que mais parecia uma couve-flor gigante zumbindo e trepidando suavemente.
Tornei a fechar os olhos, os esfreguei pensando que estava delirando e rapidamente escaneei meu cérebro para ver se havia tomado algum remédio que provocasse efeitos colaterais, tipo alucinações, mas não; além dos de sempre, de um tempo para cá eu costumo tomar uma pastilha efervescente de vitamina C pela manhã.
A coisa voadora então soltou o que chamo de voz, para não causar mais confusão mental e grunhiu:
-Tudo bem com a senhora? Vamos dar uma volta, um passeio?
Olhei para os lados para ter certeza que a pergunta era feita para mim, ou para outra maluca do prédio, mas era para mim mesma, pois se fosse em outro andar ele subiria um pouco mais para ficar de vis à vis com a pessoa.
Então respondi como as velhas respondem;
- Não meu filho, está quase na minha hora de fazer uma coisa aqui em casa, vai você meu filho, pode ir que fico bem aqui...
- Vem com a gente, a senhora vai gostar, vamos dar um passeio...
- Mas a onde que vocês estão indo?
- Por ai, conhecer uns lugares, vem com a gente...
Eu olhava aquele rosto na minha frente fixamente e a voz dele aumentava e sumia aumentava e sumia, até que acordei no chão, rodeada dos socorristas da ambulância, que veio me buscar, chamada pelos vizinhos que me viram caída no saguão do prédio.
Ainda não me lembro se eu estava saindo ou chegando da nave...

( Acho bom avisar aos desavisados que esta é uma obra de ficção...)

sábado, 26 de novembro de 2016

Como não perder a cabeça?

                                      Como não perder a cabeça?
Gente, vocês que me conhecem e sabem que a vaidade não é meu forte.
Sou do mais confortável e deixo a elegância para quem gosta e pode...                                 Não sou de moda e nem de arrumar unhas com frequência. Corto rente e deu!!!
Daí que semana passada precisava cortar meu cabelo para ir a um aniversário de 15 anos e fui deixando, esquecendo desse detalhe, até que na manhã do dia me deparei com as madeixas caídas nos olhos e pensei alto: 
-Uauuu não cortei o cabelo!-.
Em princípio já tenho consciência de quem vai reparar numa velhinha num aniversário de quinze anos se ela não subir na mesa e ameaçar tirar a roupa? O que não é meu caso, pois mal consigo subir degraus imagine numa mesa.
Daí que no sábado, pela manhã fui comprar frutas e no Supermercado que fica entre lojas, praça de alimentação, e está mais para Shopping, já que possui de tudo lá dentro, banca de jornal e revistas, Farmácia, várias lojas, banco, lotéricas etc. E também um salão de cabeleireiro onde já cortei o cabelo outras vezes com profissionais diferentes.
Entrei destemida e corajosamente e perguntei se havia vaga para aquele horário, já que não queria voltar mais tarde por preguiça mesmo.
Daí  que a atendente me indicou a última cadeira a esquerda e lá fui eu. 
De repente parou ao meu lado a pessoa que iria “fazer a minha cabeça”.
Respirei fundo e todo o meu conhecimento em psicologia e análise comportamental, gestual e etc  se apresentaram num painel à minha frente. 
A pessoa usava um enorme rabo de cavalo até a cintura, preto e brilhante. Vestia uma blusa de lã branca e gola alta, estava frio, e por cima uma daquelas capas tipo “inglesa” preta. Senti que faltava algo, mas só me dei conta na saída; a Bíblia debaixo do braço! Com todo o respeito mas a figura é inconfundível.
Nada a ver com as pessoas que trabalham em salão, quando costumam ser bem exóticas e personalizadas por cortes e tinturas.
Tudo bem, respirei fundo e me entreguei a Deus e me lembrei do Salmo; “ Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Tu estás comigo”. 
Calmamente ela abriu a minha frente uma maleta cheia de tesouras escovas e utensílios de trabalho, me vestiu uma capa de tigresa  deitei minha cabeça no cadafalso e partimos para os finalmentes.
Com a delicadeza de uma cirurgiã ela pegava de quatro em quatro fios da minha vasta cabeleira e media de lá para cá e daqui para lá para ter certeza de como cortar, vai que dá errado?
La pelas tantas, estávamos em silêncio e ela exclamou sem mais aquela,
-“sim, eu vou ler tudo sobre Davi!”
E eu: - ...hã, falou comigo?-
É que eu gosto muito de ler e agora estou me especializando em conhecer tudo sobre Davi.
- Hã sim, deve...
Falei enquanto pensava:
Eu como ela começaria por apreciar a de Michelangelo...
Pisando em ovos, acho que era a primeira vez que tinha uma cabeça nas mãos para fazer o que quisesse, cortou fio a fio durante um tempo que me pareceu interminável. Quando acabou apreciei que cortou o mínimo, mantendo o corte. O que tirou de cabelos não dava um par de sobrancelhas. Ufffa!!!
Mas eu sou especialista em fazer isso, talvez porque minha mãe cortou o meu cabelo a vida toda e da maneira que queria, até o dia em que cheguei na casa de meu irmão e ele me perguntou quem havia cortado e eu lhe disse que foi a nossa mãe e ele me disse ;
- “Não a deixe mais fazer isso, está todo torto, e mamãe já não diz coisa com coisa (ela realmente ficou depois com Alzheimer) não sabe mais cortar cabelo!”
No começo deste ano, as véspera de embarcar para Paris eu fui cortar o meu cabelo, pela terceira ou quarta vez, com uma pessoa que me foi indicada por uma amiga. por sinal o único que acertou nos últimos tempos.
Ele é professor e anda pelo Brasil todo dando cursos e quando vem visitar a irmã na cidade, ele telefona para algumas clientes e tira uma tarde para atender, daí que minha amiga me avisou que ele estaria na cidade e agendei numa tarde ensolarada no pequeno salão de amigos dele.
Lá chegando como sempre, ele gentilmente me atendeu e me levou para o salão superior e convidou a sentar diante do espelho e colocou a capa.  E sempre conversando, me disse novamente que o meu cabelo é muito fino e pouco e não deve ser cortado molhado sob pena de não ficar bom. Essa eu aprendi.
Então rapidamente e com perícia ele dividiu meu “farto” cabelo em oito "chiquinhas" e em seguida começou a cortar pelo lado esquerdo, e quando estava bem empolgado ouvimos uma gritaria lá embaixo. Na mesma hora todos os que estavam na sala desceram em desabalada carreira e eu fiquei com meia cabeça cortada e as quatro “chiquinhas” restantes com cara de tola me olhando no espelho.
A gritaria dizia que o cabelo estava caindo com a hidratação que fizeram nela, que ela estava em depressão e que a mãe havia dito que o cabelo dela estava horrível e ela veio quebrar tudo e aos gritos quebrou mesmo. Daí fui olhar e desci a escada até uma parte em que dava para ver o estrago e foi quando vi o meu cabeleireiro enrolando uma toalha no braço todo ensanguentado da mulher, que no surto havia se cortado. 
Prontamente ele a acalmou e a convenceu de levá-la ao pronto socorro enquanto a polícia chegava para lavrar a ocorrência. 
Eu voltei para a minha cadeira dando "graçasadeus" que não tinha outro compromisso e aguardei acalmar os ânimos e ver no que ia dar.
Daí veio lá de baixo uma senhora trêmula e tímida pedir mil desculpas pelo inusitado e avisar que o rapaz havia saído para socorrer a mulher e não tinha hora para voltar e sendo assim ela iria terminar o corte e me convidou a lavar o cabelo, pois ela só sabia cortar cabelo molhado. !!!!
- “Fazer o quê?”- eu pensei; pior é sair assim com meia cabeça cortada e meia desfiada e sem corte e de novo entreguei minha cabeça ao cadafalso e fui para Paris com o cabelo todo torto... Mas é claro que em Paris ninguém nota essas coisas...


