Quem sou eu

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Tenho mais de setenta anos, mãe de quatro e avó de seis, bisavó de dois e uma saudade eterna. Leonina humor sarcástico e irreverente. Gosto de ler, escrever, pintar, costurar, fotografar, não necessariamente nessa ordem. Gosto de observar e ouvir pessoas, suas histórias de vida que para mim são sempre interessantes e ricas de ensinamentos e só aumentam o meu conhecimento com respeito a viver. Acho bom e interessante olhar a nossa volta. É sobre isso que gosto de escrever.Gosto de cinema, assistir seriados na TV, teatro, viajar,passear,viajar,passear... conhecer lugares e bater papo sem compromisso. Gosto de olhar o mundo com olhos curiosos de quem acabou de chegar e quer se inteirar do que está "rolando".O nome escolhido "Espírito de Escritora" não tem a pretensão de mostrar aqui "grandes escritos" tirados das entranhas da sabedoria mais profunda e filosófica de alguém "letrado" ou sábio. Simplesmente equivale a dizer "escrever com alegria","escrever com espirituosidade".Tudo o que escrevo já está escrito dentro de mim, do meu eu mais profundo, só boto para fora... sei lá... Este é um lugar de desabafo e de reflexões minhas."Os bons que me sigam". (sabedoria do Chapolim Colorado)

terça-feira, 28 de abril de 2015

Enquanto isso na Geladeira...

                                                Enquanto isso, na Geladeira...
As verduras e legumes acordaram com a luz amarelada  da geladeira que acendeu de repente na madrugada. O dia ainda não havia clareado e tudo ainda estava em silêncio, sendo quebrado apenas pelo motor que foi reativado com o abrir da porta.
Ainda sonolentos e meio desnorteados as verduras, as frutas e os legumes, olhavam para aquela figura amarrotada que os olhava com apatia e tédio naquele começo de um dia qualquer da semana.
A couve, verdura muito na moda, por conta dos sucos detox, meteu-se por baixo do maço de brócolis escamoteando-se na verdura encorpada não querendo sair de onde estava.
O nabo, o grande emagrecedor da hora, se encolheu atrás da couve-flor causando irritação na mesma que não gosta muito de ser tocada.
Uma beterraba pequena que estava ao lado da cenoura achou por bem fazer de conta que ainda dormia para não chamar a atenção.
Enquanto a raiz de gengibre se espreguiçava totalmente alheia aos acontecimentos a maçã verde lhe enviava sinal de perigo, perigo, perigo!
De repente a mão grande e peluda do ser envolvido num pijama listrado se enfiava na gaveta gelada, entulhada de vegetais e folhas à procura da maçã verde. E afastando o brócolis com desdém pegava também o maço de couve. Em seguida pegou a laranja que estava na outra gaveta mais a água de coco que estava na porta e levou tudo para a beira da pia arrastando os pés calçados de chinelos frouxos. Depois voltou até o armário do canto e retirou o liquidificador que trouxe para perto do fogão onde havia uma tomada. Colocou dentro do copo a água de coco, rasgou com as mãos uma folha de couve e juntou uma maçã verde em pedaços e mais uma banda de nabo branco na companhia de duas rodelas de gengibre e completou com pedaços de laranja. Dai acionou a máquina infernal e ensurdecedora que não pode faltar em uma cozinha e deixou bater vigorosamente aquela mistura sinistra por alguns minutos.
Depois virou o copo diretamente sem elegância nenhuma, boca à dentro e tomou todo aquele horroroso liquido verde que está na moda como desintoxicante emagrecedor, mas que tem sabor de... água da banheira do Hulk... sei lá...
Se arrisca a definir o gosto?

Um comentário:

  1. Com a perspectiva de virarem esse caldo repulsivo, as verduras, legumes e frutas tinham razão em tentarem se esconder. Muito boa sua vegetariana lavra, Clotilde. Abraços.

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