Quem sou eu

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Campinas , São Paulo , Brazil
Tenho mais de setenta anos, mãe de quatro e avó de seis, bisavó de dois e uma saudade eterna. Leonina humor sarcástico e irreverente. Gosto de ler, escrever, pintar, costurar, fotografar, não necessariamente nessa ordem. Gosto de observar e ouvir pessoas, suas histórias de vida que para mim são sempre interessantes e ricas de ensinamentos e só aumentam o meu conhecimento com respeito a viver. Acho bom e interessante olhar a nossa volta. É sobre isso que gosto de escrever.Gosto de cinema, assistir seriados na TV, teatro, viajar,passear,viajar,passear... conhecer lugares e bater papo sem compromisso. Gosto de olhar o mundo com olhos curiosos de quem acabou de chegar e quer se inteirar do que está "rolando".O nome escolhido "Espírito de Escritora" não tem a pretensão de mostrar aqui "grandes escritos" tirados das entranhas da sabedoria mais profunda e filosófica de alguém "letrado" ou sábio. Simplesmente equivale a dizer "escrever com alegria","escrever com espirituosidade".Tudo o que escrevo já está escrito dentro de mim, do meu eu mais profundo, só boto para fora... sei lá... Este é um lugar de desabafo e de reflexões minhas."Os bons que me sigam". (sabedoria do Chapolim Colorado)

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Alto Escalão


                                        Alto Escalão
Acordei bem cedo e fiquei por uns momentos ouvindo enternecida os passarinhos cantarem nas árvores do Condomínio onde moramos.
Fiquei embaixo do edredom cheia de preguiça dando um tempo para me encorajar e começar meu dia. Um pouco mais atenta aos rumores do amanhecer percebi o cantarolar baixinho do Otávio e de água de chuveiro escorrendo. Ele estava feliz, ao mesmo tempo que isso era bom, também podia não ser...
Imediatamente liguei minhas antenas e radares, ajustei a sintonia para o modo "paciência" e me levantei. Cruzamos no corredor, em silêncio trocamos olhares e ele me fez o gesto clássico dos anos sessenta; Paz e Amor com os dois dedos, indicador e médio, entreabertos e para cima.
Enquanto a água escorria pelo meu corpo reforcei as minhas orações e liguei o botão de alerta no modo "piscando" em pulso lento para crescente. Sentia alguma coisa no ar, o famoso sexto sentido, que temos e nem sempre damos atenção.
Mais tarde, enquanto tomava meu café e lia meu jornal a campainha estridente do telefone me assustou e um banho de adrenalina se espalhou pelo meu corpo me fazendo derramar o líquido precioso que me mantém ligada, o meu café. Neste momento o alarme do meu sismógrafo particular me avisou da possibilidade de um terremoto à caminho. Ajustei as orelhas para o modo atenção máxima e fiquei ouvindo a parte de cá da conversa enquanto pensava em quem poderia estar ligando para ele à esta hora, para a criatura peluda que mora comigo, sobrinho do último Xá da Pérsia, mais conhecido como Otávio; Quem poderia ser?
Infelizmente como só ouvia o lado de cá fiquei curiosíssima, pois ele só respondia: "não, claro que não, impossível, sem condições, tenho outros compromissos agendados, concordo que seja para poucos, mas vou declinar, avise que fica para uma próxima... obrigada... veja bem... avise que não adianta insistir... e nem enviar o convite pessoalmente por mensageiro tão digno que não estou interessado. Obrigado, passar bem..."  
Em seguida desligou e me olhou com aqueles olhos amarelos impassíveis e em silêncio por alguns segundos. E sem nada a comentar se dirigiu para o quarto e sem cerimônia se refestelou entre as almofadas preferidas.
É claro que fui saber do que tratava tão misterioso telefonema, e sabe o que me disse com aquele olhar entediado que lhe é peculiar?
Entre um bocejo e outro ele me informou que era um assessor da Presidência o convidando para assumir um Ministério! -Mas nem quis saber qual era, não aceitei. Com certeza haverá muito trabalho pela frente e teria que me mudar imediatamente para Brasília e  só de pensar já fiquei estressado e por demais cansado, e por isso vou até me recolher e não estarei para ninguém, nem mesmo para aquele que disseram que iriam enviar para me convencer... o que nasceu em Maringá, moreno, jovem ainda, aquele que foi escolhido primeiro... O cara do telefone até me disse que ele com certeza me convenceria a fazer parte da Nova Era Brasil, mas fique ligada; eu não estarei para ninguém, nem para o Papa.
Dito isto, se acomodou e dormiu imediatamente, e eu voltei para o meu café e ao jornal molhado...

É mole conviver com essa criatura peluda?



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