sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mais um Sarau Literário

Mais um Sarau literário.
Hoje fui mais uma vez, junto com a minha amiga Sonia e mais duas tias dela muito queridas, a um sarau literário e musical.
Nós quatro juntas somamos pouco mais de 300 anos, hahahah.
Dai fomos ao Sarau na Casa do Poeta de Campinas que fica dentro da Academia Campinense de Letras. Fomos pela primeira vez no fim do ano passado e até já contei aqui como aconteceu.
Hoje teve uma pequena variação, mas no geral o mesmo comportamento e algumas perolas edificantes para atiçar minha veia "jornalística".
Pois bem, vamos por partes (como diria o Jack, o estripador)
Em princípio me pareceu que estavam quase todos os da última vez, até a morta foi relembrada pelo viúvo  com voz compungida. O Edson Juliani ( o amigo da Sonia que canta ópera), cantou belas musicas acompanhadas por uma pianista muito estranha, vestida para ir ao mercado ou fazer jardinagem. Não parecia que saiu para aquele evento. Não que seja uma ocasião luxuosa, mas percebe-se o cuidado da maioria das pessoas em se vestir com aprumo para uma ocasião, que para eles parece muito especial.
Uma Senhora de nome Célia (não guardei o sobrenome), foi chamada a mostrar três telas de pintura que de longe não deu para definir o estilo e dissertar (um pouco tímida e "aparentemente" a contra gosto) os "inúmeros prêmios" já ganhos, até pelas xilogravuras que ela não mostrou mas que andou expondo. Com a confirmação de um dos  dois apresentadores que iam se revezando; o viúvo e um outro parecido com o Ney Latorraca , acho que são parentes...
Vários "fotografos" deram cobertura total ao evento que não chegou pelos meus cálculos a setenta pessoas. 
Tudo iria para o Blog, disse orgulhosamente um dos apresentadores e garantiu que postaria junto com as poesias declamadas.
O evento chama a atenção pela simplicidade dos que se apresentam, pessoas humildes no ser e no falar, mas aparentemente frequentadores assíduos da Casa do Poeta, e são principalmente pessoas com muita sensibilidade pelo que se ouviu.
O que me chama também a atenção é o comportamento "colegial" entre todos. Pois todos se levantam e sentam o tempo todo demonstrando uma certa ansiedade e vão falar coisas uns nos ouvidos dos outros, como fazem os jovens em seus grupos, mesmo que lá na frente tenha alguém declamando algum soneto de sua autoria, as vezes quase em lágrimas e alguns nem ai...
Lá pelas tantas um jovem de uns trinta anos, coisa rara por lá, pois como já falei, predomina a quinta idade. Pois bem, ele se apresentou para falar de um assunto, segundo ele, "muito engraçado", argumentando que ia aproveitar que ainda estávamos nos finais do período de carnaval (?!) e resolveu declamar um verso em homenagem à Campinas, que a meu ver ficaria muito bem encaixado num RAP (aqueles versos cantados e falados em protesto e que os jovens principalmente os negros, cantam e fazem sucesso). 
Tratava-se de uma reclamação e explicação do porque dizem que quem nasce em Campinas é GAY... 
(UUUUUUUUAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUU!).
Isso mesmo, o cara usou palavras e palavrões elucidativos e insinuações de todo o tipo para expor seus sentimentos. Não precisa dizer do mal estar geral.
Foi constrangedor e totalmente deslocado, mas como falou a Sonia, a maioria não entendeu, uma parte fez de conta que não entendeu, e o restante não ouviu mesmo, porque está quase surdo ou não prestaram a atenção.
Os dois apresentadores em vez de mudarem o foco se revezaram em fazer piadas em cima do assunto, citando o nome gracioso do Estádio de Futebol "Brinco de Ouro da Princesa" e o outro falou ainda sobre o "Quartel do Exército que é Cor-de -rosa", no que imediatamente levantou-se uma ilustre, de peruca negra desfiada (muito inquieta, que não parava no lugar, tirando fotos e falando ao ouvido de outros o tempo todo) para "explicar" o porque da cor do quartel e terminou dizendo que mais não falaria para não perder a pensão (?!). Foi constrangedor mas muito engraçado também.
Também presente ao evento, para honra "dos menores", lá estava uma conhecida colunista de jornal e viúva de figura conhecidíssima da cidade, poetisa (poeta) da cidade, por sinal minha conterrânea que vive fora de Florianópolis faz 300 anos. Quase ao final, a dama foi convidada a falar e declarou para quem quisesse ouvir que admirava aqueles que lá estavam com seus versos sem simetria e muita coragem e que sem pudor nenhum os apresentava a todos ali presentes. Também declarou que tinha um grupo de dezoito poetas, um grupo fechado, porque precisava ser "muito bom" para fazer parte dele. Arrepiei inteira. Chorei de vergonha alheia...

Deu dezessete horas e enquanto tiravam fotos do grupo presente, fomos saindo ligeirinho antes do temporal que caiu logo que chegamos em casa.


Mas valeu, Sonia. Adorei.

3 comentários: