Quem sou eu

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Campinas , São Paulo , Brazil
Tenho mais de setenta anos, mãe de quatro e avó de seis, bisavó de dois e uma saudade eterna. Leonina humor sarcástico e irreverente. Gosto de ler, escrever, pintar, costurar, fotografar, não necessariamente nessa ordem. Gosto de observar e ouvir pessoas, suas histórias de vida que para mim são sempre interessantes e ricas de ensinamentos e só aumentam o meu conhecimento com respeito a viver. Acho bom e interessante olhar a nossa volta. É sobre isso que gosto de escrever.Gosto de cinema, assistir seriados na TV, teatro, viajar,passear,viajar,passear... conhecer lugares e bater papo sem compromisso. Gosto de olhar o mundo com olhos curiosos de quem acabou de chegar e quer se inteirar do que está "rolando".O nome escolhido "Espírito de Escritora" não tem a pretensão de mostrar aqui "grandes escritos" tirados das entranhas da sabedoria mais profunda e filosófica de alguém "letrado" ou sábio. Simplesmente equivale a dizer "escrever com alegria","escrever com espirituosidade".Tudo o que escrevo já está escrito dentro de mim, do meu eu mais profundo, só boto para fora... sei lá... Este é um lugar de desabafo e de reflexões minhas."Os bons que me sigam". (sabedoria do Chapolim Colorado)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Os "sem-terra"

                                                        Os “sem-terra”
Mais um pequeno conto de três palavras BOTARÉU, MUTIRÃO E CAIPORISMO...
Armandino fez um BOTARÉU, pois não confiava nem um pouco na parede que o compadre Zequinha levantou. Em tempos de CAIPORISMO não se pode vacilar.
Fazia tempo que Armandinho não pegava numa colher de pedreiro, para falar a verdade desde que era noivo da Mercedes, quando em sistema de mutirão levantaram a casinha onde moram até hoje, onde criaram os filhos e isso já vai um bom tempo. Agora novo MUTIRÃO, os amigos resolveram ajudar o filho do Feliciano que “embuchara” uma menina e precisava casar e arrumar um teto para criar a família, assim ia construir as três peças básicas; quarto banheiro e cozinha. Para começar está bom...
Era assim naquele vilarejo de meudeus, uns ajudando os outros a viver a vida. Sempre que um tinha um problema, imediatamente o problema era da comunidade e assim todos juntos procuravam a solução.
Daquela vez que o filhinho da Zulmira ficou doentinho todos se juntaram e arrumaram o dinheiro para levar o menino para a cidade fazer tratamento, e assim era ali naquele lugar até que um dia chegou um carro com dois homens dentro e resolveu de reunir todo mundo para fazer um comunicado.
Eles vieram avisar que aquelas terras tinham dono e que eles precisavam se mudar logo. Todos precisavam sair dali o mais rápido possível.
- Mas como? Sempre moramos aqui, falavam todos ao mesmo tempo para aqueles homens que traziam uns papeis em pastas dizendo que era a escritura daquelas terras. Iam construir um hotel enorme e era preciso desocupar aquelas casas.
- Para onde iremos? Sempre moramos aqui, tiramos nosso sustento do rio e da terra, o que vamos fazer?
- Esse já não é problema nosso, estamos só trazendo o comunicado, o dono é um “figurão”, é um grande político. Vocês podem se juntar aos sem terra e ganhar bolsa família. Depois o governo da uma terrinha para vocês e fica tudo certo, enquanto isso vocês terão escola para os filhos, cesta básica e tudo o que precisarem onde estiverem...
Semanas depois aquele grupo se reuniu a um grupo grande dos “sem-terra”  reivindicando também “seus direitos”.
 

2 comentários:

  1. Eu me pergunto como sem terra ? De onde vieram ?
    Este é um problema sério. Soube por uma ajudante doméstica, que um político estava cobrando para quem quisesse se candidatar a um pedaço de terra, no bairro em que ela mora.
    A gente sabe, que na periferia , a necessidade une as pessoas.

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    1. Eu também sempre me pergunto isso Angela Villaça. Obrigada por comparecer.

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