segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Odeio DIA DAS MÃES



Quando eu era criança (século passado), sempre que minha mãe precisava me corrigir usava de um artifício ameaçador: "vou te colocar num colégio interno, de freiras, onde não podes sair e ninguém pode ir te visitar, só de vez em quando". Sinceramente eu não sabia de verdade o que aquilo significava, mas devia ser o pior dos castigos; o isolamento total e o afastamento da família. E lá no sul era (ou ainda é), costume mandar os filhos para os conventos, assim estudariam e se formariam padres e freiras, o que era até um orgulho para a família, mas eu era espírita então o meu caso(castigo) devia ser outro.

Esta frase me acompanhou por anos. Era "normal" para ela dizer isso para eu atendê-la, obedecê-la. Era quase um código entre mãe e filha, tipo: cheguei no limite; ou vai ou racha, ou dá ou desce, ou me obedece ou vai de castigo. Mas quando me tornei adolescente vi que apenas era uma forma de me corrigir, não uma ameaça verdadeira. E com isso na minha ignorância em criar filhos que não trazem bula ou caderninho de modo de usar, fui passando o que eu sabia e imagino que é o que fizeram ou fazem todas, ou a maioria das mães, só que percebo agora (muito tarde) que para cada geração uma educação, sem falar no respeito às personalidades de cada um.
Aprendi tardiamente que o argumento que usei para controlar cada um, que era "tirar" o que gostava, para uns a TV, para outros ir a algum lugar, sei lá já nem me lembro de todos os argumentos "ameaçadores". Agora percebo que ficou marcado a fogo no coração de um, aquilo que para outros não teve uma importância e nem se lembram, ou assim como eu, que apenas me dei conta quando cresci, que aquilo era uma forma de correção e não uma intenção de verdade.
E quando a lembrança volta e o argumento é colocado fica difícil você justificar, explicando o porque de uma atitude que tive que tomar numa ocasião, para o filho que cresceu, se tornou adulto e guardou essa atitude com mágoa. Não perdeu nada da vida, apenas adiou por seis meses o sonho, mas lembra como se eu lhe tivesse tirado a oportunidade uma vida inteira e ainda me cobra. Sem dizer que durante os seis meses "seqüestrados" não foram perdidos, foram acrescidos de outras especializações pagas num bom colégio. Mas tudo bem, ao longo da vida vamos vendo que mães usam das armas que tem para conduzir os filhos pela vida. "As ameaças" tinham seus porquês para aquele momento.


Por essas e outras é que detesto DIA DAS MÃES e um dos motivos que não gosto de ser homenageada no dia das mães. Não somos aquilo que deveríamos ser para os filhos e se eles chegaram onde chegaram não foi com a nossa ajuda, ao contrário sempre foi com a ajuda deles mesmo (obvio) e de terceiros porque nós mães, só criamos problemas.

3 comentários:

  1. Oi, Clô!

    A filha em questão sou eu e não fiquei magoada, apenas não me lembro com alegria aquela época traumática (quando a gente é adolescente, as proporções são diferentes).

    Faz parte da minha história e não foi o período mais feliz da minha vida, mas ninguém morre por causa disso. A forma como uma pessoa percebe um fato é completamente diversa de outra, incluindo variáveis inúmeras como o momento e a idade, pois os valores são diferentes.

    Por isso, não faz sentido discutir se eu perdi ou deixei de perder 6 meses da minha vida. Nem quem está na prisão perde a vida só porque está preso; o que dirá quem está solto. Tudo é experiência.

    A gente é o conjunto de tudo o que nos aconteceu e a totalidade da nossa história e eu gosto muito da pessoa que me tornei; isso se construiu com a minha história e minhas experiências e percepções, incluindo esse capítulo.

    Por isso, pare de se torturar, mulher!

    Você fez o melhor que pôde, está registrado, pode ter certeza!!!

    Beijocas e te amo (ainda mais agora que ameaça nenhuma me pega mais...eheheh)

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  2. Gostei. Difícil encontrar uma mãe consciênte como vc. São tantas ilusões...

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  3. Me desculpe, mas a maioria das vezes que uma mãe impõe um castigo para um filho é por ter perdido o controle e seu EGO foi atingido. É tipo "Onde já se viu um 'porcaria' desses me dizendo NÃO!?" Conheço muito bem todos esses argumentos de que foram as melhores intenções para ajudar na educação e formação... mas na verdade foi uma disputa e depois que os filhos crescem as mães não tem a menor capacidade de pedir desculpas por ter errado tanto. Isso mesmo, já ouviu alguma vez ma mãe pedindo desculpas ao filho por ter errado tanto com ele? NUNCA! Sempre é esse pado de se justificar por não saber a "receita" de criar um filho e por isso repetia justamente o que mais a magoava quando era criança: os castigos impostos por outra mãe com um EGO ferido. Neste dia das mães queria muito que as mães pedissem desculpas aos filhos por terem feito deles um tipo de desconto do que passaram quando eram crianças. É a minha opinião e não é dirigida a ninguém especificamente. Odeio minha mãe.

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