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Em tempos de hoje...

                                                Em tempos de hoje...
O homem de capa inglesa, chapéu enterrado e óculos escuros entrou pela loja adentro todo encharcado sacudindo o guarda-chuva e molhando totalmente a entrada do recinto.
 Estava todo ressabiado e rastreava todos os lados e cantos na intenção de não ser reconhecido.
O dia era de temporal e enchentes brabas quando só saia de casa quem não poderia evitar mesmo, porém o caso daquele homem era urgente, urgentíssimo.
- Em que posso servi-lo meu amigo?
Perguntou solícito o vendedor e proprietário da loja.
-Fale baixo para não chamarmos a atenção! As paredes têm escutas.
Respondeu o homem que estava mais para detetive de filmes e história em quadrinhos engraçados do que para um homem sério e com claras pretensões de se esconder.
-Sim, sou todo ouvidos, pode se abrir comigo!
 -Aiiii não me fale assim que tenho arrepios... Eu preciso urgente de um teletransporte, fui informado que o senhor tem várias invenções patenteadas da hora...
-Sim, sou um inventor com vários prêmios de reconhecimento pelo instituto de marcas e patentes. Eu inventei por exemplo...
-Desculpe, mas não tenho tempo para conversas, o tempo urge e o dragão ruge... Gostou? Eu sou bom com as palavras...
- Estou vendo... Mas hoje não posso lhe servir, infelizmente não tenho mais nenhum teletransporte para vender e olha que ultimamente estou com uma linha de montagem de dar inveja às montadoras de carros. Mas não consigo entregar mais com a urgência das encomendas... É muita procura do alto escalão.
- E para alugar, não tem nenhum velhinho que funcione?
-Não nenhum.  Todos os “velhinhos” estão alugados também.
- E o que o senhor tem de invenção para me ajudar a “sumir” pelo menos por uns tempos?
- Bem, eu tenho um redutor de tamanho, é um gel que o senhor passa pelo corpo, espera 10 minutos e começa a encolher até a medida que quiser, daí é só entrar no chuveiro e retirar o gel com água. Só não se esqueça de deixar o chuveiro ligado ou a banheira com pouca água, senão como vai fazer para abrir o chuveiro com poucos centímetros de altura? Daí como o gel vai agindo o senhor pode encolher até virar um chip de gente.
- Uaaaauuuu! Mas isso é muito bom, um espetáculo!
E contrariando os cuidados que deveria tomar para não chamar a atenção rodopiou alegremente pela loja todo feliz.
- Já sei! Enquanto o Senhor embrulha o material para cinco pessoas eu vou aqui ao lado comprar uma caixa de kinder Ovo para me instalar com minha família, cada um no seu, como a lâmpada do filme “Jeannie é um Gênio”,  aaah, e já sei; vou me enviar com a mulher e os dois filhos dentro do Kinder Ovo para a fazenda com um bilhete para o caseiro nos esconder entre os ovos na granja, não acha uma ideia genial?
- Sim, se o senhor acha eu também acho...