Quem sou eu

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Campinas , São Paulo , Brazil
Tenho mais de setenta anos, mãe de quatro e avó de seis, bisavó de dois e uma saudade eterna. Leonina humor sarcástico e irreverente. Gosto de ler, escrever, pintar, costurar, fotografar, não necessariamente nessa ordem. Gosto de observar e ouvir pessoas, suas histórias de vida que para mim são sempre interessantes e ricas de ensinamentos e só aumentam o meu conhecimento com respeito a viver. Acho bom e interessante olhar a nossa volta. É sobre isso que gosto de escrever.Gosto de cinema, assistir seriados na TV, teatro, viajar,passear,viajar,passear... conhecer lugares e bater papo sem compromisso. Gosto de olhar o mundo com olhos curiosos de quem acabou de chegar e quer se inteirar do que está "rolando".O nome escolhido "Espírito de Escritora" não tem a pretensão de mostrar aqui "grandes escritos" tirados das entranhas da sabedoria mais profunda e filosófica de alguém "letrado" ou sábio. Simplesmente equivale a dizer "escrever com alegria","escrever com espirituosidade".Tudo o que escrevo já está escrito dentro de mim, do meu eu mais profundo, só boto para fora... sei lá... Este é um lugar de desabafo e de reflexões minhas."Os bons que me sigam". (sabedoria do Chapolim Colorado)

domingo, 17 de setembro de 2017

Confabulações

                                                Confabulações
Quando eu vou comprar mamão escolho por afinidade, amor à primeira vista. Só tenho certeza da doçura comprando o Papaia, mas gosto também do Formosa que é o dobro do tamanho, que vou comendo aos poucos e tenho a sensação de que dura mais, mesmo equivalendo em peso, não sei.
Enfim;  no supermercado, diante daquele mar de frutas diversas vou até aos mamões verdes alaranjados da banca e fico por alguns momentos observando-os para ver qual deles quer ir comigo, qual está a fim de fazer parte do meu corpinho por algumas horas, saber dos meus segredos, dos meus amores e dores, ouvir minhas orações e até dar palpites nas minhas conversas e discussões com Otávio.
Fico em silencio, mesmo que esteja cantarolando alguma balada metódica ou alguma coisa meio religiosa eu paro e fico olhando para os mamões, observando suas reações com a minha presença, pois de repente eu sinto vindo das entranhas do fruto não proibido o apelo - eu quero ir contigo, eu vou, sou doce e macio e te darei a satisfação do prazer da gula por alguns momentos-
E lá vou eu carregando a criação Divina produzida em série pela mão do homem do campo, tão esquecido por aqueles que dependem dele todos os dias, enrolado numa manga de crochê macio.
Feliz vou para casa e o acomodo na fruteira entre outras frutas, porém ele é o majestoso, o maior entre todas as espécies do recipiente.
Passa ali adormecido mais alguns dias para amadurecer mais um pouquinho já que as suas cores estavam mais para o verde do que para o alaranjado e assim provavelmente ainda estava mais firme do que macio para ser comido ao ponto.
Finalmente numa manhã de um dia nublado, observando a fruteira me dou conta que ele chegou ao estágio perfeito para ser comido. Pego-o nas mãos e o levo para um banho com detergente e esponja macia, primeiro o lado verde (da esponja) e depois o amarelo, mais macio. Enxugo-o com delicadeza e expresso o meu amor por ele dando-lhe um beijo e lhe agradecendo o prazer que ele estava me proporcionando ao degustá-lo sendo feliz, pois o estava levando para dentro de mim, meu eu mais profundo, e por algumas horas seríamos um só. Puro prazer...
É muito amor envolvido.


Isso se chama solidão.

Um comentário:

  1. Uma comunhão mamonística. Ou mamônica, talvez. Seu texto tb me colocou aqui a confabular com meus mamões... Grande abraço, amiga Clotilde.

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