Acho que identifiquei a minha profunda tristeza. Por mais que eu ache normal que os meus filhos morem e viajem, eu sofro a saudade, a ausência. Não quero admitir para mim mesma que já não estou tão perto deles ou eles de mim. Já fui visitá-los, estão todos muito bem e felizes, mas eu não faço parte da vida deles e de ninguém. Estou só. É uma sensação estranha, como venho dizendo, repetidas vezes, na verdade descobri que eu fiquei foi de luto, assim como fiquei de luto por mais de dois anos quando fiquei viúva. Agora é um luto de pessoas vivas, o luto da tristeza que a distância provoca. Na forte presença da ausência. Ir na casa desocupada esperando novo morador e ver que não há ninguém, não há mais aquele entre e sai, o barulho natural da vida em família, os chamados, o telefone que toca, o gato que mia, as coisas espalhadas... Nada. Só o silêncio e o eco dos meus passos pela casa vazia. É muita saudade...
Não imaginava sentir essas coisas, ter esses sentimentos dolorosos. A nossa idade é marcada pelo tempo dos acontecimentos tão comuns, mas também se fragmenta em lembranças de momentos únicos.
Acho que é isso o que chamam de velhice...
Aqui você vai encontrar assuntos diversos de acordo com o meu estado de espírito: alegre, triste eventualmente, muito raramente com raiva, porém geralmente com uma pitada de irreverência.
Quem sou eu
- Clotilde ♥ Fascioni
- Campinas , São Paulo , Brazil
- Tenho mais de setenta anos, mãe de quatro e avó de seis, bisavó de dois e uma saudade eterna. Leonina humor sarcástico e irreverente. Gosto de ler, escrever, pintar, costurar, fotografar, não necessariamente nessa ordem. Gosto de observar e ouvir pessoas, suas histórias de vida que para mim são sempre interessantes e ricas de ensinamentos e só aumentam o meu conhecimento com respeito a viver. Acho bom e interessante olhar a nossa volta. É sobre isso que gosto de escrever.Gosto de cinema, assistir seriados na TV, teatro, viajar,passear,viajar,passear... conhecer lugares e bater papo sem compromisso. Gosto de olhar o mundo com olhos curiosos de quem acabou de chegar e quer se inteirar do que está "rolando".O nome escolhido "Espírito de Escritora" não tem a pretensão de mostrar aqui "grandes escritos" tirados das entranhas da sabedoria mais profunda e filosófica de alguém "letrado" ou sábio. Simplesmente equivale a dizer "escrever com alegria","escrever com espirituosidade".Tudo o que escrevo já está escrito dentro de mim, do meu eu mais profundo, só boto para fora... sei lá... Este é um lugar de desabafo e de reflexões minhas."Os bons que me sigam". (sabedoria do Chapolim Colorado)

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